Ponte Preta: Eberlin explica saída de Zanardi, paralisação dos jogadores e diz que time estará em campo contra o América-MG
Vice-presidente afirma que treinador deixou o cargo após conversa sobre o futuro e garante que Macaca vai entrar em campo contra o América-MG
O que você precisa saber
- Marco Antônio Eberlin explicou a saída de Márcio Zanardi do comando da Ponte Preta
- Segundo o dirigente, o treinador foi colocado diante da possibilidade de decidir o próprio futuro após o agravamento da crise no clube
- Eberlin afirmou que a diretoria não trabalha com a possibilidade de W.O. contra o América-MG
- Os jogadores paralisaram os treinamentos nesta quarta-feira em razão dos salários atrasados
- O dirigente reconheceu a dificuldade financeira e afirmou que mantém contato diário com os atletas
- Eberlin voltou a defender a SAF como alternativa para a reestruturação financeira da Ponte Preta
- Um novo treinador deverá assumir os trabalhos nesta quinta-feira. A expectativa é que Gilson Kleina seja oficializado
Marco Antônio Eberlin, vice-presidente e diretor de futebol da Ponte Preta, falou nesta quarta-feira sobre a saída de Márcio Zanardi, a paralisação dos jogadores e o momento financeiro vivido pelo clube. Em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes Campinas, o dirigente afirmou que a decisão do treinador aconteceu após uma conversa sobre as condições de trabalho e os impactos da crise em sua carreira.
Segundo Eberlin, Zanardi foi colocado diante da possibilidade de continuar ou deixar o clube.
“Eu falei pra ele que chegou a hora dele pensar nele. Eu deixei na mão dele. Falei: olha, isso aqui está prejudicando a sua carreira. Você fica à vontade, eu não quero que você vá embora, agora pense em você também”, explicou.
O treinador optou pela saída pouco depois da diretoria comunicar que não conseguiria solucionar o transfer ban e, consequentemente, não teria condições de regularizar os reforços contratados para a sequência da Série B.
Eberlin afirmou que a relação construída durante o período permanece apesar da saída.
“Se você entender que é a hora de sair, eu vou entender também, e nós terminamos o nosso relacionamento aqui como técnico da Ponte, mas construímos uma amizade muito grande”, afirmou.
Zanardi comandou a Ponte Preta em 12 partidas, com dez derrotas e dois empates. A equipe não venceu durante o período.
Paralisação dos jogadores
A saída do treinador aconteceu no mesmo dia em que os jogadores decidiram paralisar os treinamentos por causa dos salários atrasados.
O elenco se reapresentou pela manhã no CT do Jardim Eulina, conversou com a comissão técnica e com o coordenador João Brigatti e decidiu interromper as atividades até receber uma sinalização sobre os pagamentos.
Eberlin afirmou que a decisão dos atletas foi tratada com cautela pela diretoria e explicou que alguns jogadores aderiram ao movimento por solidariedade aos companheiros.
“Eu falo com os meus jogadores todos os dias, até porque eles querem cobrar e tem que cobrar o staff maior”, afirmou.
“Alguns jogadores não treinaram hoje por serem solidários a outros jogadores. Jogadores que estão com o salário em dia ali são vários. Eles não podem deixar de treinar. Mas eu também não vou arrumar um confronto com o meu elenco, não sou juvenil, pô, vocês vão treinar na marra, de jeito nenhum”, completou.
De acordo com o dirigente, cinco jogadores estão entre os casos com maior período de atraso.
“Isso foi uma situação de solidariedade, principalmente com cinco jogadores que têm um atraso maior no clube, da ordem de seis meses”, explicou.
A Ponte enfrenta uma grave crise financeira, que também tem reflexos na montagem do elenco. O clube convive com transfer bans, não conseguiu registrar os reforços contratados para a sequência da Série B e tem utilizado jogadores das categorias de base.
Ponte não cogita W.O.
Apesar da paralisação, Eberlin garantiu que a Ponte Preta vai entrar em campo contra o América-MG no domingo.
“Não trabalhamos com o W.O. no domingo. Um novo treinador já estará no clube na quinta-feira e estamos buscando as soluções para colocar um time à disposição contra o América-MG”, afirmou.
O dirigente acrescentou que a prioridade neste momento é reunir esforços para tentar solucionar os problemas mais urgentes.
“É o momento de reunir todos os esforços para solucionar o máximo possível dos problemas”, completou.
Eberlin não revelou o nome do profissional que assumirá a equipe na entrevista. A informação de que o novo treinador seria Gilson Kleina foi apurada posteriormente pelo Portal CB.
SAF como alternativa
Durante a entrevista, Eberlin também voltou a defender a transformação do futebol da Ponte Preta em SAF. O dirigente reconheceu que já foi contrário ao modelo, mas afirmou que a situação financeira atual mudou sua avaliação.
“Existe uma hecatombe financeira e a única solução de resolver essa hecatombe é transformando a Ponte Preta numa sociedade comercial, numa sociedade anônima. Eu sempre fui contra e ainda sou contra, porque eu queria esse escudo sendo da torcida, sendo do seio do pontepretano. Mas hoje a única maneira de dar uma condição da Ponte Preta se reestruturar é com dinheiro externo”, declarou.
Segundo Eberlin, a eventual transformação não significaria necessariamente o afastamento imediato da associação da administração do clube. Ele explicou que a estrutura associativa teria papel de fiscalização sobre o cumprimento das obrigações previstas no contrato.
“A diretoria da Ponte vai trabalhar de supervisora da SAF. De todas as exigências que o Conselho falava, pode aprovar esse contrato. Aí a diretoria que estiver naquele mandato, através de um bom escritório de advocacia, entendedor desse assunto, vai cobrar as obrigações e deveres de quem tiver na frente da sociedade comercial ou do departamento de futebol”, explicou.
O dirigente também ressaltou que a aprovação depende das instâncias previstas no estatuto.
“O Torrano não tem autonomia nenhuma para aprovar nada. Ele vai se cercar de todas as garantias e vai mandar para o Conselho Fiscal. O Conselho Fiscal vai verificar se isso é viável ou não, vai enviar para a mesa diretora, e a mesa diretora recebe e passa para o plenário”, afirmou.
“Precisa de dois terços do Conselho Deliberativo para aprovar. E depois mais dois terços da Assembleia para aprovar”, completou.
A Ponte Preta é a lanterna da Série B, com dez pontos, e não vence há 18 rodadas. O próximo compromisso será contra o América-MG, no domingo, às 16h, no Moisés Lucarelli, pela 25ª rodada.
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