Guarani: Graziano explica proposta de SAF e projeta novo estádio em até três anos

Guarani: Graziano explica proposta de SAF e projeta novo estádio em até três anos
Foto de Raphael Silvestre

Empresário participou de reunião com o Conselho Deliberativo e detalhou investimentos, estrutura e planos para o futuro do clube

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O que você precisa saber

  • Roberto Graziano participou nesta quinta-feira de uma reunião com o Conselho Deliberativo do Guarani para discutir a proposta de SAF
  • O empresário afirmou que pretende construir um novo estádio para o Bugre em até três anos após as aprovações necessárias
  • A proposta prevê também um novo Centro de Treinamento, com estrutura superior à obrigação original relacionada à compra do Brinco de Ouro
  • Graziano explicou que o projeto prevê investimentos no futebol e que o valor necessário dependerá também da capacidade de geração de receitas do clube
  • O empresário afirmou que pretende trabalhar para levar o Guarani de volta à Série A e a competições internacionais
  • A proposta ainda será discutida antes da votação prevista para setembro

Roberto Graziano participou nesta quinta-feira de uma reunião com o Conselho Deliberativo do Guarani para apresentar e discutir os termos de sua proposta para a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em entrevista exclusiva ao repórter Brenno Beretta, da Rádio Bandeirantes de Campinas, o empresário explicou alguns dos principais pontos do projeto e afirmou que pretende construir um novo estádio para o Bugre em até três anos após as aprovações necessárias.

O encontro teve como objetivo esclarecer dúvidas dos conselheiros e buscar um consenso sobre os termos da proposta antes da votação prevista para o início de setembro.

Graziano explicou que a relação com o Guarani é antiga e começou ainda nos primeiros anos de sua trajetória empresarial. Segundo ele, a empresa que comandava fez um dos primeiros investimentos em marketing justamente no clube.

“Eu acho que isso começa com a história. Você vê, eu montei meu negócio em 1990, né? Após três anos a gente começou, acho que foi o primeiro patrocínio, o primeiro investimento que a gente teve em marketing foi no Guarani. Então a gente viu a nossa indústria, a nossa marca de relógio crescer dentro do Guarani. Então sempre teve essa relação, essa relação de parceria, de amor pelo Guarani. Então isso fez com que a gente, de uma certa forma, criasse toda essa afinidade. Então todos os momentos que o Guarani estava com mais dificuldades, a gente estava podendo, a gente tinha uma condição melhor, a gente acabou patrocinando ou fazendo alguma coisa em benefício do Guarani”, disse.

“Eu acho que agora apareceu uma oportunidade da SAF, a gente está colocando uma proposta. Eu acho que se a comunidade campineira e bugrina achar que esse é o melhor caminho, a gente estaria aí, estar junto aí nessa caminhada pra frente, para levar o Guarani, quem sabe aí, Série A, quem sabe uma Libertadores, uma Copa Sul-Americana e assim por diante. Muita gente, é claro, os torcedores do Guarani, não só os sócios, sócios e os conselheiros, eles estão representando a grande torcida do Guarani, e são eles que vão escolher”, completou.

O empresário reconheceu que o cenário financeiro encontrado atualmente é diferente daquele que poderia existir caso a negociação tivesse começado no início do ano. Graziano, porém, afirmou que enxerga a operação como um projeto de longo prazo.

“Com certeza, eu acho que se a gente tivesse pego no começo do ano já teria sido diferente, você tinha mais dinheiro no caixa, hoje o Guarani vive um momento um pouco mais difícil, mas eu vejo que essa parceria é uma parceria pro tempo, a gente não está pensando no momento, a gente está pensando ao longo prazo. Eu acho que se a gente estiver aqui e a nossa proposta for aprovada, eu acho que em dois, três anos a gente vai ter um Guarani diferente, um Guarani com uma proposta diferente do que tem hoje. Então, eu estou olhando pro futuro, não estou olhando agora pro que está acontecendo ou o passado. O passado tem que servir como história, como exemplo às vezes do que você tem que fazer diferente e caminhar. Eu acredito muito com a força da torcida, a força da cidade, que a gente consiga construir algo muito bacana aqui em Campinas”, relatou.

Um dos principais pontos discutidos na proposta é a inclusão do Brinco de Ouro, do Centro de Treinamento e do clube social na operação. Graziano afirmou que os compromissos previstos no projeto da SAF são superiores às obrigações que já existiam em razão da compra do estádio.

Segundo o empresário, a ideia é construir um CT com estrutura maior e substituir o atual Brinco de Ouro por um estádio com capacidade e estrutura superiores.

“Exatamente. Primeiro porque é uma empresa que era minha e essa é minha também, que é a minha e a minha. Então, a gente fez nessa proposta uma ampliação, a gente está dando um CT quatro vezes maior ou cinco vezes maior do que a gente teria que entregar pela obrigação da Justiça do Trabalho, que ela não deixa de existir, só que a gente está com a SAF entregando algo maior e está entregando um estádio totalmente diferente”, disse Graziano.

“Porque uma coisa é um estádio de 12 mil, com um estádio muito mais simples, com um estádio de vinte e poucos mil lugares, e com toda a estrutura que a gente quer colocar nele. Ele tem que ser um marco para shows, eventos, festas, festas de criança, casamentos, você poder ter no estádio, você poder abrigar a comunidade campineira e fazer com que ela cresça a paixão e o amor pelo Guarani. Então, a gente está propondo algo muito maior e muito diferente do que era só a nossa obrigação que estava naquele momento quando a gente adquiriu o estádio Brinco de Ouro”, completou.

A previsão apresentada por Graziano é que o novo estádio possa estar pronto em aproximadamente três anos, considerando o período necessário para aprovações e a execução da obra.

“Eu acho que após aprovado, eu acredito que em dois anos o estádio está de pé, né? De construção. Então, se levar, vamos falar, um ano para aprovação, seis meses a um ano, eu diria que em três anos a gente está com o estádio de pé”, projetou.

A ideia apresentada é que o novo estádio e o CT sejam construídos próximos um do outro para facilitar a logística do futebol.

“O CT, que ainda é nossa dúvida se a gente vai grudar no estádio ou não, né? Mas a nossa ideia é que se não for lá, tem que ser em um lugar muito próximo, né? Até para que a logística seja fácil”, completou Graziano.

Outro ponto abordado na entrevista foi a relação entre o projeto da SAF e o empreendimento imobiliário previsto para a área do Brinco de Ouro. Graziano explicou por que a proposta atual não trabalha simplesmente com a manutenção dos 14% do Valor Geral de Vendas (VGV) que haviam sido discutidos anteriormente.

“É que os 14%, você tem 14%, aí você abate tudo que foi colocado. Se você abater tudo que foi colocado e mais… Os 105 milhões, no caso. É, os 105 e mais o estádio, pode ser que seja negativo ainda, a gente tenha colocado mais.

É por isso que eu fiz questão de colocar, que com a SAF a gente garante coisas a maior. Por isso que foi a nossa preocupação. 14%, ele não seria suficiente nem para fazer um estádio, hoje, de 12 mil lugares.”

Graziano também foi questionado sobre o valor de investimento previsto na proposta e sobre a possibilidade de o montante necessário para manter o futebol ser superior ao que está estabelecido contratualmente. Ele afirmou que o aporte dependerá da capacidade de gestão e das receitas geradas pelo próprio clube, mas reconheceu que será necessário colocar dinheiro no futebol.

“Na verdade, você vai ter que colocar o suficiente. Quanto mais eficiente a gente for na gestão, você coloca menos. Você, que nem teve um que falou, gostaria que não colocasse nada. Eu também gostaria que tudo que a gente fizesse, a gente conseguisse ter retorno com o ingresso, com as receitas da CBF e tal, mas isso não é a verdade, né? A verdade é que a gente vai ter que aportar dinheiro e a gente vai aportar o suficiente para que o Guarani esteja em uma condição boa. Se a gente conseguir vender jogador, fazer outras coisas com que esse valor seja menor ou zero, aí vai depender do que a gente vai conseguir fazer, nossa capacidade de gestão”, esclareceu.

Para Graziano, a construção de uma relação direta com a torcida também será parte do projeto. O empresário afirmou que não vê a pressão dos torcedores como um problema e considera a cobrança um elemento importante para a gestão.

“Você ter uma pressão da torcida, para mim, eu acho que ela é motivadora. Primeiro que você faz com que o time, quando está jogando, a torcida faz com que o time se impulsione. Eu acho que você ter gente lá torcendo, isso é muito bom. E do outro lado, quando você tem um outro jogador que às vezes não está em uma boa fase ou está fazendo um corpo mole, a torcida também pressiona”, iniciou.

“Então ela te ajuda no dia a dia a também fazer uma pressão que às vezes você não precisaria fazer. A própria torcida te faz. Então isso é importante. Eu acho que a torcida, ela motiva a gente para estar lá. E motiva a gente a ser melhor. Porque você também vai ser cobrado pelo teu trabalho. Eu acho que se você faz um bom trabalho, ele vai te aplaudir. E se você faz um mau trabalho, faz parte também do processo. Se ele pegar, criticar e colocar as ideias deles. Então eu não vejo problema nenhum da torcida. Eu acho que é muito mais benéfica do que ela ser ruim”, completou.

O empresário encerrou a entrevista reforçando que seu objetivo, caso a proposta seja aprovada, é trabalhar para recolocar o Guarani entre os principais clubes do futebol brasileiro.

“Eu só não consigo prometer que nós vamos estar na Série A amanhã ou depois da manhã. Mas eu vou estar incansável. Eu só vou desistir na hora que eu colocar o Guarani na posição que ele merece estar. Que é Série A do brasileiro e participando internacionalmente das melhores. Ou Sul-Americana ou Libertadores. Esse vai ser o meu objetivo e o meu trabalho do dia a dia”, encerrou.

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