Guarani: Fernando Miguel relembra decisão de se aposentar e inicia nova carreira no Juventude
Ex-goleiro não conseguiu atuar pelo Bugre por causa de uma lesão no joelho, encerrou a carreira aos 40 anos e agora trabalha na coordenação das categorias de base do clube gaúcho.
O que você precisa saber
- Fernando Miguel acertou com o Guarani no início de 2026, mas não chegou a atuar pelo clube.
- O goleiro sofreu com problemas no joelho durante a preparação e decidiu encerrar a carreira para não permanecer no departamento médico.
- Aos 40 anos, ele tinha a expectativa de disputar duas temporadas pelo Bugre e buscar o acesso.
- Atualmente, Fernando Miguel é coordenador técnico das categorias de base do Juventude.
- O ex-jogador também possui certificação de executivo da CBF e está concluindo o curso de treinadores da AFA, na Argentina.
- Ele admite que sente falta de jogar e conta que ainda se imagina fazendo defesas e comemorando resultados durante o sono.
Fernando Miguel deixou o futebol profissional antes do que havia planejado. Aos 40 anos, o goleiro chegou a acertar com o Guarani no início da temporada, mas uma lesão no joelho durante a preparação fez com que ele encerrasse a carreira antes mesmo de ser apresentado oficialmente pelo clube.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes de Campinas, Fernando Miguel explicou que a decisão foi tomada depois de perceber que não conseguiria alcançar a condição física necessária para defender o Bugre. Segundo ele, os problemas no joelho já vinham sendo tratados antes da chegada a Campinas e voltaram a incomodá-lo nos primeiros treinamentos.
“Minha tomada de decisão junto do Guarani talvez seja marcada por aquilo que eu acredito que sempre foi a minha personalidade, que foi de ser sincero, de ser honesto antes de mais nada”, afirmou.
O ex-goleiro contou que não se sentiu confortável em permanecer durante dois anos recebendo por um contrato que considerava vantajoso enquanto não tinha condições de entregar o desempenho esperado.
“Não me sentiria confortável em ficar durante dois anos sentado em cima de um contrato muito vantajoso que o Guarani me ofereceu”, disse.
A ideia inicial era diferente. Fernando Miguel projetava disputar pelo menos mais duas temporadas e construir uma história com a camisa bugrina.
“Eu projetava seguir jogando. Essa era a minha ideia, era a ideia da minha família”, contou.
Ele esperava fazer duas boas temporadas pelo Guarani, buscar o acesso e criar uma relação próxima com a torcida. A lesão, porém, mudou os planos.
“Minha expectativa era conseguir performance no Guarani. Aí que eu percebi que eu não teria isso, eu não refutei, não pensei duas vezes em mostrar a minha real condição para o clube”, explicou.
Nova carreira no Juventude
Depois de encerrar a carreira, Fernando Miguel começou a preparar a transição para trabalhar fora das quatro linhas. Atualmente, ele é coordenador técnico das categorias de base do Juventude.
O ex-goleiro revelou que passou alguns meses estudando e conversando com profissionais do futebol para entender qual caminho seguir. Ele já possui certificação de executivo da CBF e está concluindo o curso de treinadores da AFA, na Argentina.
“Eu estou preparado para entrar e para ir surfando a onda, participando dos processos de desenvolvimento, primeiramente dos meninos e das categorias de base”, afirmou.
A intenção é utilizar a experiência acumulada durante a carreira para contribuir na formação dos jovens jogadores. No futuro, ele também não descarta trabalhar à beira do campo.
“Talvez depois, no futuro, migrando para a beira do campo, como treinador ou auxiliar técnico”, revelou.
Saudade dos gramados
A aposentadoria não eliminou a ligação de Fernando Miguel com o futebol. O ex-goleiro admite que ainda sente falta da rotina de atleta e que, algumas vezes, revive em sonhos situações que marcaram sua carreira.
“Não tem nada igual como estar dentro de campo. Não tem nada igual à adrenalina de fazer uma defesa ou conquistar momentos finais de pressão de jogo”, afirmou.
Ele contou que já se imaginou dormindo enquanto fazia uma defesa, pegava um pênalti ou comemorava uma vitória ao lado dos companheiros.
A adaptação à nova rotina também passa pela família. Fernando Miguel destacou a importância da esposa e das duas filhas durante a transição e afirmou que conseguiu encerrar o ciclo como jogador com tranquilidade.
Agora, no Juventude, o desafio é transformar a experiência de mais de uma década como profissional em conhecimento para uma nova geração.
“Consegui sarar bem essa ferida, consegui botar ela no lugar dela, olhar para o futuro e utilizar tudo o que eu vivi para levar para esses meninos”, disse.
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