Ponte Preta: oposição protocola pedido para afastar Torrano e Eberlin antes da votação da SAF
O que você precisa saber
- Um grupo de oposição à atual diretoria da Ponte Preta protocolou um requerimento para convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com objetivo de discutir o afastamento do presidente Luiz Antônio Alves Torrano e do primeiro vice-presidente, Marco Antônio Eberlin.
- Segundo o ex-diretor financeiro Gustavo Valio, 158 conselheiros subscreveram o documento.
- O pedido tem como base os artigos 47 e 48 do Estatuto, que tratam da convocação de Assembleias Gerais Extraordinárias e da possibilidade de discutir a destituição de dirigentes.
- O Conselho Deliberativo ainda precisa analisar o requerimento e verificar se os signatários cumprem os requisitos estatutários para participar do processo.
- A oposição também pretende recorrer à Justiça para tentar suspender a Assembleia Geral marcada para 24 de agosto, que terá como pauta a constituição da SAF da Ponte Preta.
- A intenção do grupo é que a situação da atual diretoria seja definida antes da votação sobre a transformação do departamento de futebol e das categorias de base em Sociedade Anônima do Futebol.
- O movimento aumenta a disputa política dentro do clube justamente na semana que antecede a Assembleia da SAF.
A oposição da Ponte Preta protocolou um requerimento para a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária com o objetivo de discutir o afastamento do presidente Luiz Antônio Alves Torrano e do primeiro vice-presidente, Marco Antônio Eberlin. Segundo Gustavo Valio, ex-diretor financeiro do clube e um dos articuladores do movimento, 158 conselheiros assinaram o documento.
A iniciativa acontece a menos de uma semana da Assembleia Geral marcada para 24 de agosto, que terá como pauta a autorização para a constituição da SAF da Ponte Preta. O grupo de oposição entende que a permanência ou não da atual diretoria deve ser definida antes de uma decisão sobre o futuro do futebol do clube.
No requerimento, os conselheiros pedem a convocação de uma AGE específica para deliberar sobre o afastamento dos dois dirigentes. Valio afirmou, em texto divulgado após o protocolo, que os 158 signatários foram apresentados como conselheiros com mais de 24 meses de contribuição e em situação regular.
O Estatuto
O movimento tem como fundamento os artigos 47 e 48 do Estatuto da Ponte Preta.
O artigo 47 estabelece que a Assembleia Geral Extraordinária pode ser convocada para tratar de assuntos de interesse da Ponte Preta. Entre os temas previstos estão a destituição ou qualquer representação contra o presidente do Conselho Deliberativo, presidente do Conselho Fiscal, presidente e primeiro vice-presidente da Diretoria Executiva.
O mesmo artigo também prevê que a Assembleia pode deliberar sobre a constituição da Ponte Preta em Sociedade Anônima do Futebol, por meio da transformação do departamento de futebol e das demais atividades associativas.
Já o artigo 48 determina que a Assembleia Geral Extraordinária pode ser convocada pelo presidente do Conselho Deliberativo ou por 1/5 dos associados que atendam às exigências previstas no artigo 43. O Estatuto estabelece ainda antecedência mínima de 15 dias para a convocação, além da divulgação da ordem do dia, local, data e horário da reunião.
O artigo 43, por sua vez, estabelece as condições para participação, votação e candidatura nas assembleias. Entre os requisitos estão estar em dia com a contribuição mensal, ter pelo menos 24 meses de efetividade associativa, estar no pleno gozo dos direitos associativos e ser maior de 18 anos.
Próximos passos
Apesar da apresentação das 158 assinaturas, a eventual Assembleia para discutir o afastamento de Torrano e Eberlin ainda não está convocada.
O presidente do Conselho Deliberativo, José Armando Abdalla Júnior, deverá analisar o requerimento e verificar se os signatários atendem aos requisitos previstos no Estatuto.
O Estatuto estabelece o prazo mínimo de 15 dias de antecedência para a realização da AGE após a convocação. Portanto, o protocolo do requerimento não significa, neste momento, que a reunião de afastamento já esteja marcada.
A oposição, porém, pretende acelerar o processo. Segundo apurou o Portal CB, o grupo avalia ingressar na Justiça para pedir a suspensão da Assembleia da SAF prevista para o dia 24.
A estratégia é evitar que a Ponte Preta tome uma decisão sobre a transformação do futebol em SAF antes de discutir a permanência da atual diretoria.
SAF no centro da disputa
A movimentação política ocorre justamente quando a Ponte Preta se prepara para uma das decisões mais importantes de sua história recente.
A Assembleia do dia 24 discutirá a constituição da Sociedade Anônima do Futebol. Segundo a contextualização apresentada por Elias Aredes, a votação prevista para a data não necessariamente define qual será o controlador ou o modelo de operação da SAF. O primeiro passo é autorizar a transformação do departamento de futebol profissional e das categorias de base em uma SAF; a definição do modelo e de um eventual acionista controlador depende de etapas posteriores.
A oposição, por outro lado, entende que a atual diretoria não deveria conduzir uma decisão dessa dimensão antes de ter sua permanência legitimada politicamente.
Em sua manifestação, Gustavo Valio afirmou que não considera adequado discutir o futuro patrimonial, financeiro e esportivo da Ponte antes de definir quem estará à frente do clube. O ex-diretor também classificou o requerimento como um movimento dos 158 conselheiros, e não como uma iniciativa individual.
“Esse requerimento não é do Gustavo Valio”, afirmou o ex-dirigente, ao defender que a decisão final sobre o afastamento deve caber à Assembleia Geral.
A situação financeira
A disputa acontece em um momento de profunda crise financeira e esportiva na Ponte Preta. O clube está na lanterna da Série B, enfrenta atrasos salariais e passou boa parte da temporada com dificuldades para regularizar reforços por causa de punições relacionadas a dívidas.
A discussão sobre a SAF ganhou força justamente diante da necessidade de novos recursos para o clube. Recentemente, informações atribuídas à auditoria financeira apontavam uma dívida na casa dos R$ 320 milhões, sem considerar o débito de IPTU, estimado em aproximadamente R$ 20 milhões.
A diretoria, por sua vez, sustenta que a constituição da SAF representa uma possibilidade de reconstrução financeira e esportiva da Ponte. Em julho, Luiz Torrano afirmou que a proposta em negociação previa a transferência dos departamentos de futebol profissional e amador para a SAF, sem alienação ou transferência do patrimônio imobiliário do clube, incluindo o Moisés Lucarelli e a sede social.
Agora, além da discussão sobre o modelo de SAF, o clube passa a enfrentar uma nova disputa institucional: de um lado, a diretoria trabalha pela realização da Assembleia de 24 de agosto; do outro, a oposição tenta convocar uma AGE para discutir o afastamento de Torrano e Eberlin e pode recorrer à Justiça para suspender a votação da SAF.
Os próximos dias serão decisivos para definir qual das duas discussões terá prioridade no calendário político da Ponte Preta.
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