Ponte Preta: Zanardi admite elenco “destruído mentalmente”, defende SAF e revela drama nos bastidores
O que você precisa saber
- Márcio Zanardi afirmou que encontrou um elenco “destruído mentalmente” ao assumir a Ponte Preta;
- O treinador disse não enxergar outro caminho para o clube além da transformação em SAF;
- Segundo ele, a crise afeta jogadores, funcionários e também as categorias de base;
- Zanardi elogiou a postura do elenco, mesmo diante dos atrasos salariais e das dificuldades diárias;
- O comandante acredita que apenas um investimento estrutural poderá recolocar a Macaca no caminho das vitórias.
Há pouco menos de dois meses na Ponte Preta, Márcio Zanardi fez um dos relatos mais sinceros desde que assumiu o comando técnico da equipe. Em entrevista ao programa Os Donos da Bola, da Band, o treinador abriu o jogo sobre a realidade encontrada no Moisés Lucarelli e classificou o momento vivido pelo elenco como um dos mais difíceis de sua carreira.
Para Zanardi, a crise financeira ultrapassa a questão dos salários atrasados e afeta diretamente o lado emocional dos jogadores.
“Jogadores extremamente destruídos mentalmente, dando a vida, funcionários sem estrutura, sem condições.”
Segundo o treinador, a comissão técnica trabalha diariamente para blindar o grupo e fazer com que os atletas consigam separar os problemas extracampo do desempenho dentro das quatro linhas.
“Eu não vim fazer promessa de pagamento. A única coisa que posso controlar é melhorar os jogadores, melhorar o ambiente. Os problemas vão continuar existindo, treinando ou não treinando. O que a gente tenta fazer é fortalecer a cabeça deles”, explicou.
“Não vejo outro caminho”
Zanardi também foi direto ao comentar o futuro institucional da Ponte Preta.
Na avaliação do treinador, a transformação em Sociedade Anônima do Futebol deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade.
“Não vejo outro caminho da Ponte sobreviver se não entrar nessa situação da SAF.”
O comandante revelou que aceitou o convite para dirigir a Macaca já sabendo do projeto de transformação do clube em empresa e afirmou acreditar que apenas um investimento consistente poderá recolocar a instituição no protagonismo.
“Quem coloca dinheiro é quem manda. Eu aceitei esse desafio pelo tamanho da Ponte. A oposição, os sócios, todo mundo precisa entender o momento e se unir. Do jeito que está, infelizmente, não tem condições de seguir.”
Lideranças do elenco
Durante a entrevista, Zanardi fez questão de destacar a postura dos jogadores mais experientes, especialmente Elvis, Rodrigo Souza e Danilo Barcelos.
Segundo ele, além da qualidade técnica, o trio tem sido fundamental para manter o ambiente saudável em meio à pior crise financeira da história recente do clube.
“Eles são referências dentro e fora de campo. Treinam forte todos os dias, chamam a responsabilidade e ajudam a controlar o ambiente. Por isso são líderes.”
Relação com a diretoria
Questionado sobre as declarações recentes do meia Elvis, que criticou a ausência do presidente Luiz Torrano no dia a dia do futebol, Zanardi adotou um tom conciliador.
O treinador afirmou que acompanha apenas o trabalho dentro do campo e destacou a atuação do diretor de futebol Marco Eberlin e do gerente João Brigatti como responsáveis por proteger o elenco enquanto a diretoria conduz as negociações relacionadas à SAF e às pendências financeiras.
“Eu vi o presidente uma vez só. Meu papel é cuidar do campo. Eles precisam resolver os problemas para que a gente tenha condições de fazer o nosso trabalho.”
Mesmo diante da campanha delicada na Série B, Zanardi garantiu que seguirá empenhado em tentar recolocar a Ponte Preta no caminho das vitórias.
“Eu nunca perdi tanto na minha vida. Aceitei esse desafio porque acredito no tamanho da Ponte e vou trabalhar todos os dias para mudar essa realidade.”
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