Ponte Preta: “Vitória importantíssima e autoblindagem de heróis”, analisa Tigrão
Por Valdemir Gomes, o Tigrão
Vitória importantíssima da Ponte.
Esses jogadores atuando aí como verdadeiros heróis, trabalharam muito bem, com muito amor à camisa e muito respeito. Se não é amor à camisa, é amor à profissão de cada um deles, amor à sequência de carreira e respeito à família.
É um momento terrivelmente complicado.
Não vou falar de bastidor, vou falar do jogo.
O bastidor todo mundo sabe, os jogadores até nem ficaram na concentração, foram lá e depois foram para casa… Isso aí fica para depois, se a diretoria da Ponte quiser falar. Eu quero falar do jogo.
Não concordo com tudo isso que está acontecendo, acho terrível, mas eu quero enaltecer e usar um espaço aqui tão nobre para a garra e o profissionalismo desses jogadores.
Eles lutaram muito.
Não houve brilhantismo técnico.
Foi uma partida apenas razoável tecnicamente da Ponte, mas de boa organização.
O ponto alto foi o sistema defensivo. Não concordei quando a Ponte abriu mão de jogar e tratou apenas de administrar e garantir o resultado de 1 a 0, isso é muito perigoso. O Diogo Silva andou fazendo defesas impressionantes e que garantiram esse resultado.
O América teve mais volume do que a Ponte e aí foi injusto? Não tem injustiça no futebol. Tem justiça, e justiça é bola na rede. A Ponte botou uma no primeiro tempo e estamos conversados.
Aos 44 do primeiro tempo, eu estava observando de novo, o Pottker dá um drible muito bonito ali próximo do meio-campo. Ele puxa a bola para trás, dá um drible, deixa o adversário para trás, arranca e mete a bola ali para o Luiz Felipe do lado esquerdo. Ele já se projeta, faz a infiltração e invade a área saindo da marcação para o segundo pau. O Luiz Felipe percebe, levanta a cabeça, põe no Pottker na medida. Um verdadeiro passe de luxo. E o Pottker, com muita violência na cabeça, se atira na bola, mergulha, e com o peso do corpo e impulsão mete a bola na rede. Uma cabeçada muito forte.
Então, para mim, justiça é isso.
A Ponte teve menos chances, o goleiro da Ponte trabalhou muito mais do que o Gustavo, goleiro do América, mas a grande verdade é que a Ponte botou uma para dentro e o América não. A Ponte organizada se segurou e marcou. Essa zaga aí deu liga, vejam que é a terceira partida dessa zaga e ela vem tomando pouquíssimos gols. Segurou o samba, segurou a pressão, com os volantes jogando bem. No momento em que a gente sentia que a Ponte não tinha mais intensidade de marcação, vem o Rodrigo Souza: pernas compridas, bote preciso, entrou bem e roubou três ou quatro bolas fundamentais em momentos em que o América tentava empurrar a Ponte para trás.
No segundo tempo, a Ponte praticamente não existiu ofensivamente. Mas fica aqui a organização do time, a entrega, a hombridade e, para mim, a justiça no marcador, que premiou o time mais organizado, que errou menos e que, quando teve a chance, botou na teia. Essa é a fotografia revelada do jogo na importantíssima vitória da Macaca para cima do coelhão.
Hoje a Ponte sobrou em termos de voluntariedade, mais uma vez.
E merece ser homenageada e aplaudida pela torcida, que reconheceu ao final da partida aplaudindo de forma entusiasta essa luta, essa garra, essa entrega e a intensidade do time que está conseguindo se autoblindar de tudo que está acontecendo fora das quatro linhas.
A parte do cérebro que analisa o extracampo não se mistura com aquela parte do cérebro convicta de que, dentro de campo, cada um tem que se doar um pouco mais.
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