Ponte Preta: “A torcida não merece passar por isso”, opina Tigrão
Por Valdemir Gomes
A derrota da Ponte Preta para o Atlético-GO praticamente terminou aos 19 minutos do primeiro tempo. O placar de 2 a 0 foi construído em cima de dois erros da própria Macaca: primeiro no pênalti cometido por Lucas Cunha e, logo depois, na saída de bola equivocada de Danilo Barcelos. Foram dois gols entregues ao adversário.
O que mais preocupa, porém, não é apenas o resultado. É a completa incapacidade de reação. A Ponte sofre um gol, depois sofre outro, e continua jogando exatamente da mesma maneira. Não acelera, não pressiona, não empurra o adversário para trás. É um time conformado com a derrota.
O Atlético-GO percebeu rapidamente que não seria ameaçado. Fez o resultado cedo e passou a administrar a partida. Nem precisou forçar o ritmo. Descansou em cima da vantagem porque a Ponte simplesmente não ofereceu perigo.
A única chance clara surgiu por um erro grotesco da defesa goiana, não por mérito da equipe campineira. Brandão saiu cara a cara com o goleiro e desperdiçou uma oportunidade que um centroavante profissional não pode perder. Era escolher o canto. Nem isso aconteceu.
O retrato desse time é preocupante. Vejo uma equipe tecnicamente limitada, fisicamente combalida e emocionalmente em frangalhos. Um time sem confiança, sem personalidade e completamente desconectado dentro de campo. Os setores não conversam entre si. Os zagueiros abusam das ligações diretas, o meio-campo não cria e o ataque vive isolado.
A impressão é de que os jogadores entram em campo apenas para cumprir tabela. Falta intensidade, falta imposição e, principalmente, falta inconformismo. Se a qualidade técnica não permite grandes atuações, o mínimo que se espera é entrega. Nem isso a Ponte tem conseguido mostrar.
Não ignoro todos os problemas administrativos que cercam o clube. Os atletas talvez sejam as maiores vítimas dessa situação. Mas, uma vez dentro de campo, é preciso competir, disputar cada bola, guerrear. A Ponte chega atrasada em praticamente todos os lances, erra uma quantidade enorme de passes e demonstra uma desconcentração assustadora.
O placar foi absolutamente justo. Se não terminou em goleada, foi porque Guilherme Viana, estreando no profissional, fez boas defesas e evitou um prejuízo ainda maior.
O que mais entristece é perceber que esta equipe representa uma das páginas mais melancólicas dos 126 anos de história da Ponte Preta. É uma mancha para um clube tão tradicional.
E talvez o sinal mais preocupante esteja fora das quatro linhas. O torcedor está se afastando. O Majestoso registrou pouco mais de 1.400 pessoas na última rodada. Além de perder jogos, a Ponte começa a perder seu maior patrimônio: a torcida.
A torcida da Ponte Preta não merece passar por isso. Não merece ver um time aceitar a derrota com tanta naturalidade. Os responsáveis precisam assumir essa situação e agir com urgência, porque o maior patrimônio do clube está, aos poucos, deixando de acreditar.
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