Por Carlos Batista

A defesa feita por Banks em uma cabeçada perfeita de Pelé na Copa de 1970 no México, contra a Inglaterra, faz parte da galeria de cenas inesquecíveis do futebol mundial. A maior defesa da história do futebol.

O Brasil pressionava a Inglaterra pela direita. O atacante brasileiro Jairzinho cruzou a bola na área. Pelé subiu mais que o zagueiro que o marcava e com os olhos abertos mandou a cabeçada. É Gooool, gritou Pelé. Os 67 mil torcedores presentes no Estádio Jalisco e os milhões de telespectadores ao redor do mundo, procuraram aquela bola no fundo da rede. Mas ela não estava lá.

Um segundo antes Gordon Banks, com uma explosão muscular impressionante, pulou para canto baixo direito, defendeu a cabeçada do Pelé e entrou para a história.

O goleiro Ivan Quaresma da Ponte Preta no Derbi 197 no jogo contra o Guarani na noite desta terça-feira(6/10), fez uma defesa de Banks no estádio Moisés Lucarelli.

O desenho da jogada e configuração do lance foram diferentes, mas a execução da defesa teve a mesma qualidade da milagrosa defesa de Banks.

Pablo cobrou o escanteio. A bola viajou para a grande área e encontrou Didi. O zagueiro do Guarani subiu livre de marcação e soltou a cabeçada. Ivan Quaresma saiu no ponto zero para saltar e encontrar a bola rente a trave, tocou com a mão esquerda nela evitando o primeiro gol alviverde no jogo. Elasticidade de um corpo com envergadura de 1,98. Reflexo apurado e excelência na preparação física para produzir o movimento perfeito.

Foi uma defesa extraordinária.

Merece uma placa.

Treino, muito treino, foco, força, determinação, coragem e autoconfiança são os fatores necessários para o sucesso na empreitada de um jogador que atua numa parte do campo, uma área de confinamento que é traiçoeira.

Parabéns Ivan Quaresma. Finalizo o texto com as palavras do poeta Fernando Pessoa que entendo encaixar-se perfeitamente para nesse feito magnifico.

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Foto de Álvaro Jr/Pontepress