Guarani: Jonathan Costa admite preocupação com salários, mas garante “vestiário unido” e “fechado com Elio”
Zagueiro afirma que grupo está fechado com Elio Sizenando, lembra período de seis meses sem receber no Avaí e pede foco na reta final da Série C
O que você precisa saber
- Jonathan Costa voltou ao time do Guarani na última rodada, após quase dois meses afastado por uma lesão no joelho
- O zagueiro minimizou os relatos de desgaste entre o elenco e o técnico Elio Sizenando
- Segundo Jonathan, o grupo está unido e concentrado na classificação ao quadrangular final
- O defensor reconheceu que jogadores que recebem menos oportunidades podem ficar frustrados, mas considera a situação natural dentro de um elenco profissional
- Jonathan também admitiu que os atrasos salariais preocupam os jogadores e revelou que já viveu situação semelhante no Avaí
- No clube catarinense, segundo o zagueiro, ele ficou seis meses sem receber e relacionou os problemas financeiros à perda do acesso
- O Guarani tem 27 pontos e ocupa a quarta colocação da Série C, três pontos à frente do Amazonas, primeiro time fora do G-8
O zagueiro Jonathan Costa voltou ao time do Guarani em um momento de pressão dentro e fora de campo. Depois de quase dois meses afastado por uma lesão no joelho, o defensor foi titular no empate por 2 a 2 com o Ypiranga e agora se prepara para as duas últimas rodadas da primeira fase da Série C.
Em entrevista coletiva, Jonathan foi questionado sobre o ambiente no vestiário e minimizou os relatos de desgaste entre parte do elenco e o técnico Elio Sizenando. O jogador afirmou que o grupo permanece unido e concentrado na busca pela classificação.
“Desde quando eu cheguei aqui, é um grupo fantástico montado pelo Guarani. Nunca teve desgaste, cara. É notícia ruim que, infelizmente, roda sete vezes mais do que a notícia boa. Mas não tem nada disso aqui. A gente está bem, está focado. O grupo é fantástico e está fechado”, afirmou.
Jonathan reconheceu que existe frustração entre jogadores que estão recebendo menos oportunidades, mas tratou a situação como parte da rotina de um elenco profissional.
“Infelizmente, cara, só joga onze. Alguns jogadores vão ficar chateados mesmo. Isso acontece. Mas a gente está focado, a gente está junto. É manter esse respeito entre nós e vamos seguir”, completou.
O discurso acontece depois de uma sequência de resultados que aumentou a pressão sobre o Bugre. Nas últimas sete rodadas, o time venceu apenas uma partida, empatou três e perdeu outras três. Mesmo assim, permanece dentro do G-8 e depende das próprias forças para avançar.
Para Jonathan, o principal problema está na dificuldade de transformar o controle das partidas em resultados. O zagueiro citou os jogos contra Anápolis e Ypiranga, nos quais o Guarani deixou pontos escaparem depois de situações favoráveis.
“A gente está um pouco ansioso de fazer os pontos logo para estar classificado, mas o futebol se resolve em detalhes. Vai afunilando cada jogo em uma final. A gente tem que encarar isso”, analisou.
O defensor entende que o Guarani precisa mudar a postura justamente no momento de definir os jogos.
“A gente tem controlado o maior tempo das ações dentro de campo e alguns descuidos nossos, porque a gente está tomando os gols. E não é só fazer um bom jogo que a gente vai ganhar. Acho que a gente está amadurecido agora para fazer e ganhar o jogo. Ganhar o jogo, não importa se vamos jogar bem ou mal, a gente precisa ganhar o jogo para classificar”, completou.
Além da questão esportiva, Jonathan também falou sobre a situação financeira do clube. O Guarani ainda convive com atrasos salariais, enquanto a diretoria trabalha paralelamente nas discussões para a transformação do clube em SAF.
O zagueiro afirmou que os jogadores conversam com o presidente Rômulo Amaro sobre o assunto, mas que existe um esforço dentro do elenco para não permitir que os problemas extracampo interfiram na campanha.
“A gente fez algumas reuniões, mas colocamos na nossa cabeça que a gente tem que focar no trabalho. A gente está fechado com a comissão, com todo mundo. A gente trabalha, a gente quer receber. Mas a gente deixa na mão do Rômulo, a gente conversa com ele. Ele falou que está fazendo o possível, então a gente tem que fazer o possível também”, explicou.
Jonathan também fez um alerta sobre o risco de os atrasos se tornarem algo recorrente no futebol brasileiro.
“Espero que não fique normalizado isso na nossa cultura. Espero que mude, que cheguem patrocinadores, que ajudem. Os dirigentes também veem o orçamento do clube, como é que funciona, se tem como não comprometer com o comprometido. A gente espera que melhore. É muito difícil para nós”, afirmou.
A preocupação tem relação com uma experiência que o próprio jogador viveu no Avaí. Antes de chegar ao Guarani, Jonathan passou pelo clube catarinense e revelou ter ficado seis meses sem receber durante uma campanha de Série B.
“Não subimos por causa disso também. Esses atrasos atrapalham. Fiquei seis meses sem receber lá. Teve gente que precisou ir embora, levar a família, porque não tinha condições de permanecer em Florianópolis. Espero que mude isso no futebol brasileiro”, contou.
Apesar da situação, Jonathan reforçou que o elenco do Guarani pretende manter o foco exclusivamente na classificação. O Bugre ocupa a quarta posição, com 27 pontos, três à frente do Amazonas, primeiro time fora do G-8.
O próximo compromisso será contra o Botafogo-PB, neste sábado, às 17h, no Almeidão, em João Pessoa. Na última rodada da primeira fase, o Guarani recebe o Brusque no Brinco de Ouro.
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