Ponte Preta: clube aparece entre os 25 mais endividados do país em levantamento de fair play financeiro
Macaca tem passivo de R$ 235 milhões em painel da Anresf, ocupa a 21ª posição entre equipes das Séries A e B e enfrenta cobranças que pressionam o caixa
O que você precisa saber
- A Ponte Preta aparece na 21ª posição do levantamento da Anresf, com dívida de R$ 235 milhões.
- O painel reúne dados dos balanços financeiros de 31 de dezembro de 2025 e considera valores que os clubes ainda precisam desembolsar.
- Em setembro, o diretor jurídico José Henrique Specie informou que uma auditoria independente apurou dívida consolidada de aproximadamente R$ 367 milhões.
- O passivo trabalhista da Macaca pode chegar a R$ 50 milhões, apesar da regularização das parcelas dos acordos em andamento.
- A Ponte também está entre os clubes da Série B que receberam advertência no âmbito do regulamento de fair play financeiro.
A Ponte Preta aparece na 21ª posição entre os 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro no levantamento de dívidas divulgado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). O painel, publicado em 21 de outubro, aponta um passivo de R$ 235 milhões para a Macaca, com base nos balanços financeiros do fim de 2025.
O número coloca o clube campineiro entre os 25 mais endividados do levantamento. Na Série B, a Ponte aparece atrás de Sport, Náutico, Vitória, Bahia, Athletico-PR, Fortaleza e Avaí. O ranking reúne informações financeiras de equipes das duas principais divisões nacionais e integra o sistema de acompanhamento do fair play financeiro.
Como entender o valor da dívida
O levantamento passou por uma alteração metodológica poucas horas após a publicação inicial. A Anresf deixou de somar receitas recebidas antecipadamente e passou a considerar apenas valores que os clubes ainda precisam desembolsar. Com a mudança, o total das dívidas das 40 equipes caiu de aproximadamente R$ 25 bilhões para R$ 19,99 bilhões.
Por isso, o valor de R$ 235 milhões não deve ser confundido com a dívida consolidada de aproximadamente R$ 367 milhões informada em setembro pelo diretor jurídico da Ponte, José Henrique Specie. Na ocasião, o dirigente afirmou que o montante havia sido apurado por uma auditoria independente.
Os dois números têm origens e critérios diferentes. O painel da Anresf utiliza os balanços de dezembro de 2025 e uma metodologia específica para o regulamento de fair play financeiro. Já o valor apresentado por Specie foi descrito pelo dirigente como dívida consolidada do clube. Portanto, não é possível concluir, apenas pela comparação, que o passivo da Ponte tenha diminuído.
Dívida trabalhista pode chegar a R$ 50 milhões
Outro ponto de pressão sobre as finanças é o passivo trabalhista. Em levantamento publicado pelo Portal CB em outubro, a estimativa é de que a dívida nessa área possa alcançar R$ 50 milhões, ante cerca de R$ 34 milhões quando o clube aderiu ao Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT), em agosto de 2023.
A Ponte regularizou as parcelas do PEPT e do acordo com a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), mas continua recebendo novas cobranças judiciais. O clube destina aproximadamente R$ 190 mil por mês ao plano trabalhista e avalia a possibilidade de ampliar o prazo de pagamento.
Segundo as informações divulgadas pelo departamento jurídico, cerca de metade dos quase 200 processos trabalhistas ativos já teria sido quitada. A entrada de novas ações, porém, pode ampliar o volume de obrigações a serem pagas.
Fair play financeiro aumenta a pressão por regularização
O painel da Anresf também reúne informações sobre pagamentos em atraso relacionados a salários, transferências e impostos. A agência acompanha esses dados em períodos de prestação de informações pelos clubes.
A Ponte está entre as equipes da Série B que receberam advertências no âmbito do regulamento. Em outubro, o ge informou que Ceará, Fortaleza, Náutico e Ponte Preta receberam prazo de 45 dias para pagar dívidas contraídas em 2026, sob risco de transfer ban. O clube também foi advertido por pendências anteriores, que entram em uma nova etapa de fiscalização a partir de novembro.
A divulgação do levantamento amplia a transparência sobre o cenário financeiro dos clubes, mas os números precisam ser lidos de acordo com a metodologia e o período de referência de cada apuração. No caso da Ponte, o painel da Anresf se soma às informações já apresentadas pelo departamento jurídico sobre a dívida consolidada e o passivo trabalhista.
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