Ponte Preta: diretor jurídico revela dívida de R$ 367 milhões e vê recuperação judicial como caminho futuro

Ponte Preta: diretor jurídico revela dívida de R$ 367 milhões e vê recuperação judicial como caminho futuro
Foto de Marcos Ribolli

José Henrique Specie também explica votação da SAF, fala em déficit de R$ 10 milhões até o fim do ano e detalha operação financeira para quitar transfer ban

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O que você precisa saber

  • O diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, afirmou que uma auditoria independente apurou a dívida consolidada do clube em aproximadamente R$ 367 milhões.
  • Segundo ele, a Ponte não tem atualmente condições de honrar todos os compromissos e poderá buscar uma recuperação judicial no futuro.
  • Specie considera, porém, que ainda não há condições econômicas para o clube entrar com o pedido, porque seria necessário apresentar um plano de pagamento.
  • O dirigente estima um déficit de aproximadamente R$ 10 milhões até o fim de 2026.
  • Para 2027, a previsão apresentada é de um orçamento de cerca de R$ 40 milhões apenas para sustentar as principais despesas do clube.
  • Sobre a SAF, Specie confirmou que a Assembleia de sábado não atingiu o quórum necessário: foram 234 votos favoráveis e 150 contrários, enquanto eram necessários 256.
  • O departamento jurídico ainda analisa os próximos passos para tentar levar novamente a proposta à votação.
  • A Ponte também trabalha na busca por novos patrocinadores e operações de crédito.

O cenário financeiro da Ponte Preta foi detalhado pelo diretor jurídico do clube, José Henrique Specie, durante participação no programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes. Segundo o dirigente, uma auditoria independente apurou a dívida consolidada da Ponte em aproximadamente R$ 367 milhões.

Specie afirmou que o clube atualmente não possui condições de honrar integralmente os compromissos financeiros. Ele citou, entre outros problemas, o estádio e o clube social penhorados e tentativas de bloqueio de contas.

“O clube hoje não possui condições de honrar esses compromissos. O estádio está apenhorado, o clube social está apenhorado. Os executivos tentam bloquear contas correntes”, afirmou.

Diante desse cenário, o diretor jurídico apontou a recuperação judicial como um possível caminho para reorganizar as dívidas no futuro. O dirigente, entretanto, fez uma ressalva: na situação atual, a Ponte não teria condições de apresentar um plano de pagamento viável.

“Na minha visão, a única possibilidade de que a Ponte Preta venha a racionalizar essa dívida é buscar no futuro uma recuperação judicial.”

Recuperação judicial depende de novas receitas

De acordo com Specie, o problema está justamente na capacidade financeira atual do clube. Em uma recuperação judicial, a Ponte precisaria apresentar um plano para quitar os valores devidos, mas, segundo ele, as receitas atuais não seriam suficientes para cumprir esse compromisso.

Por isso, o dirigente relacionou a discussão sobre uma eventual SAF à necessidade de ampliar as receitas do clube. Na avaliação apresentada por Specie, a entrada de investidores no futebol poderia gerar recursos destinados à associação e ao pagamento das dívidas.

Ponte precisa de R$ 10 milhões até o fim do ano

O diretor jurídico também revelou uma estimativa para o fechamento de 2026. Segundo ele, a Ponte Preta terá um déficit de aproximadamente R$ 10 milhões até o fim da temporada.

A nova patrocinadora master, Crear Empreendimentos, representa uma fonte adicional de receita, mas Specie afirmou que o acordo não é suficiente para cobrir todas as obrigações do clube.

O dirigente explicou que a Ponte precisa arcar com despesas do futebol profissional, funcionários, estrutura, tributos, acordos de dívidas e compromissos com órgãos como o CNRD.

Para 2027, a estimativa apresentada durante a entrevista é de um orçamento anual de aproximadamente R$ 40 milhões, considerando não apenas salários do futebol, mas também estádio, funcionários, clube social, centro de treinamento, categorias de base e obrigações financeiras.

SAF não avançou por falta de quórum

Specie também explicou a votação realizada no último sábado. Segundo ele, a Assembleia não analisava naquele momento um contrato de SAF ou uma proposta de investidor.

O objetivo era autorizar a continuidade do processo de constituição de uma SAF e, posteriormente, permitir que o clube pudesse avaliar propostas firmes e contratos.

Foram registrados 384 votos, sendo 234 favoráveis e 150 contrários. Como o estatuto exige dois terços dos presentes, eram necessários 256 votos favoráveis. Dessa forma, faltaram 22 votos para atingir o quórum.

O diretor jurídico afirmou que o resultado ainda é analisado internamente e que a Ponte deve comunicar os associados e a comunidade quando houver uma definição sobre o encaminhamento.

Transfer ban foi quitado com operação de crédito

Questionado sobre os recursos utilizados para quitar as pendências que impediam a Ponte de registrar novos jogadores, Specie afirmou que o dinheiro veio de uma operação financeira de crédito realizada pelo clube.

Ele também disse que a Ponte trabalha na busca por novas operações semelhantes para reforçar o caixa até o fim do ano.

O dirigente afirmou ainda que o cenário financeiro não é exclusivo da Ponte e citou uma crise enfrentada por clubes da Série B, com equipes operando em déficit.

Reunião na CBF discutiu futuro do futebol brasileiro

Antes de abordar a situação da Ponte, Specie falou sobre a reunião realizada na CBF com representantes dos clubes das Séries A e B.

Segundo ele, os encontros fazem parte de um processo iniciado no primeiro semestre para discutir a possibilidade de criação, no futuro, de uma liga única de futebol profissional no Brasil, com maior participação dos clubes na organização das competições.

Na reunião mais recente, foram discutidos temas como horários das partidas, buscando aumentar a presença nos estádios e a audiência das transmissões, além da participação de estrangeiros nos elencos e dos critérios para as listas de inscritos.

A reunião também serviu para os clubes discutirem questões relacionadas à realidade financeira do futebol brasileiro, segundo o diretor jurídico da Ponte.

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