Ponte Preta: Elvis entra com ação milionária por rescisão, e advogada contesta fundamentos
O meia Elvis ingressou com uma ação trabalhista contra a Ponte Preta pedindo a rescisão indireta do contrato e o pagamento de valores que, somados, giram em torno de R$ 8 milhões. O processo foi protocolado nesta quinta-feira e teve como base alegações de salários atrasados e falta de recolhimento de FGTS.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes de Campinas, a advogada do clube, Talita Garcez, afirmou que a Ponte ainda não foi oficialmente notificada da ação e, por isso, não apresentou manifestação formal nos autos.
“Ainda não fomos notificados. Recebemos a informação por intermédio de grupos e tomamos ciência na tarde de hoje. O clube precisa aguardar a notificação oficial para eventual manifestação”, explicou.
Segundo a defesa, o valor elevado da ação decorre de múltiplos pedidos feitos pelo jogador, incluindo multa contratual.
“O valor corresponde à casa dos R$ 8 milhões. São vários pedidos, inclusive a multa, que ultrapassa R$ 5 milhões, pois ele entende que a Ponte deu causa ao motivo”, detalhou Talita.
A principal linha de argumentação da advogada está no fato de que Elvis assinou um novo contrato com a Ponte Preta em 1º de janeiro de 2026, válido até dezembro de 2028, após o encerramento do vínculo anterior, que terminou em novembro de 2025.
“O contrato que o Elvis tinha em 2024 venceu em novembro de 2025. No dia 1º de janeiro de 2026, o clube firmou um novo contrato. A jurisprudência entende que não é possível pedir rescisão de um contrato em vigor com base em pendências de um vínculo anterior”, afirmou.
De acordo com Talita Garcez, eventuais valores em aberto podem até ser cobrados judicialmente, mas não sustentariam, do ponto de vista jurídico, um pedido de rescisão indireta do contrato atual.
“Ele pode pedir verbas que entende ter a receber, mas o pedido de rescisão indireta não pode ser pautado em contratos anteriores. Cada novo contrato tem suas próprias obrigações”, completou.
A defesa também ressaltou que, no contrato vigente, nenhuma obrigação salarial ou de FGTS estaria vencida até o momento.
“As obrigações de salário, FGTS e demais direitos do contrato de 2026 só venceriam a partir do primeiro quinto dia útil de fevereiro”, explicou a advogada.
Outro ponto abordado por Talita Garcez foi o uso do transfer ban como argumento indireto no debate público sobre a situação contratual do jogador. Segundo ela, a punição não impede renovações ou novos contratos com atletas que já estavam no clube.
“Quando se fala em transfer ban, muitos associam à proibição total de registros, mas o regulamento da CBF é claro: a proibição é para novos atletas, para evitar criação de novas dívidas. Renovações e novos contratos com jogadores que já estavam no clube são permitidos”, afirmou.
“O que não era permitido é registrar jogadores que vieram de outro clube”, completou.
A ação ocorre em meio a um ambiente de forte instabilidade no Moisés Lucarelli. Elvis vinha adotando tom de despedida nos bastidores após derrotas no Paulistão e chegou a afirmar publicamente que a situação no clube era “uma vergonha”. Desde então, o camisa 10 não voltou a atuar e seu futuro passou a ser tratado como indefinido.
A Ponte Preta, por sua vez, tenta reorganizar o departamento de futebol após quitar dívidas para derrubar o transfer ban e evitar novas saídas em um elenco já bastante esvaziado.
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