Ponte Preta: Elvis sobe o tom, critica Torrano e Eberlin e pede saída da atual diretoria

Ponte Preta: Elvis sobe o tom, critica Torrano e Eberlin e pede saída da atual diretoria
Foto de Marcos Ribolli

O que você precisa saber

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  • O capitão Elvis fez um duro pronunciamento após a derrota da Ponte Preta para o Criciúma, no Moisés Lucarelli;
  • O camisa 10 criticou o presidente Luiz Torrano e o vice-presidente Marco Antonio Eberlin pelas promessas não cumpridas ao elenco;
  • O meia afirmou que os dirigentes priorizam discursos públicos enquanto deixam de conversar diretamente com os jogadores;
  • Elvis também questionou a contratação de reforços em meio aos atrasos salariais e ao transfer ban;
  • O jogador pediu que a atual diretoria deixe o comando do clube caso não consiga solucionar a crise financeira;
  • A Ponte Preta não vence há 11 rodadas na Série B e segue na vice-lanterna da competição.

Capitão faz forte desabafo após nova derrota

A derrota da Ponte Preta para o Criciúma, por 2 a 1, na noite desta quarta-feira, terminou com um dos pronunciamentos mais contundentes de um jogador do elenco desde o início da crise financeira vivida pelo clube.

Capitão da equipe, Elvis pediu a palavra na zona mista do Moisés Lucarelli e fez duras críticas ao presidente Luiz Torrano e ao vice-presidente Marco Antonio Eberlin, cobrando uma postura diferente da diretoria diante dos atrasos salariais que afetam o grupo há meses.

Segundo o camisa 10, os jogadores convivem diariamente com dificuldades financeiras enquanto acompanham anúncios de reforços e pronunciamentos públicos da diretoria.

“A gente tem família. Tem que vir falar com a gente, não ficar falando em podcast. Vem falar com o jogador, vem dar a cara para bater. Desse jeito é fácil.”

“Estão brincando com nossas vidas”

Durante o desabafo, Elvis afirmou que os atletas estão sendo desrespeitados pela condução da crise e criticou as declarações recentes de que o clube passa apenas por uma reformulação.

“Ficam falando que estão reformulando. Reformulando o quê? E a gente que está aqui? A gente é palhaço para ficar do jeito que está? Estão brincando com nossas vidas.”

O meia também questionou o planejamento da diretoria para a contratação de novos jogadores.

“Agora contrataram um monte de jogador. Tomara que cheguem para ajudar. Mas vão pagar o transfer ban. E o dinheiro para pagar quem já está aqui? Essa é a pergunta.”

Pedido para que a diretoria deixe o clube

Em um dos momentos mais fortes da entrevista, Elvis afirmou que, caso a atual gestão não consiga encontrar recursos para tirar a Ponte da crise, o melhor caminho seria deixar o comando do clube.

“No futebol é simples. Se você não consegue trazer recurso, saia. Abra as portas para quem consiga. Não é feio dizer que não conseguiu. Agora, ficar mentindo para a gente? Isso não existe.”

O jogador ainda reforçou que o problema da Ponte Preta vai além do desempenho dentro de campo.

“A Ponte Preta é muito grande para estar sofrendo o que está sofrendo. E não é culpa só nossa. Ainda dá tempo de mudar, mas precisa organizar o clube.”

“Não vou abandonar o clube”

Mesmo admitindo arrependimento por ter recusado propostas para permanecer no Moisés Lucarelli, Elvis garantiu que seguirá defendendo a Ponte Preta até o fim da temporada.

Segundo ele, abandonar o clube neste momento nunca foi uma opção.

“Eu tive quatro propostas e quis ficar porque acreditei que ia melhorar. Errei nessa escolha, já falei isso para minha família. Mas agora vou até o fim. Se a Ponte cair para a Série C, eu vou cair junto, olhando na cara de todo mundo.”

O camisa 10 também afirmou que não teme represálias pelas declarações.

“Se quiserem me mandar embora, podem mandar. Eu pego minhas coisas e vou embora com a consciência tranquila. Estou dando o meu melhor. Agora, quero ver alguém trabalhar meses sem receber.”

As declarações acontecem no momento mais delicado da temporada alvinegra. A Ponte Preta acumula 11 partidas sem vitória, com 10 derrotas e um empate, ocupa a vice-lanterna da Série B e vê o risco de rebaixamento crescer a cada rodada.

Nos bastidores, o clube tenta regularizar pendências financeiras, derrubar o transfer ban e reformular o elenco para o segundo turno. Dentro de campo, porém, a forte manifestação de uma das principais lideranças do grupo evidencia que a crise ultrapassou os resultados e atingiu diretamente a relação entre jogadores e diretoria.

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