Ponte Preta: “A Ponte perdeu para ela mesma”, analisa CH
Por Carlos Henrique
Um time de futebol, quando vai para uma partida com a obrigação de vencer por jogar em casa, precisa ter alguns requisitos obrigatórios, sendo o controle emocional o principal deles.
E por que a Ponte tomou dois gols? Não estou tirando o mérito do Cuiabá, mas no primeiro gol, todo mundo dormiu. A bola foi no primeiro pau e o jogador adversário cabeceou sem marcação alguma. Já no segundo gol, em uma saída de bola completamente equivocada e com o time todo desarrumado, veio o contra-ataque letal que definiu o placar.
A Ponte até chegou a empatar no primeiro tempo, muito fruto da garra e da disposição da equipe — algo que não faltou em nenhum momento. O problema é que, acompanhando essa obrigação de vencer, o time tem muitos problemas técnicos, de confiança e, sobretudo, na parte emocional. Quando a Macaca tomou o segundo gol, para mim o jogo acabou ali, porque a equipe sentiu o golpe.
Para piorar, tivemos a arbitragem do Marcelo Henrique. Já tínhamos falado antes de a partida começar: jogar com ele não é nenhuma novidade. Infelizmente, ele mais atrapalha do que ajuda. No entanto, não foi por causa do árbitro que a Ponte deixou de vencer ou sequer de empatar. A Ponte perdeu para ela mesma.
Em primeiro lugar, a equipe errou demais. Quando teve a oportunidade de se arrumar no vestiário e voltou melhor para a etapa final, não poderia cometer o erro crasso que cometeu. Não há sustentação. Não tem outra maneira no futebol a não ser errar pouco e tentar fazer os gols.
E precisamos combinar que tem jogador na Ponte que não precisa mais ser testado. Desculpem a franqueza, mas o Cafu não tem condição. O Brandão não tem condição. Essa zaga que está jogando aí não tem condição, e o meio-campo não existe. Ficam lá o Elvis e o Pottker brigando sozinhos na frente, e é muito pouco. Seria melhor colocar garotos da base, como o Diego Leão na zaga. O Palacios e o parceiro dele foram péssimos, não dão sustentação nenhuma.
Quando você acumula tudo isso — um time fraco tecnicamente, sem confiança, errando, com o emocional abalado e com jogadores sem receber salário —, qual é o resultado? Mais uma derrota. Repito: não foi por falta de luta. O time se entregou, não desistiu, mas faltou tranquilidade.
A estatística do jogo para não deixar dúvidas: o Cuiabá teve 54% de posse de bola e quatro grandes chances contra três da Ponte. O goleiro adversário precisou fazer apenas duas defesas no jogo inteiro. A Macaca teve sete escanteios contra três, mas nos desarmes a diferença pesou: 22 a 13 para os visitantes. A defesa do Cuiabá, que é uma das melhores da Série B, levou a melhor mais uma vez.
Se a Ponte não chegar rapidamente à janela de transferências e não for ao mercado para contratar — e primeiro tem que pagar os caras que já estão aí —, vai ser muito difícil reverter essa situação. E, por favor, não culpem o Edson Boaro. Ele está tentando fazer o máximo e faz o que é possível com o material que tem. A coisa não acontece porque a cabeça do jogador não ajuda. A parte emocional está muito enfraquecida e, com isso, tudo o que já é difícil fica potencializado. A situação da Macaca é preocupante.
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