Guarani: “Não tem mais espaço para apagão. O time já está flertando com uma tragédia”, analisa Tigrão
Por Valdemir Gomes
O Guarani está flertando com a tragédia. É impressionante como o time se especializou em tomar viradas na Série C. Nos últimos oito jogos, ganhou apenas um. E, nos últimos três, saiu na frente em todos e não conseguiu vencer. Tomou a virada do Anápolis, deixou escapar uma vantagem de 2 a 0 contra o Ypiranga e, agora, perdeu por 3 a 1 para o Botafogo-PB.
É muita coisa para um time que chegou a construir uma gordura importante na competição. O Guarani está pagando caro por não conseguir sustentar aquilo que constrói durante os jogos.
Contra o Botafogo-PB, o primeiro tempo foi equilibrado. Não seria nenhum absurdo se o time da casa tivesse saído na frente, porque os dois criaram oportunidades. Só que o Guarani foi mais eficiente e conseguiu fazer 1 a 0 com João Paulo, depois de uma cobrança de escanteio e um rebote dentro da área. Ele bateu muito bem, alto, para evitar que a bola encontrasse alguém no caminho, e colocou o Bugre em vantagem.
No começo do segundo tempo, veio uma boa surpresa: o Guarani voltou melhor. Durante os primeiros dez minutos, controlou a partida e parecia ter condições de administrar o resultado.
Só que aconteceu novamente aquilo que tem acontecido de maneira sistemática: o Guarani desliga.
Cai o disjuntor. O time para de jogar, começa a errar e deixa espaços. Pelo lado esquerdo da defesa, virou uma verdadeira avenida.
No primeiro gol do Botafogo, o Rodolfo estava praticamente se arrastando em campo, fisicamente muito desgastado. Mesmo assim, conseguiu girar em câmera lenta diante da marcação. O Guarani permitiu que ele fizesse a jogada e, depois, a defesa inteira ficou olhando.
Lucas Cândido apareceu completamente sozinho para cabecear e empatar.
Quatro minutos depois, veio a virada. Em uma cobrança de lateral, o Botafogo trabalhou a bola, encontrou espaço pelo lado e chegou novamente às costas da defesa. O Guarani tomou dois gols em quatro minutos.
E aí vem o mais preocupante: depois de tomar a virada, o Guarani não teve mais ímpeto. Não foi para cima, não criou uma reação consistente, não conseguiu sequer construir uma oportunidade clara para buscar o empate.
O time simplesmente desmanchou.
E ainda tomou o terceiro gol, novamente pelo lado esquerdo. A defesa do Guarani foi desmontada outra vez. Emerson não conseguiu retornar, Jonathan Costa, que está sem ritmo, precisou fazer a cobertura e perdeu na corrida para um jogador que havia acabado de entrar.
O Botafogo-PB aproveitou, cruzou para trás e Nenê apareceu para finalizar e matar o jogo.
Os três gols do Botafogo saíram pelo lado esquerdo da defesa do Guarani. Isso não é coincidência. É um problema que precisa ser analisado e corrigido imediatamente.
Mas o problema maior é coletivo. O Guarani faz um gol, começa bem, tem uma vantagem e, de repente, parece que alguém desliga a chave. O time some, derrete em campo e sofre uma sequência de gols.
Foi uma vergonha o segundo tempo do Guarani. Uma decepção.
E agora a situação ficou ainda mais delicada. O Guarani ainda está no G-8, mas vai precisar acompanhar os resultados da rodada e pode perder posições antes da última rodada. A equipe entra na rodada final com 27 pontos e vai enfrentar o Brusque no Brinco de Ouro.
É um campeonato muito amarrado, com vários times próximos na pontuação. O saldo de gols do Guarani ainda é uma vantagem importante, mas o time perdeu a oportunidade de chegar à última rodada em uma situação muito mais confortável.
Agora não tem mais espaço para esse tipo de apagão.
O Guarani precisa parar de tomar viradas. Precisa entender que jogo não termina quando faz o gol. E, principalmente, precisa encontrar uma maneira de permanecer ligado durante os 90 minutos.
Porque, do jeito que está, o Guarani está realmente flertando com a tragédia.
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