Guarani: advogado explica bloqueio de repasse milionário e confia em rápida regularização
O que você precisa saber
- O juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas, negou ao Guarani o saque de R$ 965.131,70, valor depositado em conta judicial e ligado ao processo de Recuperação Judicial (RJ) do clube.
- O montante é referente a receitas da Timemania, que acabaram penhoradas por conta de processos trabalhistas anteriores à RJ.
- A Justiça apontou o atraso na entrega de documentos contábeis e alertou para o risco de destituição dos atuais administradores do clube.
- O advogado do Guarani, Otto Gubel, esclareceu que o atraso ocorreu devido à troca da empresa de contabilidade, que está revisando o saldo inicial para garantir maior precisão.
- A defesa garante que os documentos gerenciais e financeiros (como extratos e recibos) foram entregues normalmente e que o fechamento dos balancetes ocorrerá em poucos dias.
Cumprimento da RJ e prazo para quitar dívidas
A notícia do bloqueio de quase R$ 1 milhão nas contas do Guarani ligou o sinal de alerta nos bastidores do Brinco de Ouro nesta semana. A decisão do juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas, impediu que a diretoria sacasse R$ 965.131,70 de uma conta judicial atrelada à Recuperação Judicial (RJ) do clube.
O magistrado justificou a medida pelo atraso na entrega de documentos contábeis e chegou a citar o risco de destituição da atual administração caso a pendência não seja resolvida.
Para tranquilizar a torcida e esclarecer o cenário jurídico, o advogado do Guarani, Dr. Otto Gubel, concedeu entrevista à Rádio Bandeirantes Campinas. Ele detalhou a origem do dinheiro bloqueado e explicou os motivos burocráticos que causaram o apontamento da Justiça.
Segundo o representante legal do Bugre, o valor retido não se trata de uma dívida nova gerada pela atual gestão, mas sim de uma receita prevista no fluxo de caixa (proveniente da Timemania) que foi alvo de penhora por processos trabalhistas antigos. Como esses processos antigos agora estão sujeitos ao guarda-chuva da Recuperação Judicial, o clube tem o direito de levantar essa verba.
Sobre o alerta de destituição e a falta de documentos, Gubel fez questão de separar a gestão financeira da burocracia contábil. Ele revelou que o clube contratou uma nova e renomada empresa de contabilidade, o que exigiu um tempo de transição e revisão de dados.
“Houve sim um atraso e esse atraso está sendo regularizado em breve. Isso a gente pode ficar tranquilo que não vai ter grandes consequências. Houve a troca de contabilidade justamente nessa profissionalização que o Guarani está fazendo. Essa melhora trouxe algum atraso e esse atraso vai ser sanado em poucos dias”, explicou o advogado.
O advogado também reforçou que o Guarani não omitiu informações da Justiça. “Na decisão menciona que nós entregamos documentos gerenciais, mas não são meramente gerenciais: são contas correntes, extratos, documentos de pagamentos. Ou seja, não é que deixou de entregar, deixou de fechar os balancetes. O que está faltando é o fechamento exatamente pela troca de contabilidade, que é muito zelosa e está querendo rever toda a documentação a partir do saldo inicial”, detalhou.
Para afastar qualquer desconfiança sobre o andamento da Recuperação Judicial, Otto Gubel destacou o empenho da diretoria em honrar os compromissos com os credores.
“O Guarani vem cumprindo todas as obrigações na recuperação judicial, o que não é comum para um clube de futebol. A diretoria trabalha de uma forma muito dura para poder fazer o melhor possível. Para vocês terem uma ideia, nós já fizemos 20 pagamentos da questão da classe trabalhista, o que é bastante”, afirmou.
Questionado sobre a estimativa de tempo para que o Guarani quite definitivamente todo o seu passivo e saia da Recuperação Judicial, o advogado projetou um cenário de longo prazo: “Demoraria mais uns 12 ou 13 anos”.
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