Ponte Preta: “Apego ao poder precisa chegar ao fim antes que o clube chegue ao fim”, analisa Tigrão

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Foto de Igor Henrique/Pontepress

Por Valdemir Gomes

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A Ponte Preta voltou a protagonizar mais um vexame. Mais uma derrota, mais uma atuação sem intensidade, sem vibração e sem perspectiva. O 2 a 0 para o São Bernardo foi absolutamente justo e mostrou, dentro de campo, exatamente aquilo que está acontecendo nos bastidores do clube.

A Ponte hoje é um time de uma nota só. Um time lento, apático, limitado tecnicamente e combalido fisicamente. Mais do que isso: é uma equipe que perdeu a capacidade de reagir. Se antes ainda havia momentos de intensidade, de pressão e de imposição sobre os adversários, agora a Ponte simplesmente assiste ao jogo acontecer.

Foi assim contra o São Bernardo. A equipe teve uma única oportunidade realmente clara para buscar o empate, não aproveitou e, depois, sofreu o segundo gol. A expulsão de Palácios também complicou ainda mais uma situação que já era difícil. O zagueiro tomou um drible que um jogador profissional não pode tomar daquela maneira e, acelerado, acabou segurando o adversário e recebendo o segundo cartão amarelo.

Com um jogador a menos, a Ponte não teve forças para reagir.

O problema é que essa falta de vibração não começou neste domingo. A equipe já vinha apresentando dificuldades, mas ainda havia alguns bons momentos com Márcio Zanardi. Mesmo sem vencer, em determinadas partidas era possível enxergar intensidade, pressão e uma tentativa de empurrar o adversário para trás. Hoje, isso praticamente desapareceu.

A Ponte Preta virou o reflexo dos próprios bastidores.

Está tudo errado fora de campo e o que se vê dentro dele é exatamente a consequência disso. Enquanto a disputa política continua, o futebol afunda. Enquanto se fala em SAF, a instituição segue sem respostas. E o torcedor continua sem saber quem vai aparecer para apresentar uma solução.

A pergunta é: até quando?

A torcida que permaneceu no Majestoso até o fim, mesmo diante do frio e de mais uma derrota, merece respeito. O que não dá mais é para assistir a uma sequência interminável de vexames sem que ninguém apareça para dar uma perspectiva.

A SAF pode ser um caminho. Mas a Ponte não pode simplesmente esperar que ela resolva tudo enquanto o clube continua se deteriorando.

É preciso reconhecer a realidade. Se quem está no comando não consegue mais conduzir a Ponte, existem pessoas interessadas em ajudar. Talvez não seja o melhor cenário, talvez não seja a solução perfeita, mas é preciso abrir espaço para uma composição.

Quem quiser continuar participando da administração pode continuar. Mas é necessário abrir as portas para quem tem algo a oferecer. E, se quem tem condições de ajudar não aceita participar do atual modelo de gestão, então alguma coisa precisa ser feita para salvar a instituição.

A Ponte Preta está acima de qualquer grupo político, de qualquer dirigente e de qualquer vaidade.

O resultado contra o São Bernardo foi apenas mais um capítulo de uma história que já não se sustenta. Um jogo ruim, uma derrota justa e mais uma tristeza para o torcedor.

O apego ao poder precisa chegar ao fim antes que a Ponte chegue ao fim. As vaidades precisam ser deixadas de lado porque, neste momento, elas são injustificáveis e extremamente prejudiciais ao clube, à sua história e à sua torcida.

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