Guarani: Elio Sizenando responsabiliza Rômulo Amaro por crise e critica planejamento do clube

Guarani: Elio Sizenando responsabiliza Rômulo Amaro por crise e critica planejamento do clube
Foto de Raphael Silvestre

Ex-técnico afirma que diretoria falhou na gestão financeira, questiona salários assumidos na Série C e diz que faltou respaldo durante os atrasos de pagamentos

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O que você precisa saber

  • Elio Sizenando afirmou que o presidente Rômulo Amaro foi o principal responsável pela situação que levou o Guarani a não conquistar o acesso à Série B.
  • O ex-treinador criticou a contratação de jogadores com salários elevados para a disputa da Série C.
  • Segundo Elio, os atrasos de pagamentos provocaram tensão no elenco, enquanto as promessas de regularização não se concretizavam.
  • O técnico disse que faltou presença da direção para resolver o problema e afirmou ter se sentido desrespeitado quando foi demitido.
  • Elio também questionou as cláusulas de renovação automática nos contratos e considerou um erro o planejamento para a temporada.

O ex-técnico do Guarani, Elio Sizenando, fez críticas à diretoria do clube em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes de Campinas, na segunda-feira. Ao comentar a eliminação na primeira fase da Série C do Campeonato Brasileiro, o treinador responsabilizou o presidente Rômulo Amaro pela condução financeira e pelo planejamento do elenco.

Para Elio, os problemas que atingiram o Bugre durante a competição não podem ser atribuídos apenas ao trabalho da comissão técnica ou ao desempenho dos jogadores. O treinador afirmou que o clube tinha condições de conquistar o acesso, mas faltou organização administrativa.

“Eu fiz o meu melhor dentro do Guarani, fizemos grandes jogos, grandes partidas. Eu acho que poderia, sim, ter classificado e, se tivesse melhor organizado, principalmente vindo lá de cima, acho que teria uma chance de subir”, declarou.

Elio aponta Rômulo como principal responsável

O ex-treinador foi questionado sobre a responsabilidade do presidente na crise que atingiu o elenco durante a Série C. Na resposta, criticou a gestão dos compromissos financeiros e a decisão de montar um grupo com salários que, na avaliação dele, não condiziam com a realidade da competição.

“Para mim, é o maior culpado. Quem é o gestor, quem deixou fazer, trazer jogadores com todo respeito”, afirmou.

Elio argumentou que a diretoria deveria ter avaliado a capacidade de pagamento antes de assumir os contratos. Para ele, a Série C exige planejamento financeiro compatível com as receitas da competição.

“Se você tem uma casa, você sabe que vai estourar”, disse, ao comparar a situação do clube com o orçamento doméstico.

O treinador também questionou os valores salariais de parte do elenco. Na avaliação dele, um clube da terceira divisão não deveria assumir compromissos elevados sem ter condições de honrá-los.

Atrasos provocaram tensão no elenco

Elio relatou que os problemas financeiros começaram a ganhar força depois da vitória sobre o Caxias, quando o Guarani chegou a uma pontuação que mantinha a equipe em boas condições na disputa pelo acesso.

Segundo o treinador, a partir daquele momento os jogadores passaram a cobrar os pagamentos, enquanto as respostas da diretoria não resultavam em uma solução.

“Já começou a exaltação dentro do grupo de atletas ali: vai pagar, não vai pagar, promete, não promete. E nunca a situação era resolvida”, contou.

O técnico afirmou que tentou intervir ao lado do executivo de futebol Carlos Frontini quando os jogadores ameaçaram interromper as atividades, mas os dois não conseguiram solucionar o impasse.

Na avaliação de Elio, faltou alguém da direção para assumir diretamente a responsabilidade pela situação.

“Não teve ninguém ali para chegar também, ninguém chegar e peitar, falar: não. Não tinha ninguém no clube naquele dia”, relatou.

Ele também afirmou que os atletas queriam respostas dos dirigentes, e não apenas conversas com o executivo ou com a comissão técnica.

Treinador diz que faltou respaldo da diretoria

Elio afirmou que sua maior decepção no período em que trabalhou no Guarani foi a postura da direção. Segundo ele, os jogadores ficaram incomodados com os atrasos, mas continuaram treinando e cumprindo as atividades.

“Para mim foi a direção, né? A direção deixou muito a desejar. Os jogadores trabalharam. Eles ficaram nervosos da questão de pagamento, porque eles não estavam vendo solução, mas nunca deixaram de trabalhar, nunca deixaram de obedecer, de treinar”, declarou.

O treinador também disse ter considerado desrespeitosa a forma como ocorreu sua saída. Demitido antes da última rodada da primeira fase, ele afirmou que não recebeu uma explicação sobre quando seria pago após o desligamento.

“Quando eu fui demitido, no domingo, no período da tarde ali, agradeci, falei para o Rômulo que um dos maiores culpados era ele e segui minha vida”, relatou. “Ele demitiu e não falou quando ia me pagar, não falou como seria. É uma falta de respeito que achei muito grande.”

Elio também avaliou que deveria ter comandado a equipe na última partida, contra o Brusque. Para ele, a troca de treinador às vésperas de um jogo decisivo pode transmitir aos jogadores a ideia de que a responsabilidade pelo resultado recai apenas sobre o técnico.

Críticas ao planejamento e aos contratos

Outro ponto da entrevista foi a política de contratação e renovação de atletas. Elio questionou cláusulas que estendem automaticamente os vínculos de acordo com o número de participações em jogos.

O assunto ganhou relevância após a ação trabalhista do meia Isaque, que pede o reconhecimento de uma renovação automática até dezembro de 2027 por ter atingido a meta de titularidades prevista em compromisso com o clube.

Sem discutir apenas o caso individual, o ex-treinador criticou esse modelo de planejamento para equipes que disputam competições com calendários diferentes.

“Eu vejo um erro muito grande. Esse negócio de renovação automática”, afirmou.

Elio argumentou que a diretoria precisa considerar se um jogador contratado para a Série C continuará atendendo às necessidades de um eventual elenco para a Série B. Na visão dele, renovações automáticas podem comprometer o planejamento do treinador seguinte e gerar custos adicionais.

“Então, para mim, é um equívoco muito grande em relação ao planejamento de um clube desse tamanho”, concluiu.

Ex-técnico não vê jogadores da base prontos para assumir o time

Elio também rebateu a avaliação de que poderia ter utilizado mais atletas das categorias de base durante a temporada. Segundo ele, não encontrou jogadores suficientemente preparados para assumir responsabilidades no profissional durante a disputa da Série C.

O treinador citou Vitinho e Kevin como atletas que poderiam ganhar espaço, mas afirmou que o processo de formação exige tempo e experiência em campo.

“Se eu tivesse jogadores da base preparados para jogar, eu teria colocado, isso é fato”, disse.

Após deixar o Guarani, Elio acertou com o Capivariano para comandar a equipe no Campeonato Paulista de 2027.

O Guarani terminou a primeira fase da Série C com 28 pontos, na décima colocação, e não conseguiu avançar ao quadrangular decisivo. O clube agora trabalha na montagem do elenco para 2027 em meio aos atrasos financeiros e à negociação para a venda de 90% da futura SAF a Roberto Graziano, cuja proposta será votada pelos associados em 19 de novembro.

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