Guarani: Marcelo Dias explica adiamento da SAF e revela preocupação com período de transição

Guarani: Marcelo Dias explica adiamento da SAF e revela preocupação com período de transição
Foto de Raphael Silvestre

O que você precisa saber

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  • O Guarani adiou para os dias 21, 23 e 25 de setembro as assembleias que vão discutir e votar a proposta de SAF de Roberto Graziano
  • Segundo Marcelo Dias, presidente da comissão responsável por analisar o contrato, o adiamento ocorreu após o Conselho Deliberativo solicitar mudanças em diversas cláusulas
  • O documento tem mais de 100 páginas e ainda precisa ser adequado à nova legislação das SAFs e às exigências da recuperação judicial
  • Graziano terá pelo menos dez dias para analisar as sugestões apresentadas pelo Guarani antes de apresentar uma nova versão do contrato
  • A comissão também quer garantias sobre investimentos, cumprimento das obrigações financeiras e manutenção do clube social
  • Marcelo Dias afirmou que Roberto Graziano terá de participar do período de transição antes da efetiva constituição da SAF para ajudar na montagem do elenco para o Paulistão

A definição sobre a SAF do Guarani foi adiada para o fim de setembro, mas o processo segue em andamento. Em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes de Campinas, Marcelo Dias, ex-presidente do Conselho Deliberativo e atual presidente da comissão responsável por analisar o contrato, explicou os motivos que levaram à mudança das datas das assembleias.

As reuniões que estavam previstas para esta semana foram remarcadas para os dias 21, 23 e 25 de setembro. As duas primeiras serão destinadas à discussão da nova versão do contrato, enquanto a última terá a votação da proposta de Roberto Graziano.

Segundo Marcelo Dias, a comissão analisou o documento cláusula por cláusula e apresentou uma série de sugestões antes da votação. O contrato tem mais de 100 páginas, além de anexos.

“Fizemos uma análise muito cautelosa do contrato, cláusula a cláusula, é um contrato muito longo, muito complexo, de mais de 100 páginas, anexos, enfim. E a gente encontrou uma série de situações que recomendavam alguma revisão”, explicou.

Entre os pontos levantados estão melhorias nas garantias oferecidas ao Guarani, maior clareza na redação de algumas cláusulas e adequações jurídicas.

Marcelo Dias se reuniu com Roberto Graziano no último sábado, antes do jogo contra o Brusque, para apresentar as ponderações da comissão. Segundo ele, o investidor se mostrou disposto a discutir as mudanças, mas precisava de tempo para analisá-las com o departamento jurídico.

Graziano esteve na Assembleia realizada nesta terça-feira e confirmou a necessidade de um prazo maior para avaliar as alterações propostas.

“Ele se mostrou muito aberto a considerá-las, disposto a fazer mudanças dentro daquilo que for possível. (…) Ele não teve tempo, ele precisa pelo menos de dez dias para fazer essa análise”, disse Marcelo.

Depois da análise de Graziano, a nova versão será apresentada aos associados antes da votação.

Adequações à nova lei da SAF e à recuperação judicial

Um dos pontos que exigiram o adiamento é a necessidade de adequar o contrato à nova legislação das Sociedades Anônimas do Futebol. Marcelo Dias explicou que a minuta foi elaborada antes das mudanças na legislação, aprovadas em junho.

“Às vezes, o contrato fazia referência a dispositivos que agora mudaram de número, ou que têm uma redação um pouco distinta. Então, ele precisava, primeiro, de uma revisão jurídica para adequação à lei”, afirmou.

O documento também precisa estar de acordo com o processo de recuperação judicial do Guarani. Como o contrato será submetido à análise do juiz responsável pela recuperação judicial, a comissão incluiu alterações relacionadas às obrigações financeiras e às garantias previstas para o clube.

Marcelo destacou que uma das preocupações é assegurar que Graziano tenha responsabilidade pelos aportes necessários para cumprir compromissos financeiros do Guarani.

“São situações principalmente de garantia, em que o Roberto é o garantidor principal do cumprimento dessas obrigações, de que ele não vai deixar o clube de forma alguma desamparado, de que ele vai realizar os investimentos necessários, sobretudo para cumprir as nossas obrigações financeiras, aquelas que estão em aberto”, explicou.

Período de transição preocupa comissão

Outro ponto considerado importante é o período entre a aprovação da proposta e a efetiva constituição da SAF. O processo ainda depende de uma série de etapas jurídicas e documentais antes de Graziano assumir formalmente o controle da nova empresa.

O problema é que o Guarani precisa montar o elenco para o Paulistão antes da conclusão de todo esse processo.

Marcelo Dias afirmou que essa preocupação já foi apresentada ao investidor e que Graziano está ciente da necessidade de participar da transição.

“Roberto sabe disso e, havendo a compactuação aí dentro da nossa minuta contratual, já existem disposições para ele assumir desde logo, fazendo o necessário para conduzir o Guarani a partir de agora”, afirmou.

Segundo ele, a ideia é que o investidor possa começar a auxiliar na montagem da equipe e realizar aportes antes mesmo da conclusão de todas as etapas necessárias para a constituição da SAF.

Clube social também está entre as garantias

A comissão também quer garantir a continuidade das atividades sociais do Guarani. De acordo com Marcelo, o contrato prevê que o associado não fique sem acesso ao clube social durante eventual mudança de estrutura.

“A gente vai ter sempre um clube, ele só tira a gente desse quando ele nos fornecer outro”, explicou.

Marcelo também revelou que já havia negociado com Graziano, há cerca de oito anos, uma proposta de SAF para o Guarani. Segundo ele, aquela negociação não chegou a ser apresentada aos associados por questões políticas internas.

Agora, a expectativa é de que os associados tenham acesso à nova versão do contrato antes da votação.

“Eu tenho certeza que o associado bugrino vai ter acesso ao conteúdo, vai poder analisar, vai poder ponderar, e vai chegar à melhor conclusão”, afirmou.

Próximos passos

Com o adiamento, Roberto Graziano terá os próximos dias para analisar as alterações sugeridas pela comissão. Depois disso, o Guarani pretende apresentar aos associados quais pontos foram aceitos, quais não foram e quais mudanças são juridicamente possíveis.

As assembleias estão marcadas para 21 e 23 de setembro, com a votação da proposta de SAF prevista para 25 de setembro.

A proposta prevê que 90% das ações da SAF fiquem com o investidor e 10% permaneçam com o Guarani. O clube ainda precisa concluir o processo jurídico e documental para a constituição da empresa antes da transferência efetiva das ações.

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