Guarani: clube pode ter que “caminhar com as próprias pernas” para montar time do Paulista antes da SAF
Presidente do Conselho Deliberativo admite risco de clube precisar buscar recursos para formação do elenco enquanto processo de constituição e venda da Sociedade Anônima do Futebol não é concluído
O que você precisa saber
- Guarani votará a constituição da SAF, mas a venda de 90% das ações para Roberto Graziano ficou para uma etapa posterior.
- O processo de constituição da SAF exige registro dos documentos e outros procedimentos antes da transferência das ações.
- Segundo André Torquato, existe “um grande risco” de o Guarani precisar montar sozinho o elenco para o Campeonato Paulista.
- Graziano afirmou que não pode fazer aporte ou antecipar recursos antes de a SAF estar constituída e de ele ser oficialmente o proprietário.
- Torquato disse acreditar que o empresário poderá ajudar financeiramente em novembro e dezembro, mas ressaltou que não existe compromisso assumido.
- O clube enfrenta dificuldades de caixa e tem parcelas da Recuperação Judicial em atraso, segundo o presidente do Conselho.
O Guarani corre o risco de precisar “caminhar com as próprias pernas” para montar o elenco que disputará o Campeonato Paulista de 2027 enquanto o processo de constituição e venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) não é concluído. A avaliação foi feita por André Torquato, presidente do Conselho Deliberativo do clube, em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes.
A preocupação aparece justamente porque a votação prevista para esta sexta-feira trata apenas da constituição da SAF. A negociação para a venda de 90% das ações ao grupo de Roberto Graziano ficou para uma etapa posterior, depois das mudanças solicitadas no contrato.
“Existe um grande risco do Guarani ter que caminhar com as próprias pernas pra gente formar o time no Paulista. A gente não quer isso”, afirmou Torquato.
Pelo estatuto, caso os sócios aprovem a transformação do clube em SAF, será necessário registrar os documentos em cartório e cumprir os procedimentos para efetivar a constituição da sociedade. Somente depois disso o Guarani poderá avançar para a venda dos 90% das ações ao investidor.
O presidente do Conselho explicou que existe a possibilidade de o clube antecipar parte desse processo burocrático. Nesse cenário, a associação inicialmente ficaria com 100% das ações da SAF e, posteriormente, venderia 90% ao grupo de Graziano, caso o contrato seja aprovado.
“Não é um procedimento que é barato”, afirmou Torquato. Segundo ele, mesmo com a aprovação da constituição da SAF, o Guarani terá de atravessar um período até que a operação com o investidor seja efetivamente concluída.
O problema é que o clube atravessa uma situação financeira delicada. Torquato afirmou que o Guarani “não tem mais dinheiro” e citou a antecipação de receitas e os atrasos relacionados à Recuperação Judicial como fatores que aumentam a pressão sobre o caixa.
Graziano não prevê aporte antes da constituição da SAF
A falta de recursos também está relacionada à posição apresentada por Roberto Graziano durante as discussões sobre a SAF. De acordo com Torquato, o empresário foi direto ao afirmar que não pretende antecipar recursos antes de a Sociedade Anônima do Futebol estar constituída e de ele se tornar oficialmente o proprietário.
“Não há como ele aportar, antecipar recurso financeiro sem ele ter a SAF constituída e ele ser dono. Ele fala que é uma situação muito delicada. Esse é o posicionamento dele”, relatou Torquato.
O presidente do Conselho, porém, afirmou acreditar que o investidor possa ajudar caso o processo avance e o Guarani enfrente uma situação emergencial. Ele fez questão de destacar que essa possibilidade não representa um compromisso assumido por Graziano.
“Não há nenhum compromisso assumido pelo senhor Roberto Graziano. Mas eu acredito eu que, pela lógica, é que, tendo aprovada a SAF, se houver uma emergência, até para concretização e continuação do negócio, é que ele venha ajudar o Guarani”, disse.
Guarani pode precisar formar elenco antes da conclusão da negociação
O calendário aumenta a preocupação. Mesmo que a constituição da SAF seja aprovada, o processo não termina com a votação. O clube ainda precisará cumprir as etapas burocráticas para constituir a sociedade e, posteriormente, concluir a venda de 90% das ações.
Torquato, por isso, admite a possibilidade de o Guarani precisar começar o planejamento do Paulista utilizando os próprios recursos.
“A gente acredita que, havendo uma finalização, eu acredito que ainda pra outubro de aprovação da SAF, o Roberto Graziano possa, em novembro e dezembro, mesmo, como você sabiamente falou, que o processo demore bastante pra que realmente ocorra a Constituição da SAF, que com todas as garantias e contratuais o Sr. Roberto Graziano possa nos ajudar já, tanto financeiramente como na contratação de profissionais pra montar o time no Campeonato Paulista”, afirmou.
A declaração coloca um intervalo importante no planejamento do clube: a aprovação da SAF pode ocorrer antes da conclusão da venda das ações e, consequentemente, antes de o investidor assumir formalmente o controle da operação.
Enquanto isso, o Guarani terá de encontrar meios para manter o funcionamento do clube e iniciar a montagem do elenco para 2027.
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