Ponte Preta: Gustavo Valio se manifesta sobre a SAF, propõe reflexão sobre modelo e cobra respostas da diretoria

Ponte Preta: Gustavo Valio se manifesta sobre a SAF, propõe reflexão sobre modelo e cobra respostas da diretoria
Foto de Diego Almeida/Pontepress

O que você precisa saber

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  • O conselheiro Gustavo Garcia Valio emitiu uma nota oficial de esclarecimento após ser citado na reportagem do Portal CB sobre a comissão da SAF.
  • Valio confirmou sua participação na comissão de 2024, mas demonstrou profunda preocupação com a forma como o tema vem sendo conduzido pela atual administração.
  • O conselheiro destacou que não é contrário à criação da SAF, enxergando o modelo como uma importante ferramenta de reestruturação para a Ponte Preta.
  • No entanto, ele questiona a legitimidade da atual gestão, que acumula questionamentos financeiros, para conduzir um processo dessa magnitude.
  • Na nota, Valio faz sete questionamentos públicos à diretoria executiva, focados principalmente nos passivos fiscais e na situação do clube no PROFUT.
  • Para ele, a SAF não pode servir como “cortina de fumaça” para encobrir problemas administrativos da atual gestão.

A favor da SAF, mas crítico à atual gestão

O conselheiro e advogado da Ponte Preta, Dr. Gustavo Garcia Valio, emitiu neste domingo (7) uma Nota Pública de Esclarecimento para se posicionar oficialmente sobre o processo de transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A manifestação ocorre após o nome do dirigente ser citado em reportagem do Portal CB como um dos integrantes da Comissão Especial criada em 2024 para debater o tema.

Logo no início do texto, Valio confirmou que participou ativamente da comissão coordenada pelo saudoso Dr. Marcos Garcia Costa, ressaltando que o objetivo inicial do grupo era “estudar alternativas para o fortalecimento institucional e financeiro do clube, sem qualquer compromisso prévio com determinado modelo ou investidor”.

O conselheiro fez questão de deixar claro que o seu posicionamento atual não representa um boicote à ideia do clube-empresa. “Não sou contrário à SAF. Ao contrário, entendo que a transformação em SAF pode representar uma importante ferramenta de reestruturação financeira, governança e desenvolvimento esportivo para a Ponte Preta, desde que conduzida com absoluta transparência, responsabilidade e credibilidade”, afirmou no documento.

A principal crítica de Gustavo Valio é direcionada à cúpula executiva do Moisés Lucarelli. Para ele, um processo de tamanha relevância histórica não deveria ser liderado por uma gestão que “acumula graves questionamentos administrativos e financeiros”.

“A eventual constituição de uma SAF não pode servir como cortina de fumaça para encobrir problemas administrativos nem como mecanismo para transferir responsabilidades decorrentes de gestões que, ao longo dos anos, deixaram de cumprir obrigações básicas perante o Fisco”, disparou o conselheiro.

Questionamentos fiscais e o PROFUT

A maior preocupação levantada na nota diz respeito ao acúmulo de expressivos passivos fiscais e à falta de esclarecimentos transparentes sobre a regularidade dos recolhimentos tributários correntes. Antes de qualquer debate sobre um novo modelo societário, Valio cobrou publicamente que a diretoria da Ponte Preta responda a sete perguntas de forma imediata:

  • Qual foi a última competência em que houve o pagamento integral dos tributos correntes do clube?
  • Qual foi a última parcela efetivamente quitada dos parcelamentos tributários existentes?
  • Qual a situação atual dos parcelamentos vinculados ao PROFUT?
  • Existem parcelas em atraso?
  • Houve exclusão de algum programa de parcelamento?
  • Qual o montante atualizado da dívida tributária da instituição?
  • Quais medidas concretas estão sendo adotadas para impedir o crescimento desse passivo?

No encerramento de sua manifestação, Gustavo Valio reiterou que não se opõe à modernização, mas questiona a “legitimidade, a oportunidade e a forma” como a administração vem tocando a pauta. Ele defende que o debate sobre o futuro da Associação Atlética Ponte Preta precisa ser conduzido de forma responsável, “sem pressa, sem omissões e sem narrativas prontas”.

Veja a nota na íntegra:

“Tomei conhecimento da matéria jornalística intitulada “Ponte Preta: comissão para SAF foi criada em 2024 e contou com apoio de Gustavo Valio”, na qual meu nome é mencionado em associação ao atual processo envolvendo a possível constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) na Associação Atlética Ponte Preta.

Inicialmente, causa-me estranheza que o jornalista responsável pela publicação tenha optado por vincular meu nome à matéria sem, em nenhum momento, buscar ouvir minha posição ou solicitar qualquer manifestação acerca do tema. O exercício do jornalismo responsável pressupõe a oitiva das pessoas diretamente mencionadas na reportagem, especialmente quando se trata de assunto tão sensível e relevante para o futuro da instituição.

É importante esclarecer que participei da comissão criada para realizar estudos e prospecções relacionadas à SAF, comissão esta coordenada pelo saudoso Dr. Marcos Garcia Costa e integrada também por outros profissionais e conselheiros comprometidos com o futuro da Ponte Preta. O objetivo daquela comissão sempre foi estudar alternativas para o fortalecimento institucional e financeiro do clube, sem qualquer compromisso prévio com determinado modelo ou investidor.

Entretanto, diante das informações atualmente disponíveis, meu posicionamento é de extrema preocupação com a forma como o tema vem sendo conduzido pela atual administração.

Não sou contrário à SAF.

Ao contrário, entendo que a transformação em SAF pode representar uma importante ferramenta de reestruturação financeira, governança e desenvolvimento esportivo para a Ponte Preta, desde que conduzida com absoluta transparência, responsabilidade e credibilidade.

O que não me parece razoável é que um processo de tamanha relevância para a história do clube seja conduzido justamente por uma gestão que acumula graves questionamentos administrativos e financeiros.

Em especial, preocupa-me a questão tributária.

Ao longo dos últimos anos, a Ponte Preta acumulou passivos fiscais expressivos e, até o presente momento, não foram apresentados aos associados, conselheiros e torcedores esclarecimentos transparentes sobre a efetiva regularidade dos recolhimentos tributários correntes.

Diante disso, faço publicamente os seguintes questionamentos à diretoria executiva:

  • Qual foi a última competência em que houve o pagamento integral dos tributos correntes do clube?
  • Qual foi a última parcela efetivamente quitada dos parcelamentos tributários existentes?
  • Qual a situação atual dos parcelamentos vinculados ao PROFUT?
  • Existem parcelas em atraso?
  • Houve exclusão de algum programa de parcelamento?
  • Qual o montante atualizado da dívida tributária da instituição?
  • Quais medidas concretas estão sendo adotadas para impedir o crescimento desse passivo?

São perguntas simples e objetivas que merecem resposta imediata por parte daqueles que hoje administram o patrimônio da Ponte Preta.

Antes de discutir qualquer modelo societário, é indispensável que os associados e torcedores conheçam a real situação financeira, fiscal e patrimonial do clube.

A eventual constituição de uma SAF não pode servir como cortina de fumaça para encobrir problemas administrativos nem como mecanismo para transferir responsabilidades decorrentes de gestões que, ao longo dos anos, deixaram de cumprir obrigações básicas perante o Fisco.

Da mesma forma, entendo que a condução de um processo dessa magnitude exige credibilidade, transparência e confiança institucional, atributos que precisam ser conquistados perante a comunidade pontepretana.

Reafirmo, portanto, que não sou contrário à SAF como instrumento de modernização e recuperação da Ponte Preta.

O que questiono é a legitimidade, a oportunidade e a forma como este processo está sendo conduzido pela atual administração, especialmente diante dos inúmeros problemas financeiros, trabalhistas, fiscais e administrativos que vêm sendo amplamente debatidos dentro e fora do clube.

A Ponte Preta merece um debate sério, transparente e responsável sobre seu futuro, sem pressa, sem omissões e sem narrativas prontas.”

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