Guarani: mais dois jogadores acionam a Justiça por falta de pagamento

Guarani: mais dois jogadores acionam a Justiça por falta de pagamento
Foto de Raphael Silvestre

Novas ações trabalhistas ampliam cobranças contra o Bugre, que enfrenta atrasos salariais e de direitos de imagem; valores reivindicados ultrapassam R$ 2 milhões

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O que você precisa saber

  • Mais dois jogadores ingressaram na Justiça contra o Guarani por pendências financeiras.
  • Somadas, as cobranças dos dois novos processos ultrapassam R$ 2 milhões.
  • O clube enfrenta atrasos de salários e direitos de imagem, sem previsão pública para regularizar os pagamentos.
  • Ynaiã, Diego Torres e Gabriel Silva estão entre os atletas que já recorreram à Justiça em ações anteriores.
  • Os valores cobrados pelos jogadores correspondem a pedidos judiciais e ainda dependem da análise dos processos.

O Guarani passou a responder a novas cobranças trabalhistas de dois jogadores ligados ao elenco. Isaque e Emerson Júnior recorreram à Justiça para discutir pendências financeiras e o encerramento de seus vínculos com o clube. Somadas, as ações chegam a quase R$ 2,5 milhões.

Os processos têm particularidades. No caso de Isaque, a discussão envolve também a validade de uma cláusula que poderia estender seu contrato até o fim de 2027. Emerson Júnior, por sua vez, questiona pagamentos que, segundo ele, deveriam ter sido mantidos pelo Guarani durante seu período de empréstimo à Internacional.

Isaque contesta situação contratual

A ação do meio-campista está avaliada em R$ 1.634.801,65. O jogador sustenta que havia um compromisso de renovação automática até dezembro de 2027 caso fosse titular em pelo menos metade dos jogos do Paulista ou da Série C de 2026.

Isaque afirma ter alcançado o requisito: começou 22 das 28 partidas disputadas pelo Guarani na temporada, índice de 78,6%. Com base nesses números, pede que a Justiça reconheça a extensão do vínculo.

A cobrança inclui R$ 135 mil em salários, outros R$ 135 mil em direitos de imagem e R$ 45 mil de auxílio-moradia. O meia também aponta R$ 22,4 mil de FGTS não recolhido, R$ 64,1 mil relativos a férias e 13º salário e R$ 30 mil de multa rescisória.

A maior parte do valor está concentrada em duas indenizações de R$ 495 mil. Uma delas corresponde à cláusula compensatória desportiva, prevista na legislação para determinadas situações de encerramento contratual por responsabilidade do clube. A outra diz respeito às parcelas futuras do contrato de imagem que, na avaliação do jogador, seriam devidas até o fim do período previsto.

Goleiro questiona pagamentos durante empréstimo

Emerson Júnior atribuiu à própria ação o valor de R$ 857.171,65. O goleiro afirma que seu contrato com o Guarani tinha validade até dezembro de 2027 e que o clube continuava responsável por obrigações financeiras mesmo durante o empréstimo à Internacional.

Segundo a petição, houve atrasos salariais entre maio e setembro de 2026, além de pendências relacionadas aos direitos de imagem e ao FGTS.

O atleta cobra R$ 82,5 mil em salários, R$ 61,25 mil em direitos de imagem e R$ 11,2 mil de FGTS. A lista inclui ainda R$ 74,1 mil referentes a férias e 13º salário e R$ 15 mil de multa por atraso das verbas rescisórias.

Emerson também pede R$ 217,5 mil de cláusula compensatória desportiva e R$ 283,75 mil relativos às parcelas futuras do contrato de imagem.

Ações judiciais se acumulam

Nos últimos meses, outros jogadores também recorreram à Justiça para cobrar valores pendentes. O lateral-direito Ynaiã, por exemplo, cobra cerca de R$ 299 mil e pede a rescisão indireta do contrato, além da liberação para atuar por outra equipe. Já o meia Diego Torres reivindica aproximadamente R$ 1,62 milhão.

O atacante Gabriel Silva também ingressou com uma ação relacionada ao pagamento de um acordo de rescisão contratual.

As cobranças têm origens e valores diferentes. Os pedidos apresentados pelos atletas ainda precisam ser analisados pela Justiça, e os montantes reivindicados não representam necessariamente valores já reconhecidos em decisão definitiva.

Clube aguarda avanço da SAF

A crise financeira ocorre enquanto o Guarani trabalha no planejamento para 2027 e aguarda os próximos passos da negociação para a venda de 90% da futura SAF a Roberto Graziano.

A proposta deverá ser submetida à votação dos associados em novembro. A eventual conclusão do negócio é aguardada pelo clube em meio às dificuldades de fluxo de caixa e às pendências com jogadores e funcionários.

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