Guarani: Galli explica duas votações da SAF e esclarece situação de Graziano com o São Bernardo

Guarani: Galli explica duas votações da SAF e esclarece situação de Graziano com o São Bernardo

Vice-presidente do Conselho Deliberativo detalhou processo antes da decisão de sexta-feira e afirmou que empresário terá de se desvincular do clube do ABC antes de assumir o Bugre

Continua após a publicidade

O Guarani entra na reta final do processo que pode transformar o clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Na próxima sexta-feira, os associados terão duas votações para definir o futuro da proposta apresentada pelo empresário Roberto Graziano.

Em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes Campinas, o vice-presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Galli, explicou como funcionará a assembleia, quais serão as perguntas feitas aos associados e o que acontece depois de uma eventual aprovação.

Galli também esclareceu a relação de Graziano com o São Bernardo e falou sobre mudanças no contrato, construção do novo estádio e os próximos passos do processo.

Duas votações na sexta-feira

Os associados não votarão apenas pela proposta de Roberto Graziano. Serão duas decisões independentes, realizadas de maneira simultânea.

A primeira será sobre a criação da própria SAF do Guarani. A segunda tratará da venda de 90% da empresa para o grupo de Graziano, conforme os termos apresentados ao clube.

“São duas votações que acontecem de maneira simultânea. Uma delas é aprovar a criação da SAF do Guarani. Essa já tem o parecer favorável do Conselho desde o ano passado para a criação da SAF e foi ratificado esse parecer neste ano. Então nós temos duas aprovações do Conselho para a criação. A segunda é: quer que venda 90% dessa SAF para a empresa do Roberto Graziano, na proposta que foi apresentada? Então, são duas votações independentes”, explicou Galli.

As duas votações exigem aprovação de dois terços dos associados que participarem da votação. O voto poderá ser presencial ou pela internet e não será secreto.

E se a SAF for aprovada?

Uma eventual aprovação na sexta-feira não significa que Graziano assumirá imediatamente o controle da SAF. Ainda haverá etapas relacionadas à constituição da empresa e ao processo de recuperação judicial.

Galli explicou que o Guarani deverá passar por uma etapa de concorrência dentro da recuperação judicial. Nesse cenário, a proposta de Graziano funcionaria como uma oferta-base, conhecida como stalking horse.

“Depois que o Guarani eventualmente aprovar a proposta, ele submete isso à recuperação judicial, que faz essa concorrência, e essa proposta seria mesmo o stalking horse. Entende-se nisso que o clube já aceitou aquilo com uma proposta mínima. Eventuais novos proponentes têm que buscar uma proposta melhor do que isso se quiserem”, explicou.

Segundo o dirigente, desde a contratação da Ernst & Young para auxiliar o Guarani na busca por investidores, a proposta de Graziano foi a única apresentada formalmente ao clube.

Graziano terá de se desvincular do São Bernardo

A relação de Roberto Graziano com o São Bernardo também foi abordada durante a entrevista.

Segundo Galli, o empresário terá de se desvincular completamente do clube do ABC antes de assumir qualquer posição relacionada à SAF do Guarani.

“Ele disse que, evidentemente, vai ter que se desvincular do São Bernardo. O São Bernardo eu acho que não está em nome dele, está em nome, salvo engano, do filho dele, mas vai ter que se desvincular, que é essa mesma relação, relação familiar e que não pode ser mantida. Então, ele teria que se desvincular do São Bernardo antes de oficialmente se vincular ao Guarani”, afirmou.

O Portal CB apurou que Ricardo Graziano, filho de Roberto, é o responsável pela SAF do São Bernardo. Dessa forma, caso a proposta seja aprovada, Roberto Graziano terá de deixar qualquer eventual cargo ou função que mantenha na estrutura da SAF do clube do ABC antes de assumir formalmente uma posição no Guarani.

Mudanças no contrato

Galli também explicou que parte das alterações feitas na proposta original ocorreu por causa de mudanças na legislação das SAFs. Segundo ele, algumas cláusulas precisaram ser modificadas para que o contrato permanecesse válido.

“Na primeira proposta nós tivemos algumas cláusulas modificadas, até porque tinham algumas que não poderiam prosseguir, eram ilegais. A lei da SAF se alterou em junho e essa proposta seria apresentada um pouco antes daquela anulação das eleições. Então, como a alteração da lei foi posterior, tinha questões que precisavam ser alteradas de qualquer maneira, senão o contrato não seria válido.”

Além dessas mudanças obrigatórias, o Conselho apresentou pedidos para ampliar as garantias do Guarani. Entre os pontos ainda discutidos estão multas previstas no contrato.

“Nós pedimos alterações pontuais de multa, uma diminuição de multa. Há algumas multas que falam em 10% do valor total que será aportado, então nós entendemos que a multa tem que estar vinculada ao valor que já foi aportado, já foi gasto”, explicou Galli.

Novo estádio não tem prazo definido

Um dos pontos que mais geram dúvidas entre os torcedores é o prazo para construção do novo estádio, do CT e das demais estruturas previstas na proposta.

Galli afirmou que o contrato não estabelece uma data para a entrega dos equipamentos.

“Não existe prazo, até porque não foi feito um contrato na Justiça do Trabalho, foi feito um acordo na Justiça do Trabalho, e esse acordo é muito aberto. Então ele carece de algumas definições e não dá um prazo para a construção do CT, do clube e do estádio novo”, explicou.

Segundo ele, existe uma condição para que o Guarani deixe o Brinco de Ouro: a entrega das três novas estruturas.

“O que existe ali é uma cláusula que o Guarani só vai deixar o Brinco de Ouro com a entrega dos três equipamentos”, afirmou.

Como será utilizado o R$ 1,075 bilhão?

Outro ponto esclarecido por Galli foi o valor total previsto na proposta de Roberto Graziano. Os R$ 1,075 bilhão não serão necessariamente depositados de uma única vez na conta do Guarani.

“O pagamento vai ser feito pagando-se as dívidas que o Guarani tem, construindo-se um estádio melhor, construindo-se um CT melhor, investindo no futebol. Então, são essas as maneiras que é feito o pagamento”, explicou.

O dirigente afirmou ainda que o valor previsto na proposta é adicional às obrigações já estabelecidas no acordo da Justiça do Trabalho.

Segundo encontro com associados

Depois da primeira reunião realizada na segunda-feira, Roberto Graziano terá novo encontro com associados do Guarani nesta quarta-feira. O empresário esteve no primeiro encontro acompanhado de seu advogado, enquanto representantes da Ernst & Young e da equipe responsável pela recuperação judicial também participaram.

A expectativa é que os últimos pontos do contrato sejam discutidos antes da assembleia de sexta-feira.

Siga e Compartilhe nas Redes Sociais

Portal CB no YouTube! Acompanhe vídeos do time do seu coração com informação, debate e curiosidades. Gols, comentários e entrevistas todos os dias com a Equipe de Carlos Batista. Se inscreva no canal e ative as notificações. Clique aqui e acesse.

Continua após a publicidade
Siga e Compartilhe nas Redes Sociais