Ponte Preta: “Recuou demais”, analisa Tigrão após empate com o Atlético-GO
Por Valdemir Gomes
A Ponte Preta lutou muito contra o Atlético-GO, mas recuou demais durante o segundo tempo. Na minha avaliação, Gilson Kleina abriu mão de ficar com a bola muito cedo e acabou permitindo que o adversário pressionasse até conseguir o empate por 1 a 1, aos 41 minutos da etapa final.
Entendo a estratégia de fechar os espaços diante de um time tecnicamente superior e que briga pelo acesso. A Ponte tem suas limitações, faz uma campanha muito ruim e chegou a apenas 14 pontos em 102 disputados. Diante desse cenário, proteger a vantagem e colocar a responsabilidade no colo do adversário não é nenhum crime. O problema foi ter feito isso tão cedo.
As mudanças do treinador reforçaram essa postura. Primeiro, com a entrada de Ryan Andrade e o recuo de Danilo Barcelos para formar uma linha com três zagueiros. Depois, com Diego Leão no lugar de Gustavo Telles. A Ponte terminou com quatro jogadores de origem defensiva na linha de trás, contando Gabriel Caran, Palacios, Barcelos por dentro e Diego Leão.
A equipe se defendia bem, mas praticamente deixou de jogar no campo de ataque. E, quando você permite que um adversário tenha tanto volume, uma hora a bola acaba entrando. O Atlético-GO terminou a partida com 17 escanteios, contra apenas um da Ponte. É uma diferença que ajuda a explicar o que aconteceu.
A Ponte teve a chance de matar o jogo
Mesmo com o Atlético-GO pressionando, a Macaca teve a oportunidade de fazer o segundo gol. Ryan Andrade recuperou uma bola após um passe errado do adversário e arrancou do meio-campo até a área, mas desperdiçou a chance que poderia ter decidido a partida.
Foi uma oportunidade importante porque a Ponte precisava aproveitar os espaços que apareciam. O time estava recuado, mas ainda tinha condições de explorar uma transição e definir o confronto.
O empate veio aos 41 minutos do segundo tempo, em uma bola que passou por dentro da defesa. João Pedro finalizou no canto, sem dar condições para Vinicius Ferrari, que mais uma vez fez uma boa partida. O goleiro não teve culpa no lance. A bola foi muito bem colocada.
No primeiro tempo, a Ponte foi mais ousada, conseguiu atacar e construiu a jogada do gol de David da Hora. Na etapa final, praticamente só se defendeu. A equipe lutou, correu e mostrou entrega, mas não conseguiu sustentar a vantagem.
Resultado ruim para o Atlético-GO
Se o empate não muda a situação da Ponte Preta na tabela, para o Atlético-GO o resultado foi muito ruim. O time goiano foi a Indaiatuba para buscar os três pontos e tentar se manter na disputa pelo acesso. Acabou deixando escapar uma vitória contra uma equipe que tem enormes dificuldades na competição.
O Atlético-GO talvez tenha começado a partida com certa soberba. Levou o gol em uma jogada bem construída pela Ponte e, depois, precisou correr atrás do resultado. A pressão aumentou, o desespero apareceu e o empate saiu no fim.
Mesmo com o gol, o resultado pode custar caro na luta pela classificação. O Atlético-GO estava na sexta colocação, posição que, pelo regulamento desta temporada, garante a disputa do mata-mata pelas duas últimas vagas de acesso. Com a rodada ainda em andamento, a equipe corre o risco de perder esse lugar e terá de buscar a recuperação nos próximos jogos.
Entrega da Ponte merece reconhecimento
Pela situação da Macaca, o empate é um resultado aceitável. A equipe está rebaixada, tem uma campanha muito abaixo do esperado e não consegue competir tecnicamente em igualdade com muitos adversários. Ainda assim, os jogadores lutaram e defenderam o resultado até os minutos finais.
É preciso reconhecer a entrega dessa meninada. A Ponte não fez uma grande partida durante os 90 minutos, principalmente pelo recuo excessivo no segundo tempo, mas os atletas demonstraram disposição e honraram a camisa.
O empate foi surpreendentemente bom diante da expectativa que existia para o confronto. A equipe complicou a vida do Atlético-GO e poderia até ter saído com a vitória se tivesse aproveitado a chance de Ryan Andrade.
Sobre a possibilidade de incentivo de terceiros interessados no resultado, o volante Rodrigo Souza afirmou que não houve. E, mesmo que houvesse, isso faz parte do futebol, desde que dentro das regras. Para a Ponte, o cenário da competição não muda. Para o Atlético-GO, porém, o empate pode representar um prejuízo importante na briga pelo acesso.
No fim das contas, fica o reconhecimento à luta dos jogadores da Ponte Preta. O time recuou demais e pagou por isso, mas competiu, dificultou a partida e deixou o adversário em uma situação delicada.
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