Guarani: Frontini assume erros após eliminação e diz que 70% do elenco “não tem condição de ficar”

Guarani: Frontini assume erros após eliminação e diz que 70% do elenco “não tem condição de ficar”
Foto de Raphael Silvestre/Guarani FC

Executivo de futebol pede desculpas ao torcedor após empate com o Brusque, admite falhas no planejamento e afirma que clube precisa mudar o perfil do elenco para 2027

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O que você precisa saber

  • Carlos Frontini concedeu entrevista coletiva após o empate por 2 a 2 com o Brusque e a eliminação do Guarani na Série C
  • Executivo reconheceu que os salários atrasados atrapalharam, mas classificou a campanha como resultado de “incompetência nossa”
  • Frontini pediu desculpas ao torcedor e afirmou que o clube precisa assumir a responsabilidade pelos erros
  • Executivo elogiou a chegada de Umberto Louzer e disse que gostaria de contar com o treinador em 2027, caso permaneça no clube
  • Frontini admitiu erros no planejamento e afirmou que teria retirado quatro ou cinco jogadores do elenco
  • Segundo o executivo, cerca de 70% do atual grupo não tem condições de permanecer no Guarani
  • Frontini também afirmou que o clube precisa trabalhar com um novo perfil de contratação e dar mais espaço a jogadores com vontade de crescer
  • O executivo disse que ainda vai avaliar a própria continuidade no departamento de futebol

O Guarani encerrou a temporada sem conseguir a classificação ao quadrangular final da Série C, e Carlos Frontini assumiu a responsabilidade pelos erros cometidos ao longo da campanha. Após o empate por 2 a 2 com o Brusque, neste sábado, no Brinco de Ouro, o executivo de futebol pediu desculpas ao torcedor e afirmou que o clube precisa passar por uma reformulação para 2027.

Entre as declarações mais fortes, Frontini afirmou que cerca de 70% do elenco atual não tem condições de permanecer no Guarani.

“Eu não quero ser um peso para o clube. Eu quero ficar no clube, eu me sinto bem na cidade e gosto das pessoas. Eu fui muito bem recebido, mas não quero ser um peso aqui. Eu quero muito ficar, mas preciso ter humildade que não consegui a classificação com o maior clube da divisão”, afirmou.

Frontini reconheceu que faz parte do processo que terminou com a eliminação e disse que pretende apresentar sua avaliação aos responsáveis pela condução do clube.

“Eu faço parte desse processo e precisamos refletir. Eu vou falar em percentual: 70% do grupo não tem condição de ficar. Eu sei que é uma reflexão forte, mas como fica o Guarani? E se eu ficar, é isso que eu vou falar para as pessoas que vão comandar o clube”, disse.

O executivo ressaltou que existem questões contratuais que precisam ser consideradas, mas manteve a avaliação sobre o desempenho do grupo.

“Eu tenho um limite na hierarquia e sei que tem as questões contratuais, mas a verdade é que 70% do elenco não pode ficar. Se a gente não consegue, dentro de uma competição de 20 clubes e que classificam oito, conseguir uma vaga, isso mostra o quanto erramos. Quase 50% do campeonato avança e não conseguimos. Muitos meninos e jogadores que queriam se dedicar no clube não tiveram oportunidade”, completou.

Salários atrasados

Frontini reconheceu que os problemas financeiros tiveram impacto na campanha do Guarani, mas evitou colocar exclusivamente nos atrasos salariais a responsabilidade pela eliminação.

“Os salários atrasados atrapalharam sim, mas desde que cheguei em março nos reunimos umas 15 vezes para falar de salário. O salário atrapalhou? Sim, mas eu acho que foi incompetência nossa mesma. É assumir a culpa porque deixamos esse grande clube em uma situação delicada”, afirmou.

O executivo também apontou para a dificuldade do time em administrar partidas nas quais esteve em vantagem durante a competição.

“É o momento de aceitar as críticas, pedir desculpa ao torcedor e agradecer o apoio durante todo o campeonato. Eles vieram aqui nestes meses, nos apoiaram e quem perde agora é o clube. O dinheiro sempre ficou na frente da classificação. Essa que é a verdade”, disse.

“Quantas viradas tomamos? Quantas vezes tínhamos o jogo na mão. O Santa Cruz ficou na frente com os salários atrasados. Então é pedir desculpas ao torcedor”, completou.

Erros no planejamento

Frontini também admitiu que houve erros na montagem do elenco e afirmou que teria tomado outras decisões durante a temporada.

“Eu vou ser bem sincero. Eu errei de não ter tirado uns quatro ou cinco. Mas eu não tomo as decisões. Inclusive muitos que tomam as decisões nem ficam na cidade. Eu não vou citar individualmente porque agora é fácil falar, mas é um erro que eu tive”, afirmou.

Segundo ele, questões contratuais e financeiras também influenciaram o planejamento.

“Tem questões contratuais, financeiras e erramos no planejamento. Agora estamos fora do campeonato e o Guarani foi prejudicado. Mas eu concordo que sempre tinha outro aspecto mais importante que a classificação esse tempo todo. É o momento de ter personalidade e assumir os erros”, disse.

Para Frontini, o clube precisa mudar o perfil dos jogadores contratados para a próxima temporada.

“O Guarani vai seguir, é um grande clube e precisa de um novo modelo. Precisa de jogadores com fome, jogadores da base e que tenham vontade. Eu me coloco em um modo de avaliação porque contratei muitos jogadores e vou avaliar meus acertos e erros antes de definir se vamos seguir no ano que vem”, explicou.

Elogios a Louzer

Frontini também fez questão de agradecer a Umberto Louzer. O treinador assumiu o Guarani durante a última semana da primeira fase, depois da saída de Elio Sizenando, e não conseguiu conduzir a equipe à classificação.

“Queria fazer um agradecimento especial ao Umberto Louzer. Ele é um técnico renomado, que estava na prateleira da Série A e que tem uma história com o clube. Ele foi muito corajoso porque colocou a carreira em risco, mas priorizou o amor que ele tem pelo clube”, afirmou.

“Qualquer outro poderia ter vindo, mas ele tem uma história no clube e priorizou o Guarani neste momento. Queria agradecê-lo”, completou.

Questionado sobre a possibilidade de permanecer no departamento de futebol, Frontini afirmou que ainda é cedo para definir os próximos passos, mas indicou que gostaria de trabalhar novamente com Louzer.

“É muito cedo para falar sobre isso. Estamos tentando entender tudo que aconteceu. Se eu estiver aqui, eu quero contar com o Umberto sim. Eu gosto de pessoas corajosas e com esse perfil”, disse.

O executivo, porém, lembrou que o Guarani atravessa um processo de transformação do clube e que o futuro ainda depende de outras definições.

“Mas o Guarani está passando por um processo de compra (SAF) e tem muitas coisas para acontecer. O que eu posso afirmar é que o perfil precisa mudar, principalmente de atletas que queiram um lugar ao sol. Isso não é uma questão de idade ou de onde jogou, mas o perfil tem que ser esse”, afirmou.

“Não podemos gastar um dinheiro que a gente não tem”

Frontini também defendeu uma revisão do orçamento para a próxima temporada e afirmou que não pretende repetir contratações fora da realidade financeira do clube.

“O primeiro ponto é pedir desculpa ao torcedor. Não tem outra coisa neste momento para fazer. É preciso refletir em relação ao orçamento também. Não podemos gastar um dinheiro que a gente não tem”, afirmou.

“E eu afirmo que eu não contratei um atleta de três dígitos. E não vou contratar. Eu não vou fazer isso com o Guarani. Eu sei o quanto é difícil porque depois você precisa enfrentar o atleta quando não recebe”, completou.

O executivo também destacou que a diretoria tentou encontrar recursos durante a temporada e afirmou que os jogadores tinham conhecimento das dificuldades financeiras.

“Eu sempre fui claro com os jogadores sobre a questão financeira, a gente não tinha previsão de pagamento, mas sempre vi as pessoas correndo atrás de dinheiro. Não é algo simples no futebol. Quero enfatizar o quanto eu vi a diretoria correndo atrás de recursos”, disse.

Para Frontini, agora é necessário reorganizar o clube antes de pensar na próxima temporada.

“Então é repensar, se reerguer novamente e enfrentar esse calendário difícil de 2027. A gente tem responsabilidade nisso. Não é o momento de terceirizar porque temos responsabilidade. Agora é o momento de retomar.”

Falta de controle dos jogos

Apesar de reconhecer o impacto dos problemas financeiros, Frontini afirmou que a principal explicação para a eliminação está na dificuldade da equipe em controlar partidas.

“Eu não acredito que a situação financeira atrapalhou tudo dentro de campo. Faltou competência nossa. Faltou a gente assumir a responsabilidade. E quando eu falo a gente, eu falo de todo mundo. Pode me colocar como principal responsável”, afirmou.

O executivo citou novamente os momentos em que o Guarani saiu na frente e não conseguiu sustentar o resultado.

“Mas se a gente sai na frente e não controla o jogo, como que o lado emocional atrapalha? O emocional quando sai na frente tem que ficar bom. Então é refletir”, disse.

Para Frontini, a eliminação não foi definida apenas no empate deste sábado.

“A gente não perdeu a classificação aqui, a gente perdeu nos últimos nove jogos e apenas uma vitória”, concluiu.

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