Ponte Preta: “A defesa é a mais peneira da história do clube”, analisa Tigrão
Por Valdemir Gomes
A velha frase volta a servir para explicar o momento da Ponte Preta: jogou bem como nunca e perdeu como sempre.
Desta vez, sinceramente, não achei que o time tenha feito uma partida ruim. Muito pelo contrário. Do meio-campo para frente, a Ponte competiu, criou, teve personalidade e mostrou um futebol bem diferente daquele apresentado nas últimas rodadas.
O Brandão marcou dois belos gols. O Élvis fez, para mim, sua melhor atuação com a camisa da Ponte e foi o melhor jogador da partida. Enquanto teve pernas, o meio-campo conseguiu controlar o jogo. O Kevyson ajudou muito na recomposição, o Diego Porfírio cumpriu sua função pelo lado esquerdo e o Júlio também fez uma boa partida.
O problema continua sendo o mesmo de sempre.
A defesa.
É impressionante como qualquer bola levantada na área da Ponte Preta se transforma em perigo. Hoje, praticamente é sinônimo de gol.
O primeiro gol do Operário nasce de uma falha que considero coletiva, mas principalmente do Lucas Cunha. A Ponte havia saído na frente e permitiu o empate muito cedo.
Depois, quando o Brandão fez um golaço para colocar novamente a equipe em vantagem, parecia que finalmente a sorte poderia mudar.
Mas não mudou.
No segundo gol, o cruzamento vem da esquerda e o Berto se antecipa com enorme facilidade. O Diego Porfírio simplesmente acompanha a trajetória da bola e perde completamente o tempo da jogada. Um jogador experiente não pode permitir esse tipo de lance.
A expulsão do Brandão complicou ainda mais a situação. Depois de fazer os dois gols da Ponte, tinha tudo para terminar a noite como herói, mas acabou cometendo uma falta desnecessária, recebeu o segundo cartão amarelo e deixou a equipe com um jogador a menos.
Naquele momento, confesso que já imaginava o que aconteceria.
Com muitos acréscimos pela frente e um homem a menos, dificilmente a Ponte conseguiria suportar a pressão. Ainda mais porque a bola aérea segue sendo um pesadelo para essa defesa.
E foi exatamente assim que saiu o terceiro gol.
Mais um cruzamento para a área. Mais uma desatenção defensiva. Desta vez, na minha avaliação, a falha foi do Márcio Silva.
Quando você observa os três gols sofridos, encontra erros claros de marcação em todos eles. Não foi azar. Não foi acaso. Foram falhas defensivas repetidas.
Por isso, a sensação é contraditória.
A Ponte merecia elogios pela entrega, pela postura e pela evolução ofensiva. Mas, ao mesmo tempo, continua sendo castigada por um sistema defensivo que compromete qualquer possibilidade de reação.
Meus parabéns pela luta demonstrada em campo.
Mas meus pêsames para aquela que, hoje, considero a defesa mais peneira da história da Ponte Preta.
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