Guarani: “O Guarani não foi a Aracaju”, analisa Tigrão

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Foto de Raphael Silvestre

Por Valdemir Gomes

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O Guarani não foi a Aracaju. Perdeu o jogo e foi muito mal no primeiro tempo. A equipe só não saiu derrotada parcialmente na primeira parte do espetáculo porque o seu goleiro, Caíque França, operou três grandes defesas. A zaga, que a gente temia que não fosse dar conta do recado, acabou confirmando essa nossa expectativa.

É bem verdade que, quando levantamos os números do Confiança, a preocupação diminuía, já que a equipe sergipana havia feito apenas quatro gols em dez jogos. Claro, esse time não marcava gol em ninguém. Mas a zaga do Guarani não conseguiu se ajeitar: Rafael Donato marcando pelo lado direito, Raphael Rodrigues pelo lado esquerdo, Rayan muito mal posicionado e jogando mal, e o menino Renan Castro tentando apoiar pelo lado esquerdo, não produzindo e ainda tomando bolas nas costas ali pelo lado direito a todo momento.

O Guarani caminhava a passos largos para sofrer o gol ainda no primeiro tempo. Mas aí apareceu Caíque França com três grandes defesas, e o Bugre saiu no lucro — rigorosamente no lucro — na etapa inicial, levando para o vestiário o placar de 0 a 0. Esse resultado não mostrava com nitidez e realidade aquilo que foi a primeira parte, quando a equipe sergipana foi bem melhor.

No comentário do intervalo, eu dizia o seguinte: olha, o Guarani tem que mudar a sua postura. O Guarani tem que jogar mais bola e tem que entrar no jogo. Do contrário, vai queimar a língua de todos nós, que atribuímos favoritismo a ele, e vai acabar colhendo uma derrota em Aracaju, sendo derrotado pelo Confiança, que é o 19º colocado da competição.

E não deu outra. O Guarani voltou para o segundo tempo ainda mais lento, ainda mais desconcentrado. Já a um minuto e trinta, numa falta lateral pelo lado direito, o PK — para mim o melhor jogador em campo, número 10 da equipe do Confiança — cruzou fechado. Caíque França errou o tempo da bola, perdeu o tempo, não conseguiu socar e saiu mal do gol. O Raphael Rodrigues, que estava com o jogador que cabeceou, também não foi e ficou assistindo. O Caíque foi muito mal, e Maikon Aquino aproveitou para fazer 1 a 0.

Logo depois, uma outra falta no mesmo setor, quase um replay da primeira. Vai lá de novo o tal do PK, canhoto do lado direito, e bate fechado. Quem é que aparece? Maikon Aquino, o mesmo cara, aos oito minutos, para fazer 2 a 0. Estavam no lance o Raphael Rodrigues e também o Rian, que tropeçou nas próprias pernas, caiu e acabou dando mole. Em cima disso, o Confiança ampliou.

Para acabar de atrapalhar todo o planejamento do Elio Sizenando, aos 12 minutos o Nathan Melo é expulso. Ele tinha tomado um cartão amarelo bobo no primeiro tempo e fez uma falta providencial na entrada da área do Guarani, impedindo que o jogador do Confiança progredisse com a bola e saísse na cara do Caíque França. Falta, matou a jogada, foi expulso.

E aí, jogando mal, com a zaga parecendo uma peneira, mal posicionada, em uma tragédia técnica e sem inspiração, o Guarani só foi contando os minutos que o separavam da sua segunda derrota dentro da Série C do Campeonato Brasileiro de 2026. Com um a menos e perdendo por 2 a 0, não esboçou reação.

O Confiança, sem muito trabalho, administrou a vantagem e ganhou o jogo, construindo um placar justo que acabou premiando a equipe que jogou mais futebol e que foi mais objetiva, mais ofensiva e mais vertical dentro do campo. Ao final, para mim, justo: Confiança 2, Guarani 0.

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