Guarani: “A arbitragem teve influência, mas o Guarani perdeu para ele mesmo”, analisa CH
Por Carlos Henrique
Há derrotas que acontecem porque o adversário foi melhor. A deste domingo não entra nessa categoria. O Guarani perdeu para ele mesmo.
Durante o primeiro tempo, o time mostrou exatamente o que se espera de um candidato ao acesso. Foi organizado, competitivo, soube explorar os espaços e construiu uma vantagem de dois gols com naturalidade. Tinha o jogo sob controle e transmitia a sensação de que voltaria de Belém com uma vitória importante.
Depois do intervalo, porém, tudo desapareceu.
É difícil encontrar uma explicação lógica para a mudança de comportamento. O Guarani simplesmente deixou de jogar. Parou de competir, recuou excessivamente, entregou a posse de bola ao Paysandu e passou a aceitar a pressão como se o resultado estivesse garantido. Em uma competição equilibrada como a Série C, isso costuma ser fatal. E foi.
É verdade que a arbitragem teve influência. O segundo gol do Paysandu nasceu em uma jogada que gerou muita reclamação por um possível impedimento. O clube, inclusive, manifestou sua insatisfação oficialmente. Mas seria um erro enorme usar isso como justificativa para a derrota. Quem abre 2 a 0 fora de casa precisa ter maturidade para administrar o jogo. O Guarani não teve.
Também não dá para ignorar a responsabilidade da comissão técnica.
As alterações feitas no segundo tempo não surtiram efeito, algumas escolhas causaram estranheza e o time perdeu completamente a organização. A entrada de Ralf, depois de tanto tempo sem atuar, levantou questionamentos. Outras mudanças também não conseguiram responder à pressão que o Paysandu exercia. Quando o adversário crescia na partida, o Guarani parecia cada vez mais perdido.
Caíque França ainda evitou um prejuízo maior. Defendeu pênalti, fez grandes intervenções e segurou o resultado enquanto foi possível. Sem ele, a derrota poderia ter sido ainda mais pesada.
O mais preocupante não é apenas o resultado. É a forma como ele aconteceu.
O Guarani chega ao quarto jogo sem vencer e vê crescer um ambiente de desconfiança justamente na reta decisiva da primeira fase. O elenco continua tendo qualidade para brigar pelo acesso, mas precisa recuperar rapidamente a confiança e, principalmente, a capacidade de competir durante os 90 minutos.
O primeiro tempo mostrou um time preparado para disputar a liderança da Série C. O segundo mostrou uma equipe irreconhecível.
Quando isso acontece dentro da mesma partida, o alerta precisa ser ligado. Porque o Guarani não foi derrotado apenas pelo Paysandu. Foi derrotado pelas próprias escolhas, pelos próprios erros e pela incapacidade de sustentar uma vantagem que parecia suficiente para voltar de Belém com os três pontos.
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