Ponte Preta: diretor explica que SAF é saída para “sobrevivência tributária” e descarta investidores no momento
O que você precisa saber
- O diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, concedeu entrevista à Rádio Bandeirantes para detalhar o projeto de criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no clube.
- Segundo o dirigente, a principal motivação é a Reforma Tributária: sem a SAF, a carga de impostos da Macaca saltará dos atuais 5% para mais de 16% a partir de 2027.
- Specie reforçou que o projeto atual prevê a criação de uma SAF “interna”, 100% controlada pela própria associação, puramente para garantir a manutenção do benefício fiscal.
- O diretor negou qualquer negociação em andamento para a venda do futebol e garantiu que não existe proposta firme de nenhum investidor até o momento.
- O Conselho Deliberativo votará a criação da SAF na próxima quarta-feira (17). Na véspera (16), a diretoria realizará uma audiência pública para sanar todas as dúvidas dos conselheiros.
A “bomba-relógio” dos impostos
A transformação da Ponte Preta em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ganhou contornos de urgência nos bastidores do Moisés Lucarelli, mas o motivo principal passa longe da chegada iminente de um “mecenas” milionário. Em entrevista à Rádio Bandeirantes de Campinas, o diretor jurídico do clube, José Henrique Specie, jogou luz sobre o tema e revelou que a cisão estatutária é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência fiscal.
Convocado para debater o futuro do departamento de futebol na próxima quarta-feira (17), o Conselho Deliberativo terá em mãos um projeto que visa blindar a Macaca contra as novas e pesadas regras da Reforma Tributária.
De acordo com a explicação didática do diretor, o atual modelo associativo da Ponte Preta sofrerá um impacto financeiro devastador a partir de 1º de janeiro de 2027. Hoje, a associação recolhe cerca de 5% a 6% de impostos sobre sua receita (focados no INSS). Com a nova legislação, os clubes associativos terão que arcar com novos tributos (IBS e CBS), o que elevará a carga para a drástica casa dos 16%.
A única forma legal de frear esse aumento astronômico é migrando para o modelo empresarial, que possui legislação própria. “A SAF tem um tratamento diferenciado. A carga tributária passará a ser na casa dos 5% É imprescindível a gente criar a SAF para que a gente transfira a atividade do futebol para essa pessoa jurídica e mantenha a mesma tributação”, alertou Specie.
Para ilustrar a gravidade do cenário, o dirigente foi direto à matemática: em um faturamento hipotético de R$ 10 milhões, a conta de impostos saltaria de R$ 500 mil para cerca de R$ 1,5 milhão caso o clube rejeite a mudança. “Se a gente não caminhar para uma SAF, a gente vai estar numa situação muito pior do que a que temos hoje do ponto de vista econômico e financeiro”, sentenciou.
Outro ponto de extrema importância abordado na entrevista foi a expectativa externa por novos donos e aportes milionários. Specie foi categórico ao frear a euforia e afirmar que a aprovação da pauta não significa a venda imediata do clube. O projeto desenhado prevê que a Ponte Preta seja a dona de 100% das ações da nova empresa num primeiro momento.
“Não existe ninguém [investidor]. O que existe é muita especulação. É evidente que o mercado está olhando a Ponte Preta para eventualmente, no futuro, ocorrer o interesse de agentes, mas nenhuma proposta firme, não há negociação com ninguém”, cravou o diretor.
O objetivo a curto prazo é puramente burocrático e protetivo. O clube, que tem se desdobrado para honrar compromissos (como a recente injeção de R$ 2,5 milhões para quitar salários), tentará organizar o futebol como empresa para, só então, estruturar formas de abater um passivo que asfixia a gestão há décadas.
Para garantir total transparência em um processo que altera profundamente a espinha dorsal do clube, a diretoria alvinegra agendou uma etapa extra antes do pleito decisivo.
Na véspera da votação, terça-feira (16), a partir das 17h, o departamento jurídico e a diretoria executiva realizarão uma audiência pública no Salão Nobre do estádio. O encontro servirá como um grande plantão de dúvidas, destinado a esclarecer cada detalhe do estatuto e do impacto tributário aos conselheiros que, no dia seguinte, terão a responsabilidade de definir o futuro da Ponte Preta.
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