Ponte Preta: “Foi um time guerreiro, valente e que honrou as tradições”, analisa Tigrão
Por Valdemir Gomes
A Ponte Preta não venceu o Náutico. Também não conseguiu diminuir de maneira significativa o enorme problema que enfrenta na Série B. Mas, olhando exclusivamente para o que aconteceu dentro de campo no Moisés Lucarelli, a Macaca merece ser reconhecida.
Foi um time guerreiro. Um time valente. Um time que se superou diante de todas as limitações que tinha à disposição.
O Náutico chegou a Campinas com uma condição técnica melhor e, principalmente, com muito mais opções no banco de reservas. A Ponte, por outro lado, entrou em campo com um elenco extremamente limitado. E mesmo assim foi melhor no primeiro tempo e terminou os 45 minutos em vantagem.
O gol do Brandão foi muito bonito. David da Hora fez uma ótima enfiada entre os dois zagueiros do Náutico, e Brandão mostrou presença de espírito, força e técnica para finalizar com o lado de fora do pé e colocar a bola na rede.
A preocupação, naquele momento, era saber como a Ponte iria suportar fisicamente o segundo tempo.
E foi justamente aí que apareceu uma das maiores dificuldades da equipe.
Hélio dos Anjos começou a mexer no Náutico muito cedo. Colocou Patrício Nunes, um meia-atacante, no lugar de Léo Oliveira, que fazia uma função híbrida entre primeiro volante e terceiro zagueiro. Era uma mudança claramente ofensiva.
Em menos de 30 minutos do segundo tempo, o Náutico já tinha feito cinco substituições. A Ponte só conseguiu fazer a primeira aos 31 minutos.
Isso diz muito sobre a diferença de opções que os dois treinadores tinham.
A Ponte foi obrigada a administrar o desgaste físico e perdeu parte do ritmo ofensivo que apresentou no primeiro tempo. Mesmo assim, continuou competindo.
E aqui está o grande mérito da equipe.
A Ponte se matou em campo. Foi intensa, lutadora, organizada e extremamente aplicada na marcação. Jogou com improvisações que mostram o tamanho da dificuldade enfrentada por esse elenco.
Baianinho atuou como lateral-esquerdo no primeiro tempo e em parte do segundo. Depois, Juan, que é volante, foi utilizado como lateral-direito.
É aquele cenário em que o treinador tenta fazer o possível com aquilo que tem.
E a Ponte tentou.
Quando o Náutico ficou com um jogador a menos, depois dos 35 minutos do segundo tempo, a Macaca passou a pressionar ainda mais. No final, o adversário chegou a ficar com nove jogadores.
Mesmo assim, o Náutico percebeu que precisava sobreviver. Passou a valorizar a posse de bola, demorou nas reposições e tentou tirar o ritmo da partida porque sabia que poderia sofrer o segundo gol.
A Ponte terminou martelando.
Não conseguiu marcar.
Mas, pelo volume geral da partida e pelo que os dois times apresentaram, se fosse necessário apontar um vencedor, eu apontaria a Ponte Preta.
Não deu. Terminou 1 a 1.
Mas é preciso colocar o resultado dentro do contexto.
A Ponte foi a campo contra um Náutico que era favorito, tinha mais qualidade e muito mais opções para modificar a equipe durante a partida. A Macaca jogou com improvisações, com poucas alternativas e com limitações tanto na quantidade quanto na qualidade dos jogadores disponíveis.
Por isso, considero que o empate pode ser visto como um bom resultado exclusivamente pelo recorte desta partida.
É claro que ele não resolve a situação da Ponte. A equipe foi a nove para dez pontos na tabela e continua em uma situação extremamente complicada na Série B.
Mas futebol também é feito de circunstâncias.
E, naquela noite, a Ponte mostrou dedicação, entrega, força de vontade e capacidade de superação. O normal, diante de tudo o que estava colocado antes da bola rolar, seria perder.
A Ponte foi buscar pelo menos um ponto.
E, por isso, foi um time guerreiro, valente e que honrou as tradições da Ponte em uma partida de extrema superação.
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