Ponte Preta: “Não dá para jogar a derrota exclusivamente na conta do árbitro”, analisa Valdemir Gomes
Por Valdemir Gomes
O jogo da Ponte Preta pode ser contado em duas etapas absolutamente distintas. A primeira vai até o momento em que a equipe tomou o gol de empate, aos 30 minutos do primeiro tempo. Até ali, a Ponte jogava bem, ganhava a partida com justiça após o gol de cabeça do Danilo Barcelos e chegou até a criar situações interessantes para fazer o segundo gol, mas não fez.
Aí tomou o empate em uma saída de bola e passe errados. O Sport teve muitos méritos, sendo vertical e fazendo a bola chegar rapidamente ao Felipinho. A partir desse lance, a Ponte claramente sentiu emocionalmente, acabou se desajustando e se desorganizando. No finalzinho da primeira etapa, em uma bola cruzada na área, o Danilo Barcelos realmente bateu com o braço na bola. O pênalti ficou caracterizado, o Barletta bateu muito bem e foi uma verdadeira ducha de água fria. O time que estava ganhando foi para o vestiário perdendo de virada.
Já alertávamos no intervalo que a tendência natural da partida seria o Sport baixar as linhas, esperar o adversário, congestionar a entrada da grande área e jogar no contra-ataque de forma reativa. Foi exatamente isso que aconteceu aos 14 minutos. Em uma jogada rápida, a defesa da Ponte estava esburacada e mal posicionada. Everton, que era para estar na zaga, saiu para cobrir a lateral; Danilo Barcelos, voltando de cirurgia e sem ritmo, ficou centralizado no um contra um. O cruzamento do Barletta teve enorme qualidade, e o Perotti, que é artilheiro e matador, deu uma chapa no contrapé do Diogo Silva para matar a partida. Um belo gol.
O jogo só teve um fato novo quando Marcelo Ajul, do Sport, foi expulso após uma falta dura no Rodriguinho. Com um a menos, os pernambucanos não quiseram mais jogar. Não dá para contestar a vitória do Sport, mas dá, sim, para contestar a conivência da arbitragem do senhor Paulo Henrique Schleich Vollkopf. Ele permitiu que o adversário praticasse o antijogo, cozinhando, parando e picotando a partida o tempo todo. A bola simplesmente não rolou mais.
Mesmo assim, aos 36 minutos do segundo tempo, a Ponte chegou ao seu gol com o Márcio Silva. Para mim, foi um gol legal. A alegação foi que a bola estava sob domínio do goleiro, mas a bola estava no chão e ele apenas com a mão sobre ela, sem firmeza. O Rodriguinho deu um biquinho, o rebote se ofereceu e o Márcio empurrou para dentro. Não sei se a Ponte chegaria ao empate, mas colocaria uma pressão gigantesca nos minutos finais. Para mim, foi um erro grave de arbitragem.
Ainda assim, não dá para jogar a derrota da Ponte exclusivamente na conta do apito. Temos que colocar essa derrota na conta da própria Macaca, que falhou muito defensivamente em momentos cruciais. A equipe lutou, fez uma partida razoável em alguns momentos, mas se perdeu na própria instabilidade. O Sport, com mais recursos, organização, orçamento e uma enorme qualidade e objetividade, aproveitou os espaços. Antes da partida, sabíamos que a Ponte era a zebra. Surpreendeu até os 30 minutos, mas não sustentou e perdeu para um adversário que lidera momentaneamente e é inegavelmente superior.
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