Guarani: imbróglio judicial e novas eleições adiam definição de SAF
O que você precisa saber:
- As recentes decisões da Justiça que anularam o pleito de dezembro travaram as negociações pela SAF alviverde.
- A expectativa era avançar na proposta do investidor Roberto Graziano ainda em abril, mas o processo foi congelado.
- A atual gestão teme não ter tempo hábil para usar os recursos no futebol e reforçar o time na parte decisiva da Série C.
- Felipe Roselli, candidato da oposição, rebate e afirma que a ação na Justiça traz “segurança jurídica” ao negócio.
- Mesmo com o imbróglio, a diretoria confia na manutenção do planejamento e tem o apoio da principal torcida organizada para aprovar a SAF neste ano.
SAF em compasso de espera
A instabilidade política no Brinco de Ouro atingiu diretamente o futuro financeiro do clube. Os imbróglios judiciais dos últimos dias, impulsionados pela decisão da juíza Ana Lia Beall de anular as eleições de dezembro e convocar um novo pleito em 30 dias, impactaram fortemente as negociações para a implementação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Havia uma expectativa interna muito grande para o avanço e a definição da proposta do investidor Roberto Graziano ainda neste mês de abril. No entanto, diante do cenário de indefinição sobre quem comandará o Conselho de Administração a curto e médio prazo, as tratativas foram paralisadas.
Preocupação financeira e esportiva
O congelamento do negócio gera apreensão na atual gestão. A principal preocupação é a falta de tempo hábil para organizar a transição para a SAF, mesmo em caso de vitória nas novas eleições. O objetivo do clube era utilizar os aportes do parceiro o quanto antes para assumir os custos do futebol e deixar a equipe mais competitiva na reta final da Série C do Brasileiro.
Nas últimas semanas, o Bugre chegou a sofrer com atrasos pontuais em pagamentos justamente porque já esperava contar com a injeção de recursos do investidor. O andamento de todo esse planejamento foi freado pelo cenário político nos tribunais.
Apesar do obstáculo, o Portal CB apurou que não há nada em aberto e nenhuma ruptura no negócio. Existe uma confiança interna de que as chances de seguir o projeto atual são altas. O presidente Rômulo Amaro se mantém convicto de que vencerá nas urnas e seguirá à frente do clube. A gestão também conta com o apoio da principal torcida organizada, que é favorável à adesão imediata ao modelo SAF.
Oposição rebate e fala em “segurança”
A narrativa de que a ação judicial estaria atrapalhando a chegada da SAF foi rebatida de forma contundente por Felipe Roselli, candidato da oposição e autor do processo. Em entrevista à Rádio Bandeirantes de Campinas, ele afirmou que a decisão da Justiça protege o próprio investidor de problemas futuros.
“Isso é mais uma narrativa. Nós somos favoráveis à SAF. O nosso processo traz segurança jurídica ao investidor. Nenhum investidor vai investir num negócio de bilhões onde existe insegurança jurídica, onde a eleição é fraudada ou realizada de forma torta”, disparou Roselli.
“O que a gente traz para o clube hoje é segurança jurídica para poder fazer uma nova eleição e trazer essa segurança para o investidor.”
Batalha segue nos tribunais
Enquanto o relógio corre para a nova assembleia em 30 dias, o departamento jurídico do Guarani tenta reverter a situação no Tribunal de Justiça (TJ-SP). O advogado da atual gestão, André Torquato, confirmou que a diretoria acatará a determinação provisória, mas buscará a anulação da liminar.
“A decisão hoje será respeitada e a convocação de novas eleições é válida. Mas nós vamos procurar, num recurso de agravo de instrumento, a reversão total da decisão para que sejam mantidas as eleições (de dezembro)”, explicou Torquato, também à Rádio Bandeirantes, indicando que o embate político no clube está longe do apito final.
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