Ponte Preta: “Mais uma página de vergonha na história”, analisa Carlos Henrique

Ponte Preta: “Mais uma página de vergonha na história”, analisa Carlos Henrique
Foto de Rafael Martins/Londrina

Por Carlos Henrique

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Vira três, acaba seis. A Ponte Preta tem mais uma página de vergonha na sua história. A torcida não suporta mais, e o placar acabou resumindo o que aconteceu dentro de campo.

A Ponte teve lampejos em dois ou três lances, mas o Kozlinski, goleiro do Londrina, praticamente não precisou trabalhar. Naquela bomba que o Brandão acertou na trave, ele nem foi na bola. No restante, o Londrina fez o que quis.

E aí vem a questão do meio-campo. André Lima, Murilo, Barcelos… não estou falando aqui de dignidade ou de esforço. Estou falando de condição para compor um meio-campo. Eu conheço o Gilson Kleina e imagino que esses jogadores que chegaram ainda não estejam prontos fisicamente. Aliás, estão bem longe da condição física ideal.

Se eles não têm condição física, fica a pergunta: valeu a pena pagar o transfer ban e fazer toda a equação que a Ponte fez para trazer esses jogadores? Para isso, talvez fosse melhor deixar a molecada jogar. Pelo menos seria possível observar quem poderia ser aproveitado e quem não teria condições.

Agora, não dá mais para suportar algumas situações. Lucas Nazaga, Palacios, Júlio, Murilo e André Lima. Não acho que eles sejam os únicos culpados, mas o time não marca ninguém. Ninguém.

E aí fica esse jogo arrastado, essa situação deprimente. Comentar um jogo da Ponte Preta hoje é deprimente. Eu tenho vergonha, sinceramente, e tenho pena da torcida, que não merece isso. Não merece.

Essa situação já vem se arrastando há muito tempo. O Londrina ganhou com justiça, com precisão e jogou para golear a Ponte. Aos 40 minutos do segundo tempo, eu vi jogador do Londrina dando pique, querendo mais, querendo mais.

E tem um detalhe. O Londrina está com a Ponte na garganta desde o título do ano passado. São poucos remanescentes daquela equipe, é verdade, mas existe a questão moral da situação.

Não quero fazer acusação, mas percebi um time que, depois do segundo gol, parou. Do quarto, quinto e sexto gols, os jogadores assistiram aos jogadores do Londrina.

Uma coisa é ter problema técnico. O jogador não fazer uma cobertura, cometer uma falha individual. Outra coisa é a recomposição. É voltar todo mundo, ter o dever de marcar, correr mais sem a bola. Eu não vi isso no jogo de hoje. Pelo contrário. Vi jogador trotando.

Antes do quinto gol, quando o Roger me acionou na transmissão da rádio Bandeirantes, eu falei: tem jogador trotando no campo enquanto a Ponte está tomando uma goleada. Eu não consigo entender.

Eu teria a dignidade de reunir meus companheiros e exigir deles que, pelo menos, corressem. O time tinha que correr. E não foi o que aconteceu.

Foi 6 a 0. Mais uma vergonha que a Ponte Preta passa. Mais uma página tenebrosa na vida esportiva de um clube com mais de 120 anos.

Espero estar errado. Espero que esses jogadores novos deem um alento, tragam qualidade e melhorem tecnicamente o time. Mas, se continuar jogando com esses zagueiros e esses meio-campistas, aí não tem Telê Santana que dê jeito.

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