Ponte Preta: Marcelo Fernandes vê SAF como solução, pede união política e diz que não acionou clube na Justiça
Campeão da Série C em 2025, treinador cobra união para recuperar a Macaca, critica cenário extracampo e afirma que ainda acredita na capacidade de o clube honrar seus compromissos
O que você precisa saber
- Marcelo Fernandes pediu união entre os grupos políticos da Ponte Preta e afirmou que o clube precisa deixar vaidades de lado para superar a crise.
- O treinador disse que a Macaca “já passou do fundo do poço” ao avaliar a situação extracampo.
- Ele defendeu a SAF como uma possível solução, desde que o processo seja conduzido corretamente.
- Marcelo afirmou que ele e o auxiliar Marcelo Copertino ainda não acionaram a Ponte na Justiça porque acreditam na recuperação do clube.
- O técnico também comentou sua passagem pelo Guarani e elogiou a postura do presidente Rômulo Amaro durante sua saída do Bugre.
Marcelo Fernandes pede união para recuperar a Ponte Preta
Campeão da Série C do Campeonato Brasileiro com a Ponte Preta em 2025, Marcelo Fernandes pediu união entre os grupos políticos do clube para enfrentar a crise administrativa e financeira. Em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes de Campinas, o treinador afirmou que as disputas internas precisam dar lugar a um esforço coletivo pela recuperação da Macaca.
Marcelo esteve em Campinas na semana passada e acompanhou a partida contra o Atlético-GO. Ele também visitou o vestiário e reencontrou jogadores e funcionários com quem trabalhou durante a campanha do título nacional.
“Eu queria tanto que as pessoas se juntassem na Ponte Preta, dessem um passo atrás todo mundo. Porque quem sangra é a instituição, não são as pessoas. Acho que orgulho, vaidade, essas coisas nesse momento não cabem mais”, afirmou.
Ao avaliar o cenário atual, o treinador foi ainda mais direto. Para ele, a situação extracampo chegou a um ponto crítico, apesar do esforço dos jogadores para representar o clube dentro de campo.
“Chegou, acho que já passou do fundo do poço. Não tem mais como a gente falar, porque é bem nítido isso para todo mundo”, declarou.
Marcelo também ressaltou que, na avaliação dele, os atletas continuam tentando honrar a camisa alvinegra, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela instituição.
Treinador defende SAF, mas cobra condução correta
Marcelo Fernandes considera a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) uma alternativa para a recuperação dos clubes, desde que o processo seja conduzido de maneira adequada e por pessoas que compreendam as necessidades da instituição.
Na entrevista, o treinador citou o exemplo do Botafogo-PB, onde trabalhou depois de deixar a Ponte Preta. Ele reconheceu a evolução estrutural do clube paraibano após os investimentos realizados, com melhorias em vestiários, academia, campos de treinamento e logística de viagens.
Apesar das críticas à forma como ocorreu sua saída do Botafogo-PB, Marcelo separou a experiência com os responsáveis pela gestão da instituição esportiva. Segundo ele, o investimento trouxe avanços estruturais importantes.
O técnico também mencionou o São Bernardo, ligado ao empresário Roberto Graziano, que apresentou uma proposta de SAF para o Guarani. Para Marcelo, o exemplo mostra como uma gestão organizada pode contribuir para o crescimento esportivo.
“Eu acho que a SAF é a solução desde que seja feita corretamente, seja feita com quem entende, veja o que é certo e o que é errado, porque tem uma história centenária atrás disso”, afirmou.
O treinador, no entanto, ponderou que a recuperação da Ponte Preta precisa ser prioridade independentemente do modelo administrativo adotado.
“A gente pede que as coisas voltem ao seu caminho normal. Que as pessoas pensem na instituição, porque a instituição sangra e a Ponte Preta já sangrou o que tinha que sangrar, já chegou no seu limite”, disse.
Marcelo revela que ainda não acionou a Ponte na Justiça
Outro ponto abordado na entrevista foi a situação financeira envolvendo os profissionais que trabalharam no clube. Marcelo Fernandes afirmou que ele e o auxiliar Marcelo Copertino ainda não entraram com ações judiciais contra a Ponte Preta.
O treinador explicou que a decisão está relacionada à confiança de que o clube conseguirá se reorganizar e honrar os compromissos assumidos.
“Eu até hoje não coloquei, nem eu nem o Marcelo Copertino colocamos a Ponte Preta na Justiça, porque a gente acredita que esse grande clube vai dar a volta por cima, vai honrar seus compromissos”, declarou.
A fala ocorre em meio aos atrasos salariais e às dificuldades financeiras que marcaram a temporada alvinegra. A Ponte já teve o rebaixamento para a Série C confirmado e tenta reorganizar a estrutura para o próximo ano.
Marcelo comandou a equipe na reta final da campanha que terminou com o título da terceira divisão nacional, conquistado em 2025. O treinador assumiu o time após deixar o Guarani e conseguiu conduzir a Macaca ao acesso e à conquista inédita.
Técnico relata frustração com saída do Botafogo-PB
Durante a entrevista, Marcelo também detalhou sua saída do Botafogo-PB. Segundo o treinador, havia uma previsão contratual de multa rescisória, mas ele afirma ter tentado negociar um valor menor para facilitar o encerramento do vínculo.
O técnico disse que abriu mão da multa e chegou a propor receber menos do que entendia ter direito. De acordo com seu relato, a resposta recebida foi uma proposta de pagamento parcelado, que ele considerou inadequada diante do trabalho realizado.
Marcelo afirmou ainda que ele e Copertino precisaram pagar as próprias passagens para voltar para casa após o desligamento. O treinador, porém, fez questão de separar as críticas à condução da saída da avaliação sobre o clube e a torcida do Botafogo-PB.
Na parte esportiva, ele destacou a recuperação da equipe durante sua passagem. Segundo Marcelo, o time saiu da 18ª posição e terminou a primeira fase na liderança, mas não conseguiu confirmar o acesso na etapa decisiva.
Marcelo Fernandes elogia Rômulo Amaro após passagem pelo Guarani
Antes de assumir a Ponte Preta, Marcelo Fernandes comandou o Guarani em 2025. Questionado sobre a possibilidade de voltar ao Bugre, o treinador afirmou que não tem pendências financeiras com o clube e elogiou a postura do presidente Rômulo Amaro durante sua passagem pelo Brinco de Ouro.
“O Guarani não me deve absolutamente nada. O presidente Rômulo foi supercorreto comigo, desde o primeiro dia que cheguei ali, na hora que me desligou”, afirmou.
Marcelo também atribuiu ao trabalho realizado no Guarani a oportunidade de assumir a Ponte Preta. Na entrevista, lembrou que encontrou o Bugre sem pontos na competição e participou da recuperação da equipe até 16 pontos.
O treinador disse estar aberto a novos projetos e afirmou que busca oportunidades em clubes com ambição esportiva e condições de desenvolver um trabalho consistente.
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