Guarani: Fernando Pereira relembra origem da Guerreiros da Tribo e critica cenário político do clube

Guarani: Fernando Pereira relembra origem da Guerreiros da Tribo e critica cenário político do clube

Pesquisador participou da fundação da torcida organizada em 1976, resgatou registros históricos do Bugre e vê disputa por poder como obstáculo ao futuro alviverde

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O que você precisa saber

  • Fernando Pereira participou da fundação da Guerreiros da Tribo, em novembro de 1976.
  • Pesquisador relembrou jogos em que Guarani e Ponte Preta mandaram partidas nos estádios rivais.
  • Trabalho de Fernando ajudou a recuperar registros dos primeiros anos do Bugre e a corrigir informações sobre o histórico do Derby.
  • Em entrevista ao Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes de Campinas, ele criticou disputas políticas e interesses pessoais no clube.
  • Fernando também divulgou materiais históricos disponíveis gratuitamente para torcedores.

Fernando Pereira relembra fundação da Guerreiros da Tribo

O historiador e pesquisador do Guarani Fernando Pereira relembrou a origem da Guerreiros da Tribo, uma das principais torcidas organizadas do clube. Em entrevista ao Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes de Campinas, ele contou que participou da fundação do grupo, em novembro de 1976, após uma divisão na então Torcida Uniformizada do Guarani (TUG).

Fernando começou a acompanhar torcidas organizadas em 1970, quando passou a fazer parte da Torcida Jovem. O grupo mudou de nome para Jovens da Tribo em 1973. Três anos depois, uma cisão levou à criação da TUG.

A separação provocou atritos entre os grupos, inclusive em caravanas e dentro do estádio. Segundo Fernando, dois torcedores, Aloysio dos Santos e Jurandir dos Santos, convenceram os envolvidos de que o Guarani precisava de uma torcida unificada.

“Dali nasceu a Guerreiros da Tribo”, relembrou.

Fernando permaneceu na organizada por pouco tempo. Em 1978, começou a trabalhar na FEPASA, cursava faculdade e passou a se dedicar a outras atividades. Naquele mesmo ano, tornou-se conselheiro do Guarani. Ele, porém, guarda boas lembranças do período e destacou a participação da Guerreiros na campanha do título brasileiro de 1978.

Pesquisador recuperou registros da história do Guarani

O trabalho de Fernando como pesquisador começou a ganhar força a partir de uma investigação sobre o histórico do Derby. Ao lado de Celso Franco de Oliveira Filho e de integrantes do grupo Taba, ele ajudou a revisar registros de confrontos entre Guarani e Ponte Preta.

A pesquisa identificou partidas que apareciam em retrospectos sem comprovação documental, além de jogos vencidos pelo Guarani que não constavam nas listas divulgadas. O levantamento foi publicado no suplemento A Verdadeira História dos Derbys.

Fernando também encontrou documentos em arquivos de jornais de Campinas preservados no Arquivo Público do Estado de São Paulo. A partir desses registros, passou a investigar os primeiros jogos, as diretorias e os anos iniciais do clube.

O trabalho deu origem a publicações como A Sombra das Palmeiras Imperiais e Os Primeiros Passos de um Campeão, que reúne informações sobre a trajetória do Guarani até o título campineiro de 1916. Uma edição posterior ampliou o levantamento até 1920.

O pesquisador também reuniu fotografias raras e documentos sobre a história alviverde. A intenção, segundo ele, é organizar o material e doá-lo ao Centro de Memória da Unicamp, para preservar o acervo produzido ao longo de décadas.

Jogos entre Guarani e Ponte em estádios rivais

Durante a entrevista, Fernando também relembrou partidas em que Guarani e Ponte Preta atuaram como mandantes nos estádios um do outro.

Segundo o levantamento apresentado por ele, o Guarani disputou oito jogos no Moisés Lucarelli. O primeiro ocorreu em 1952, em um triangular amistoso que também contou com Ponte Preta e Bangu. O Bugre venceu o time carioca por 3 a 1.

O último jogo citado por Fernando foi o empate entre Guarani e Corinthians, em 19 de março de 1998, no Majestoso.

Já a Ponte Preta disputou 11 partidas no Brinco de Ouro, de acordo com a pesquisa do historiador. A primeira ocorreu em 3 de julho de 1977, quando a Macaca cumpriu uma punição de perda de mando de campo contra o Palmeiras.

Fernando contou que presenciou a partida, vencida pelo time alviverde por 4 a 3, e relatou episódios de violência nas arquibancadas. Em 1981, a Ponte voltou a jogar no Brinco de Ouro, desta vez contra o Santos, e venceu por 1 a 0.

Em 1984, durante uma reforma no gramado do Moisés Lucarelli, a equipe alvinegra mandou nove partidas do primeiro turno do Campeonato Paulista no estádio do Guarani. Uma delas foi um Derby, com mando da Ponte.

Fernando critica disputas políticas no Guarani

Ao avaliar o momento atual do clube, Fernando afirmou que acompanha com tristeza a situação política e financeira do Guarani. O pesquisador comparou o cenário recente com períodos em que, segundo ele, dirigentes conseguiram conduzir o clube durante momentos de crise.

“Parece aquela história do dividir para conquistar”, afirmou.

Fernando criticou o que considera uma busca por poder e interesses particulares entre grupos políticos. Na avaliação dele, essas disputas desviam o foco do objetivo principal: a sobrevivência e o crescimento do Guarani.

O pesquisador também demonstrou preocupação com a situação patrimonial do clube e questionou o caminho adotado nos últimos anos. As declarações representam a avaliação pessoal de Fernando sobre o cenário alviverde.

Materiais históricos estão disponíveis aos torcedores

No encerramento da entrevista, Fernando divulgou materiais produzidos por ele e Celso Franco sobre a história do Guarani. Três publicações do período da Taba foram disponibilizadas em PDF, com acesso gratuito.

Outros sete arquivos estão no site Planeta Guarani, na seção de conteúdo histórico. Os materiais incluem informações sobre os maiores artilheiros do Brinco de Ouro, jogadores convocados para seleções brasileiras, a biografia de Zuzu e fichas técnicas de partidas internacionais.

Fernando orientou os torcedores a buscar no Google por “Planeta Guarani – conteúdo histórico” para encontrar a página com os arquivos.

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