Guarani: Graziano detalha prazo da SAF, investimentos e responde a dúvidas do Conselho
Empresário participou de reunião com conselheiros e explicou pontos da proposta que ainda serão discutidos antes da votação prevista para setembro
O que você precisa saber
- Roberto Graziano se reuniu nesta quinta-feira com o Conselho Deliberativo do Guarani para discutir os termos da proposta de SAF
- O encontro teve como objetivo buscar um consenso sobre os pontos que ainda geram dúvidas entre os conselheiros
- Entre os temas discutidos estão o prazo do contrato, os investimentos previstos e as obrigações relacionadas ao Brinco de Ouro
- A proposta atual prevê uma operação de até R$ 1,075 bilhão, considerando os diferentes investimentos e compromissos previstos
- Graziano também foi questionado sobre a cláusula que previa uma penalidade caso a proposta não fosse aprovada
- O empresário afirmou que está disposto a discutir ajustes antes da votação da proposta, prevista para o início de setembro
A reunião entre Roberto Graziano e o Conselho Deliberativo do Guarani nesta quinta-feira serviu também para que o empresário respondesse aos principais questionamentos levantados pelos conselheiros desde a apresentação inicial da proposta de SAF.
O encontro, realizado de forma presencial, não definiu a aprovação ou rejeição do projeto. A intenção é justamente avançar nas conversas para chegar a um texto que tenha consenso antes da votação prevista para o início de setembro.
Um dos pontos discutidos foi o prazo da operação. A proposta passou por diferentes interpretações em relação à duração do vínculo, e Graziano explicou como enxerga a questão.
Segundo o empresário, o objetivo é estabelecer uma relação de longo prazo com o Guarani, mas os termos precisam ser claros para todas as partes.
“Quando você faz um projeto desse tamanho, você não está pensando em dois, três ou cinco anos. Você está pensando em um projeto de longo prazo”, disse Graziano.
O empresário afirmou que o prazo precisa estar diretamente relacionado à capacidade de execução do projeto e aos investimentos previstos.
“Eu acho que é importante que isso fique muito claro para o Conselho, para o torcedor e para nós também. Não adianta colocar uma coisa no papel que depois não tenha condição de ser cumprida”, completou.
Outro assunto que gerou questionamentos foi o tamanho da operação. A proposta inicialmente apresentada ao Conselho era tratada na casa dos R$ 750 milhões, mas a versão mais recente passou a considerar compromissos que podem levar o valor total para aproximadamente R$ 1,075 bilhão.
O montante considera investimentos no futebol, pagamento de dívidas e outras obrigações previstas na estrutura da operação.
Graziano explicou que os valores não devem ser interpretados como um único depósito imediato nos cofres do clube.
“Não é simplesmente você pegar esse número e colocar todo esse dinheiro dentro do Guarani. Existem investimentos, existem obrigações, existem projetos que precisam ser executados”, afirmou.
De acordo com o empresário, a execução dos compromissos também será acompanhada pelo desempenho do próprio projeto e pela necessidade de investimentos ao longo do tempo.
“Você tem que fazer o dinheiro trabalhar. O importante é que aquilo que está colocado no contrato seja cumprido e que o Guarani tenha condição de fazer o futebol funcionar”, disse.
A situação financeira do clube também esteve entre os assuntos discutidos na reunião. O Guarani acumula compromissos financeiros e a proposta prevê recursos destinados justamente à reorganização das contas.
Graziano afirmou que o objetivo é atacar as dívidas sem deixar de investir no futebol.
“Você não pode pegar todo o dinheiro e simplesmente colocar no futebol e esquecer as dívidas. E também não pode fazer o contrário. Tem que encontrar um equilíbrio”, explicou.
“Se você não resolver a dívida, você fica sempre com um problema. Então a gente precisa organizar a casa e, ao mesmo tempo, fazer com que o futebol tenha condição de competir”, completou.
A cláusula que previa uma penalidade equivalente a 10% do valor da operação em caso de não aprovação também foi levada para a discussão.
O tema havia causado preocupação entre os conselheiros porque, na interpretação apresentada inicialmente, poderia representar uma obrigação ao Guarani mesmo sem a assinatura definitiva do contrato.
Graziano reconheceu que o assunto precisava ser esclarecido e afirmou que não existe interesse em manter no documento uma redação que gere insegurança jurídica.
“Eu acho que se existe uma cláusula que está gerando dúvida, ela tem que ser esclarecida. Não existe interesse nosso em deixar uma coisa que tenha interpretação dúbia”, afirmou.
O empresário também explicou que a negociação ainda não está encerrada e que os termos podem sofrer alterações até a votação.
“Se tiver alguma coisa que o Conselho entenda que precisa ser melhorada, vamos sentar e conversar. O objetivo aqui não é ganhar uma discussão. O objetivo é fazer um projeto que seja bom para o Guarani”, disse Graziano.
Outro ponto importante é a relação entre a proposta de SAF e as obrigações assumidas pelo empresário na aquisição do Brinco de Ouro, em 2015.
O Conselho questionou se os compromissos antigos deveriam estar vinculados à nova operação. Graziano explicou que a SAF foi estruturada justamente para permitir uma solução mais ampla para essas obrigações.
“Aquilo que existia antes continua existindo. O que a gente está fazendo agora é construir uma solução maior, que possa atender o Guarani e também resolver as obrigações que já estavam colocadas”, afirmou.
A ideia, segundo ele, é evitar que o clube fique preso a soluções isoladas e construir uma estrutura capaz de atender ao futebol, ao patrimônio e à relação com a torcida.
“Você não consegue separar tudo como se fossem coisas completamente diferentes. O que a gente está tentando fazer é encontrar uma solução que seja boa para todos os lados”, completou.
Graziano também reforçou que a reunião desta quinta-feira não tinha como objetivo pressionar os conselheiros pela aprovação da proposta.
“Eu vim aqui para explicar. Se tiver dúvida, pergunta. Se tiver alguma coisa que não está clara, vamos esclarecer. Se tiver alguma coisa que precisa mudar, vamos conversar”, disse.
“Eu não quero que o conselheiro vote sem entender aquilo que está votando. Acho que isso seria ruim para todo mundo, inclusive para nós”, completou.
Agora, os termos da proposta seguem em discussão antes da votação. A expectativa é que os ajustes debatidos com o Conselho sejam incorporados ao documento que será levado para apreciação dos associados no início de setembro.
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