Guarani: “O Elio precisa entender que a torcida tem sua própria opinião”, analisa Tigrão

Guarani: “O Elio precisa entender que a torcida tem sua própria opinião”, analisa Tigrão

Por Valdemir Gomes, o Tigrão

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Eu respeito muito o trabalho do Elio Sizenando, a gente elogiou quando ele foi contratado. Aliás, a gente fez um negócio aqui que não é do nosso feitio: nós indicamos o senhor.

Quando o Guarani começou a inventar moda, querer tirar um coelho da cartola e buscar treinador que não sabe nem onde é a localização geográfica de Campinas no mapa, nós da imprensa falamos: ‘Tem uma solução caseira aí, pertinho, que conhece a rivalidade e o Guarani’.

Não gosto de ficar indicando treinador, mas a gente queria o Elio. E eu continuo querendo, continuo torcendo por ele, mas tem que parar com algumas teimosias.

A grande verdade é que, se for para elogiar quando ganha e criticar quando perde, não precisa comentar futebol, o resultado por si só faria o comentário. Eu vim falando a semana inteira. O Guarani jogou domingo passado contra o Volta Redonda e o primeiro tempo foi muito ruim, o time não andou, ficou encachotado na marcação e não criou uma situação. Acabou bafejado por um momento de muita felicidade, com dois belíssimos chutes. A velha frase diz que em time que ganha também se mexe.

Se você não tem elenco, tudo bem. Mas o elenco do Guarani é um dos melhores, se não o melhor da Série C. É a maior folha de pagamento da competição, então a gente vai cobrar, sim. Se o time tivesse feito 5 a 0 hoje, eu seria o comentarista ‘engenheiro de obra pronta’, mas a gente veio pontuando os porquês antes. O Raphael tem que disputar posição na zaga, é bom jogador, mas fica totalmente desambientado como volante. Aí hoje aconteceu de novo e ele vai pra lateral. Você tem um lateral de ofício no banco, mas vem manter o Raphael ali improvisado.

Aí o que aconteceu? Você viu a reação da torcida. E agora você vem dizer que foi porque a imprensa falou? Não, Elio.

Você é um grande profissional, conhecemos sua honestidade, você tem tudo para triunfar no Guarani Futebol Clube, mas não vá por esse lado.

Hoje a torcida estava enfurecida, os protestos foram grandes, mas não vá por esse caminho.

Você fica mal com a imprensa e vai ficar pior com o torcedor, porque ele vai dizer: ‘Ah, então nós não temos opinião? Não sabemos nada? Somos influenciados? Estamos aqui tomando esse baita sol porque somos marionetes de imprensa?’.

A imprensa tem todo o direito de protestar desde que seja sem violência, e nós não repassamos isso. Dá uma reavaliada com a sua inteligência, sua experiência e vivência no futebol. Vê o jogo insistentemente três, quatro vezes. Você vai ver que o seu time pega a bola no meio-campo e ou ela vai com o João Paulo (que tenta ser vertical), ou ela vai para trás e para o lado, permitindo que o adversário se arme.

Hoje a sua zaga entregou a rapadura. E naquela última bola do jogo, aos 50 minutos, a zaga falhou de novo e, por um detalhezinho, o Guarani não tomou o segundo gol. Nós queremos o Guarani campeão da Série C, subindo para a Série B sob o seu comando. Mas quando não concordamos, temos que ter autenticidade com a melhor das intenções para alertar e contribuir, e não jogar torcida contra ninguém.

É nesse momento de pressão que a gente separa os homens dos meninos. É nesse momento que a gente vê quem tem tutano para segurar a pressão, porque trabalhar em time grande é assim mesmo.

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