Ponte Preta: Zanardi amplia críticas e diz que problemas vão muito além dos salários atrasados

Ponte Preta: Zanardi amplia críticas e diz que problemas vão muito além dos salários atrasados
Foto de Marcos Ribolli

O que você precisa saber

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  • Técnico afirmou que a Ponte Preta precisa dar condições para que comissão e jogadores possam trabalhar e competir;
  • Zanardi disse que os problemas do clube envolvem também estrutura do CT, campos, fisioterapia, alimentação e pessoal;
  • Treinador voltou a cobrar a diretoria pela resolução do transfer ban e regularização dos reforços;
  • Ponte utilizou novamente jogadores das categorias de base diante do Náutico;
  • Segundo Zanardi, 11 atletas formados no clube estavam à disposição para a partida;
  • Treinador afirmou que está sem receber, assim como outros profissionais, e disse que não pretende abandonar o clube;
  • Para o comandante, as dificuldades externas influenciam diretamente o desempenho físico e emocional dos jogadores.

O empate por 1 a 1 com o Náutico, na última sexta-feira, não encerrou a sequência de 16 jogos sem vitória da Ponte Preta na Série B. Depois da partida, porém, o técnico Márcio Zanardi ampliou o tom das cobranças à estrutura do clube e afirmou que as dificuldades enfrentadas pela Macaca vão muito além dos salários atrasados.

Durante a entrevista coletiva no Moisés Lucarelli, o treinador citou problemas no Centro de Treinamento, falta de equipamentos para a fisioterapia, questões relacionadas à alimentação e até dificuldades com profissionais que trabalham no dia a dia do clube.

Para Zanardi, esse cenário interfere diretamente no desempenho da equipe.

“Quando a gente fala só de salário, não é só o salário. As condições estão aí. Hoje, o nosso CT está precisando de estrutura, de campo, estrutura física, de pessoas”, afirmou.

O treinador também incluiu funcionários que não aparecem diretamente no campo entre os afetados pela crise.

“Se nós estamos sem salário e precisamos da condição, você imagina só o segurança, a tia da cozinha, o tio da limpeza. Então, assim, esses caras precisam demais. E nós estamos jogando por eles também.”

“Quando você não tem dinheiro para nada, falta tudo”

Zanardi explicou que a falta de recursos acaba atingindo diferentes setores da operação do futebol. Entre os exemplos citados estão alimentação, fisioterapia e equipamentos de recuperação.

“Quando você não tem dinheiro para nada, falta tudo”, disse.

Na sequência, o técnico mencionou especificamente a estrutura médica disponível para os atletas.

“Você tem aqui problemas na fisioterapia, porque hoje você tem problemas aqui. Não adianta a gente estar com gelo e com rezadeira. Você tem que ter, enquanto está todo mundo aí com todos os aparelhos de fisioterapia, todos os aparelhos de recovery.”

Segundo o treinador, as condições de trabalho são ainda mais importantes em uma competição como a Série B, que exige uma estrutura profissional dos clubes.

“A Série B é muito séria. Ela é muito profissional”, afirmou.

Base novamente vira alternativa

Diante das limitações do elenco, Zanardi precisou recorrer novamente às categorias de base contra o Náutico.

O banco de reservas teve sete jogadores formados no clube, com média de idade de 19 anos. Matheus Souza fez sua estreia no profissional, enquanto outros jovens também foram utilizados durante a partida.

Zanardi reconheceu que a situação pode ser difícil para os garotos, já que alguns deles sequer haviam treinado com a equipe principal antes de serem chamados para o jogo.

“Tanto o Matheus quanto o próprio Caio, o Gabriel que chegou, eles não fizeram nenhum treino comigo. Eles chegaram, a gente teve que ajustar ali no vídeo, o posicionamento, a ansiedade de estar ali”, explicou.

Para o treinador, a responsabilidade pelo desempenho dos jovens não pode ser colocada sobre eles.

“É um momento, chega até a ser um pouco injusto com eles aí, de jogar numa situação dessa. Mas a oportunidade, o futebol é feito de oportunidade.”

Zanardi também destacou o comportamento dos jogadores mais experientes, principalmente Elvis, na tentativa de tranquilizar os garotos.

“A cobrança não pode ser em cima deles”, afirmou. “Hoje eu dei os parabéns, abracei todos eles, falei para eles que eles têm que ter orgulho do que eles estão fazendo.”

Transfer ban volta a ser cobrado

Outro problema citado diretamente pelo treinador foi a impossibilidade de utilizar os jogadores contratados na última janela.

A Ponte ainda trabalha para derrubar as punições que impedem a inscrição dos reforços, enquanto parte dos atletas contratados segue treinando com o grupo.

Zanardi afirmou que mantém contato frequente com os dirigentes e que sabe que a diretoria procura recursos para solucionar a situação.

“Eu falo todos os dias com eles. Eles estão trabalhando atrás de recursos para poder organizar”, disse.

O técnico, porém, voltou a deixar claro que espera uma solução.

“Eles têm que resolver, eles têm que trazer a condição para poder pagar o transfer ban para a gente poder ter tranquilidade.”

Zanardi diz que também está sem receber

Em outro momento da entrevista, o treinador afirmou que também enfrenta os atrasos salariais.

Zanardi negou a informação de que estaria recebendo normalmente enquanto os demais funcionários e jogadores convivem com os problemas financeiros.

“Eu não tô aqui pelo dinheiro. Eu já ouvi muita coisa: ‘Pô, o Zanardi recebeu três, quatro salários’. Como é que eu vou receber três, quatro salários? Eu tô sem receber, da mesma forma, esperando que o clube vá pagar”, afirmou.

O técnico disse que continua no trabalho porque acredita no projeto e nos profissionais que estão ao seu lado.

“Eu falei para eles que eu não ia abandonar até que o clube mostrasse todas as condições para que a gente possa.”

“A Ponte precisa de estrutura”

Zanardi também voltou a defender publicamente uma solução estrutural para a crise financeira da Ponte.

Durante a coletiva, lembrou que já havia afirmado anteriormente que o clube precisa de recursos e de uma SAF para conseguir superar o momento atual.

“Eu falei lá no Donos da Bola, eu falei que o clube precisa de dinheiro e precisa virar SAF, porque senão vai fechar. Isso é uma realidade que está acontecendo”, afirmou.

O treinador evitou, porém, tratar a situação como uma questão pessoal ou estabelecer prazo para sua permanência.

Segundo Zanardi, o foco está em trabalhar com o elenco disponível e tentar manter a equipe competitiva mesmo diante das limitações.

“Eu sou um cara privilegiado de 45 anos, ter tido a oportunidade de poder ser o treinador de uma equipe desse tamanho”, disse.

Próximo desafio

A Ponte terá pouco tempo para se recuperar do desgaste físico e emocional. O próximo compromisso será na quarta-feira, contra o Vila Nova, fora de casa.

Zanardi afirmou que o planejamento será voltado principalmente à recuperação dos jogadores.

“Esses jogadores estão completamente exaustos. Amanhã quem vai trabalhar é quem jogou pouco, quem está treinando lá, é recuperar amanhã, é recuperar domingo, é recuperar segunda, fazer um vídeo na terça e ir para o jogo.”

A Ponte Preta chegou aos 10 pontos após o empate com o Náutico e permanece na lanterna da Série B. A equipe está há 16 partidas sem vencer na competição.

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