Ponte Preta: “O time é o retrato do que está acontecendo fora de campo”, analisa Gleguer Zorzin
Por Gleguer Zorzin
Esse time da Ponte Preta é o retrato exato daquilo tudo que está acontecendo fora de campo. Não dá para analisar o futebol apresentado pela equipe, ou a dolorosa derrota de virada para o CRB lá em Maceió, sem olhar para os bastidores. O que vemos nas quatro linhas é o puro reflexo do colapso administrativo.
A gente fala muito sobre a queda brusca de rendimento físico no segundo tempo, o que ficou nítido no estádio Rei Pelé. Mas quero deixar claro: não é preciso apontar o dedo para a preparação física. A Macaca tem no Thiago Vegette um baita de um profissional. O grande problema é o dia a dia desses jogadores. Como é que o Thiago vai chegar para dar um treino exigente, principalmente em uma semana cheia, com os caras com a cabeça totalmente fora do clube?
Como o técnico Rodrigo Santana consegue comandar um treinamento tático com o grupo reivindicando o básico e lidando com uma notícia pior que a outra na parte financeira? É preciso enaltecer a postura dos atletas que foram para o jogo e construíram aquele primeiro tempo. Mas, no futebol, a conta sempre chega.
O drama desses jogadores é silencioso, mas cruel. É um grupo que precisa treinar todo dia em alto rendimento, tentar manter o foco e, ao final do expediente, ir para casa e dizer para a esposa: “Ah, não pagaram nada ainda. Prometeram para sexta-feira… chegou na sexta e não aconteceu”. Como se sustenta um ambiente de alta performance com a cabeça pesada desse jeito? Edu, não tem como.
Dentro de campo, o reflexo disso foi cruel na segunda etapa. O CRB encontrou os caminhos pelos lados da nossa defesa e fez as trocas necessárias para oxigenar o time. Do nosso lado, o Barcelos e o Diego Tavares estavam esgotados, não aguentavam mais dar um pique. O Rodrigo Santana precisava mexer, mas você imagina o desespero do treinador na hora que ele olha para o banco de reservas: “Os caras estão desgastados, e eu vou fazer o quê? Aonde que eu vou mexer? Quem que eu vou colocar?”.
Basta olhar os gols. Basta olhar como entraram os reservas do CRB e como entraram os jogadores da Ponte Preta. A diferença técnica e de intensidade é gritante. É difícil, é duro e é muito complicado cobrar qualquer coisa diferente diante dessa escassez.
Os números não mentem. Sofreram 14 gols em uma sequência de quatro jogos – e quatro derrotas. É um volume absurdo. Não encontro nem mais palavras para tentar resumir a atual situação financeira da instituição. Mas a realidade é uma só: ou a diretoria resolve a situação fora de campo de forma urgente, ou a Ponte Preta caminha a passos muito largos para amargar mais um rebaixamento.
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