Ponte Preta: Gilson Kleina é apresentado, cita “maior desafio da carreira” e promete reconstrução
Treinador retorna ao Majestoso para a sexta passagem e assume equipe em meio à crise financeira, paralisação do elenco e luta contra o rebaixamento na Série B
O que você precisa saber
- Gilson Kleina foi apresentado oficialmente nesta sexta-feira como novo treinador da Ponte Preta
- Será a sexta passagem do técnico pelo clube
- Kleina chega para substituir Márcio Zanardi, que deixou o cargo na última quarta-feira
- O treinador encontrou um cenário diferente das passagens anteriores, com crise financeira e paralisação dos jogadores por salários atrasados
- Ele já comandou um treinamento com atletas das categorias de base
- A previsão é que Kleina esteja no banco contra o América-MG, domingo, em Belo Horizonte
- O treinador afirmou que aceitou o convite por sua relação com a Ponte e classificou o momento como um grande desafio
- A Macaca é a lanterna da Série B, com dez pontos, e não vence há 18 rodadas
Gilson Kleina foi apresentado oficialmente nesta sexta-feira como novo treinador da Ponte Preta. Aos 58 anos, o técnico retorna ao Majestoso para a sexta passagem pelo clube justamente no momento mais delicado de sua trajetória com a camisa alvinegra.
Kleina chegou a Campinas na noite de quinta-feira e, antes mesmo da apresentação, já teve contato com a realidade atual da Ponte. Na manhã desta sexta, comandou uma atividade com os jogadores das categorias de base, enquanto o elenco principal segue em paralisação por causa dos salários atrasados.
O treinador reconheceu a dimensão do desafio e afirmou que encontrou uma Ponte Preta diferente daquela que conheceu nas passagens anteriores.
“Eu fico muito feliz de novamente ser lembrado por essa instituição na qual a gente tem uma história. É uma história mais vencedora do que uma situação adversa. Claro que chegando aqui e vendo um cenário bem diferente. Eu cheguei ontem à noite, tentei me colocar a par de muitas situações e hoje já pudemos fazer um treino com a garotada”, afirmou Kleina.
O novo comandante destacou que a prioridade neste momento é encontrar maneiras de tornar a equipe competitiva, mesmo diante das limitações impostas pela crise financeira.
“Uma das situações é a gente poder ter uma equipe competitiva, uma equipe encorpada. Tudo o que essa diretoria nos colocou sempre foi de uma melhoria, de grandes contratações. As coisas não aconteceram. Vocês sabem bem o que é uma saúde financeira”, disse.
Mesmo sem apresentar uma solução imediata para os problemas, Kleina prometeu trabalho para tentar mudar o cenário.
“Uma coisa eu vou dizer para vocês: a gente vai dar a volta por cima. A gente vai colocar a Ponte Preta no lugar onde ela merece. Vai ser de muito trabalho. Não estamos dizendo que nós temos a receita, que a gente tem a varinha de condão, que a gente vai resolver da noite para o dia. Mas que a gente vai solucionar e, com a união de todos os pontepretanos, fazer a Ponte Preta sorrir novamente”, completou.
Relação com a Ponte
A decisão de retornar ao clube também passa pela história construída por Kleina no Majestoso. O treinador explicou que sua relação com a Ponte Preta tem influência direta na decisão de aceitar o trabalho mesmo diante do momento complicado.
“A minha identidade com a Ponte Preta não começa agora. Ela começa lá atrás, onde todas as coisas começaram a acontecer também para a minha carreira. A projeção que eu tenho a nível nacional passa muito por esse escudo, pela Ponte Preta”, afirmou.
Kleina também destacou que não poderia recusar o convite justamente em um momento de dificuldade.
“Eu sei que, num momento mais delicado, eu não poderia me furtar de não vir ajudar a Ponte Preta. Estou trazendo a minha experiência, o meu conhecimento dentro da Ponte Preta. A gente tem que agregar valores aqui. Não vai ser só valores de treinador”, explicou.
O técnico terá pela frente 14 rodadas da Série B e uma equipe que está na lanterna da competição, com apenas dez pontos. A Ponte não vence há 18 partidas e atravessa uma crise que também envolve salários atrasados, problemas financeiros e dificuldades para montar o elenco.
Sexta passagem pelo Majestoso
Kleina já comandou a Ponte Preta em cinco períodos anteriores: 2011/2012, 2017, 2018, 2019/2020 e 2021/2022. Ao todo, são 232 partidas à frente da equipe, o que o coloca como o quarto treinador que mais dirigiu o clube na história.
Entre os principais momentos estão o acesso à elite nacional em 2011, o vice-campeonato paulista de 2017 e a campanha de recuperação na Série B de 2021, quando a Ponte conseguiu escapar do rebaixamento.
A última passagem terminou no Paulistão de 2022, após a derrota por 3 a 0 para o Guarani no dérbi. A Ponte acabou rebaixada para a Série A2 naquela temporada.
Agora, Kleina retorna ao clube para tentar comandar uma reação na Série B. A estreia está prevista para domingo, contra o América-MG, em Belo Horizonte.
A preparação para o jogo, porém, ainda depende da definição sobre quais jogadores estarão à disposição. O elenco principal continua paralisado, enquanto a comissão técnica trabalha com os atletas da base e a diretoria tenta encontrar uma solução para os atrasos salariais.
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