Guarani: “É uma posição vergonhosa e vexatória diante do investimento realizado”, analisa Tigrão
Por Valdemir Gomes
Eu classifico como vergonhoso o segundo tempo do Guarani. Foi um desrespeito com o torcedor que foi ao Brinco de Ouro, acreditou até o fim e fez a sua parte. O torcedor está de parabéns. Foram praticamente 10 mil pessoas apoiando o time durante toda a partida.
Eu mesmo havia dito antes do jogo que o Guarani deveria vencer com tranquilidade e fazer uma diferença mínima de três gols. E, pelo que aconteceu no primeiro tempo, essa projeção não era absurda. O Brusque veio para tocar a bola, retardar as reposições e chamou o Guarani para cima. O Bugre foi muito melhor e criou oportunidades suficientes para construir uma vantagem ainda maior.
Fez 1 a 0 aos 35 minutos, mas poderia ter marcado antes e depois do gol. Teve a oportunidade do Isaque, que o goleiro tirou com o pé, e depois a bola ainda bateu na canela do Maranhão, dentro da pequena área. Faltou eficiência para matar o jogo quando o adversário estava completamente à disposição.
No intervalo, eu fiz uma ressalva: a tendência era o Guarani ampliar, desde que mantivesse atenção e concentração. O problema é que a história se repetiu.
Mais uma vez tivemos o blackout. A queda de disjuntor que já apareceu contra Paysandu, Ypiranga e tantos outros adversários. O Guarani abre vantagem, tem o jogo nas mãos e, de repente, deixa tudo escapar.
E não foi uma novidade. Foi mais uma vez.
O Brusque empatou aos 11 minutos e virou aos 14. Em apenas três minutos, o Guarani entregou uma partida que tinha completamente sob controle.
O lado direito da defesa voltou a apresentar problemas. O Dudu estava sem ritmo, depois de passar praticamente um ano sem jogar, e já não tinha mais condição física no início do segundo tempo. A recomposição por aquele setor, que também dependia do Everton Brito, deixou de funcionar.
Maurício Antônio também teve uma atuação desastrosa. No segundo gol, o Guarani novamente sofreu com uma sequência de erros que não pode acontecer em uma partida desse tamanho.
E não quero colocar essa responsabilidade sobre o Umberto Louzer. Ele está chegando agora, fez sua estreia e é o menos culpado pelo que aconteceu. O problema é muito maior e vem se repetindo durante a temporada.
Contra o Ypiranga, por exemplo, o Guarani vencia por 2 a 0 no primeiro tempo e cedeu o empate. Quantas vezes nós vimos o Guarani sair na frente e não conseguir controlar o jogo? Eu estou citando cinco partidas, mas existem muito mais.
Depois da virada, o Guarani ainda buscou o empate com Matheus Guilherme. O menino entrou, fez uma boa tabela com João Paulo e mostrou qualidade para colocar o time novamente no jogo. A torcida voltou a acreditar, principalmente porque os outros resultados ainda poderiam ajudar.
Mas o Guarani precisava de mais um gol. E não criou.
Para mim, o segundo tempo foi isso: fora o gol do Matheus Guilherme, o Guarani não criou nada. A bola queimou nos pés, os passes começaram a sair errados e a equipe perdeu completamente o controle emocional e técnico da partida.
O Guarani não perdeu a classificação apenas contra o Brusque. Perdeu nos últimos nove jogos, em que conseguiu somente uma vitória. Foram muitos pontos desperdiçados, muitas partidas em que o time esteve à frente e não soube administrar.
E é impossível não falar também do planejamento.
Estamos falando de um clube que tinha o maior orçamento da Série C e termina a competição na décima colocação entre 20 participantes. É uma posição vergonhosa e vexatória diante do investimento realizado.
O Guarani deu de bandeja várias partidas ao longo da competição. Hoje, mais uma vez, entregou o ouro para o bandido na frente da delegacia.
O torcedor fez a parte dele. Compareceu, apoiou e acreditou até o último minuto. O que fica é uma grande decepção e a necessidade de uma reflexão profunda sobre tudo o que foi feito nesta temporada.
O placar moral do primeiro tempo era de 3 a 0 para o Guarani. O placar dos 90 minutos foi 2 a 2. E o resultado final é a eliminação, lamentavelmente, de um time que tinha condições de estar entre os oito classificados da Série C.
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