Ponte Preta: “Chega de desculpas, a hora da verdade chegou”, analisa Tigrão
Por Valdemir Gomes
O futebol ficou pequeno diante do que aconteceu no Moisés Lucarelli. Sim, a Ponte Preta foi prejudicada pela arbitragem. Sim, fez um segundo tempo melhor que o Criciúma e merecia, no mínimo, sair com um ponto. Mas tudo isso virou detalhe depois do desabafo de Elvis.
O capitão da Ponte falou o que muitos imaginavam, mas poucos tinham coragem de dizer. Escancarou uma realidade que há meses acompanha o clube: salários atrasados, promessas não cumpridas, falta de diálogo e um ambiente que se deteriora a cada rodada.
Quando Elvis pergunta “reformulação de quê?”, ele não está falando apenas de futebol. Está falando do sentimento de quem permaneceu. De quem recusou propostas, acreditou no projeto, vestiu a camisa e hoje convive com uma situação insustentável.
O camisa 10 não pediu para sair. Pelo contrário. Disse que vai ficar até o fim, mesmo reconhecendo que poderia ter seguido outro caminho. Isso dá ainda mais peso ao que falou. Não foi um atleta tentando justificar uma saída. Foi um líder assumindo a responsabilidade de dar voz a um elenco que, segundo ele, está sendo deixado de lado.
A partir de agora, a palavra está com a diretoria.
Durante semanas, muito se ouviu que os problemas da Ponte eram potencializados pela imprensa, por adversários políticos ou por pessoas interessadas em criar crise. Mas quando o principal jogador do elenco, um atleta com quatro temporadas de história no clube e enorme identificação com a torcida, faz um pronunciamento dessa dimensão, o debate muda completamente.
Não é mais uma versão contra outra. É o líder técnico e moral do elenco afirmando, de maneira pública, que a situação chegou ao limite.
Dentro de campo, a Ponte voltou a competir melhor. No segundo tempo, reagiu, empatou a partida e ainda viu um pênalti ser anulado após revisão do VAR. Depois, acabou castigada no último lance, quando Marcelo Hermes apareceu livre para marcar o gol da vitória do Criciúma. A arbitragem teve influência, e isso precisa ser registrado. Mas, neste momento, o maior adversário da Ponte continua sendo ela mesma.
O futebol ainda oferece tempo para uma reação. A realidade administrativa, porém, exige respostas imediatas. O pronunciamento de Elvis mudou o patamar da crise. Agora, cabe à diretoria responder não com discursos, mas com atitudes. Porque, quando o próprio capitão vai a público dizer que basta, é sinal de que a situação ultrapassou qualquer limite aceitável.
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