Ponte Preta: “Foi um circo dos horrores e um espetáculo dantesco”, analisa Tigrão
Por Valdemir Gomes
O torcedor pontepretano assistiu a duas partidas completamente distintas e inexplicáveis na mesma noite no Moisés Lucarelli. O primeiro tempo da Ponte Preta foi de razoável para bom. Mesmo com uma escalação inicial que gerou certas dúvidas – particularmente, não achava que era um jogo para três volantes -, o time mostrou intensidade, velocidade e volume. A equipe foi para o intervalo perdendo por 1 a 0, mas não merecia. Colocou duas bolas na trave, parou em boas defesas de Corsinsk e deixou a sensação clara de que a virada seria possível.
Mas o que se viu após os 15 minutos de descanso é um verdadeiro desafio para Freud tentar explicar. A Ponte simplesmente não voltou para o segundo tempo. Parece que trancaram o time dentro do vestiário e jogaram a chave fora.
A equipe retornou morta, cabisbaixa e protagonizou um circo dos horrores. Foi um espetáculo dantesco e, de certa forma, desrespeitoso, onde parecia que ninguém queria mais nada. As alterações feitas no intervalo – as entradas de Miguel e Elvis nas vagas de David da Hora e Tárik – não surtiram efeito algum. A parte física, mental e tática colapsou e virou uma confusão completa. A prova maior da desorganização é que o time chegou a sofrer dois gols em contra-ataques mesmo após o Londrina ter um jogador expulso.
Algumas escolhas táticas também simbolizam esse desmoronamento. A tentativa de usar Danilo Barcelos como um “coringa” é arriscada. Ele vinha fazendo um jogo razoável na segunda linha pelo lado esquerdo, chegando a bater uma falta no travessão. Mas quando foi deslocado para fazer a função de primeiro volante, já com desgaste físico, ficou perdido como uma “barata tonta”. Não é culpa dele e não é a posição dele. Sem perna para a correria do setor, o meio-campo ruiu e deixou André Lima sem saber se saía ou se guardava posição.
Outro ponto que chamou a atenção foi a forte declaração de Elvis na saída de campo, chamando a responsabilidade e dizendo: “Eu entrei muito mal, eu sou o principal culpado”. É evidente que, tecnicamente, a sua produção foi absolutamente nula, assim como a dos demais que vieram do banco. Mas essa aspa carrega um ar sarcástico e um desabafo claro nas entrelinhas. É o jogador expondo que a culpa não é apenas de quem está em campo, mas também de quem não está cumprindo com as obrigações fora dele.
O apagão generalizado da segunda etapa escancara que a apatia é um reflexo direto do bastidor conturbado e do extracampo que aflige o Majestoso. Fica a dúvida do porquê esse reflexo não apareceu no primeiro tempo, mas destruiu o time no segundo. Teria acontecido algo no vestiário? Alguma notícia ou falta de promessa no intervalo?
O Londrina, muito melhor preparado fisicamente e jogando com inteligência nas transições rápidas, deitou e rolou. O placar de 4 a 1 foi absolutamente justo a favor do Tubarão. Para a Ponte Preta, restou o amargo retrato de um time que se entregou ao peso da sua própria crise.
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