Ponte Preta: “A vergonha não é dos jogadores e nem do técnico, mas sim da diretoria”, analisa Gleguer Zorzin

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Foto de Igor Henrique/Pontepress

Por Gleguer Zorzin

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Já são 18 rodadas que a gente está aqui buscando uma justificativa, buscando uma palavra, um comentário para explicar tudo aquilo que está acontecendo com a Ponte Preta. Mas acho que chegou o momento de fazer justamente o que o CH fez: olhar para o que esses jogadores estão fazendo dentro de campo.

Porque a gente viu hoje o pessoal correr, lutar, se dedicar. Não é fácil. É uma baita competição, e você olha para o time do Avaí, que também está lá embaixo, na zona de rebaixamento, e vê a qualidade dos jogadores, vê as opções que existem no banco. Quando acontece uma substituição, o time consegue manter o nível.

Isso é uma coisa que está faltando muito para a Ponte.

Eu ouvi o Zanardi antes da partida falar sobre a esperança de que essa votação aconteça, de que as coisas possam mudar e de que os jogadores precisam disso o mais rápido possível. O Murilo também falou exatamente isso depois do jogo.

Hoje, para mim, é a única solução. Não existe outra alternativa.

Como pode acabar um jogo e os refletores já serem desligados? O Batista falou em economia, mas isso mostra o tamanho do desespero. É uma situação dramática para um time gigantesco, para uma torcida maravilhosa, como é a Ponte Preta.

Então, neste momento, a expectativa não é nem mais pelo Campeonato Brasileiro. É para que tomem uma decisão rapidamente e façam as coisas mudarem fora de campo.

Porque você não tem jogador. Você não tem estrutura. Não dá para ficar colocando esses meninos para jogar e colocando toda a responsabilidade nas costas deles. Eles estão lutando, estão correndo, estão se dedicando, mas não dá para exigir que resolvam uma situação desse tamanho.

E isso é um pecado, porque tem muitos meninos de qualidade.

Eu lamento muito por mais uma derrota. Mas, hoje, sem dúvida nenhuma, a Ponte mostrou mais uma vez que quem foi a campo está honrando a camisa. O próprio Zanardi está aguentando tudo isso. Ele também está nessa expectativa de que as coisas melhorem.

Então, mesmo com a derrota, é preciso dar os parabéns a esses jogadores. Não é fácil.

Eu já passei por situações ruins, delicadas, mas não igual a essa da Ponte Preta. E acho que essa meninada está honrando a camisa, fazendo o que pode.

No segundo tempo, normalmente a Ponte cai. Hoje, não. Hoje ela deu prosseguimento, foi para cima. Mas como é que você vai treinar também? Como é que você vai trabalhar sem estrutura?

Os jogadores estão há seis meses sem receber. Você não consegue treinar normalmente, as contusões aparecem. Aconteceu com o Elvis, aconteceu com o Danilo Barcelos e aconteceu com outros jogadores.

Vai com a contusão, vai levando. Aí você olha para um menino de 17 anos, como o Matheus Souza, que entrou numa situação completamente fora do normal. Ele sentiu no segundo tempo, mas não tinha banco. E aí você precisa manter esses jogadores em campo porque não existem alternativas.

Olha o que o Márcio Zanardi está vivendo: 12 jogos, duas vitórias e dez derrotas. Um aproveitamento baixíssimo. Qual treinador do Brasil vive uma situação dessas?

E ele está por quê? Porque não tem culpa. Os jogadores não têm culpa.

A culpa é de quem? Todo mundo sabe.

Tomara que arrumem pelo menos um dinheirinho para pagar uma parte para esses meninos que estão colocando a cara para bater. Então, quando a gente fala em vergonha, não é vergonha deles.

Não é vergonha do técnico. Não é vergonha dos jogadores.

É um problema de diretoria, que todo mundo sabe.

A Ponte está pagando um mico enorme. É o pior ano da história da Ponte. E agora, depois de 18 jogos sem vencer, esses profissionais ainda precisam voltar amanhã para treinar e continuar trabalhando.

É difícil até imaginar como isso vai acontecer.

Porque até coisas básicas estão comprometidas. O GPS, por exemplo. Aquela ferramenta de monitoramento usada pela comissão técnica para acompanhar intensidade, distância percorrida e picos de velocidade dos jogadores durante as atividades e partidas. É um equipamento importante para o controle físico do elenco.

E esse é mais um ponto negativo dentro de uma lista que parece não parar de crescer.

A Ponte Preta precisa, urgentemente, de uma solução fora de campo.

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