Ponte Preta: “Só lutar não basta, é preciso jogar futebol”, analisa CH
Por Carlos Henrique
Eu comecei o trabalho nesta partida com uma expectativa muito grande em relação ao trabalho do Zanardi. Tivemos uma semana cheia de treinos e alguns jogadores que não atuaram na penúltima partida estavam de volta e à disposição. O que eu imaginei? Poxa, a Ponte vai ter condição de fazer algo mais organizado dentro de campo.
Infelizmente, a equipe não conseguiu fazer isso graças à besteira que o zagueiro Márcio Silva cometeu. Em uma bola na intermediária, não havia a menor necessidade da entrada que ele deu no Rômulo. Ainda bem que não machucou o jogador adversário, porque o peso e o tamanho dos dois atletas tornavam o lance desproporcional. Márcio atingiu o camisa 10 do Novorizontino com a sola da chuteira no tornozelo e foi expulso corretamente. O grande problema é que isso aconteceu logo aos 15 minutos do primeiro tempo.
Até aquele presente momento, o jogo era feio: só trombada, rabo de arraia e voadora. Futebol mesmo, não tinha. Mas, com um a menos, o cenário mudou completamente:
- O Novorizontino se soltou e aproveitou os espaços;
- A Ponte Preta foi obrigada a recuar as suas linhas;
- A partida virou um verdadeiro massacre de “ataque contra defesa”.
Como bem destacou o Roger Williams na transmissão, em alguns momentos o Novorizontino chegou a ter 80% ou 85% de posse de bola. Só deu o time da casa.
O que mais chama a atenção — e aqui uso o meu “achômetro” do que pode estar acontecendo — é que, nitidamente, os jogadores da Ponte Preta estão completamente desequilibrados emocionalmente. Quem não assistiu ao jogo e depois for ver os lances pela internet vai notar a quantidade de atitudes desnecessárias.
Além da expulsão do Márcio, tivemos a lambança que fez o goleiro Diogo Silva. É um profissional que tem o nosso inteiro respeito, mas o que ele fez foi um lance de futebol amador.
E não parou por aí. Ainda no primeiro tempo, o André Lima perdeu uma posse de bola, saiu correndo atrás do jogador do Novorizontino — que estava voltando para o seu próprio campo de defesa — e meteu um pontapé nele. A arbitragem fez vista grossa, mas era lance para expulsão direta também.
É nítida a dificuldade da Macaca quando enfrenta um adversário que tem um time muito melhor. E para piorar, os nossos jogadores cometem essas barbariedades em campo. É uma parte puramente emocional.
A Ponte guerreou pra caramba, os jogadores lutaram até o fim. Tanto é que, mesmo com o placar de 2 a 0 contra, no campo da Ponte, a torcida não vaiou o time no encerramento da partida. O torcedor reconheceu o esforço e viu que a equipe lutou. Só que não basta só lutar. É preciso jogar minimamente um pouco de futebol, e a Ponte não tem tranquilidade e nem peças para isso no momento.
Foi uma derrota absolutamente previsível dentro daquilo que passamos a imaginar no decorrer do confronto. Eu só esperava que a Ponte terminasse a partida com 11 jogadores, mas, infelizmente, terminou com 10 mais uma vez. Vitória correta do Novorizontino.
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