Guarani: “A Série C não perdoa esses tipos de erros”, analisa Tigrão

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Foto de @jorgeluizft/Divulgação via Guarani

Por Valdemir Gomes

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O Guarani perdeu para um time limitadíssimo tecnicamente. E perdeu por aquilo que, para mim, foi o grande flagelo da equipe nesta partida: os erros de finalização.

O Bugre teve tudo para matar o jogo ainda no primeiro tempo. Fez uma boa partida, foi superior e criou oportunidades muito claras. Não foram aquelas finalizações em que o goleiro precisa fazer uma defesa espetacular. Foram chances cara a cara, daquelas que você precisa aproveitar quando quer disputar uma competição como a Série C.

O Guarani poderia ter ido para o intervalo vencendo por 3 a 0. Não fez. E ainda sofreu o empate em um pênalti que, na minha visão, não existiu. Ou seja: saiu de uma situação em que poderia ter praticamente decidido a partida para uma igualdade que manteve o Anápolis vivo.

E aí veio o segundo tempo.

Foi parecido com aquilo que vimos contra o Paysandu, em Belém. O Guarani voltou sem intensidade, lento, errando passes e jogando dentro do próprio campo. Trouxe o adversário para cima.

A diferença é que o Paysandu tinha muito mais qualidade do que o Anápolis.

O time goiano passou a ter domínio territorial, empilhou escanteios, subiu as linhas e pressionou. Mas, apesar desse volume, não criou uma oportunidade realmente clara. O problema é que o Guarani também não conseguia aproveitar os espaços que apareciam.

Mesmo jogando mal, sem intensidade e, em alguns momentos, parecendo desinteressado pela partida, o Bugre teve três grandes oportunidades para voltar a marcar. Teve chance cara a cara com o Lucca, teve o Neto Costa também na frente do goleiro. E não fez.

Ali estava o jogo.

O Anápolis estava completamente desgastado fisicamente. Correu demais para pressionar o Guarani, subiu suas linhas e começou a deixar espaços enormes para o contra-ataque. O time estava praticamente pedindo para sofrer o segundo gol.

Era só o Guarani ter um pouco mais de qualidade no acabamento.

Mas faltou.

Depois dos 35 minutos, quando o Anápolis perdeu ainda mais intensidade, o Guarani conseguiu adiantar suas linhas e voltou a ficar muito perto do gol. Só que novamente errou nas escolhas e nas finalizações.

Nós até comentávamos durante a transmissão: se o Guarani jogasse um pouquinho de bola, faria o gol no final.

Não fez.

E a bola puniu.

No último lance, o Guarani cometeu um erro defensivo e Matheus Lagoa finalizou. A bola ainda desviou no caminho, ganhou outra trajetória, encobriu Caíque França e terminou no fundo da rede.

Foi um castigo duro, mas também consequência de tudo aquilo que o Guarani deixou de fazer durante os 90 minutos.

Como dizia Muricy Ramalho, a bola pune.

E o Guarani foi punido por uma partida que poderia ter vencido com tranquilidade.

Futebolisticamente falando, foi uma irresponsabilidade, uma molecagem. O Guarani voltou morto para o segundo tempo, permitiu que um adversário tecnicamente inferior crescesse na partida e, mesmo assim, teve oportunidades suficientes para resolver o jogo.

Não resolveu.

Agora a situação na tabela exige atenção. O Guarani perdeu uma posição e caiu para o quinto lugar. Mais importante do que olhar apenas para a colocação é observar a distância para o nono colocado, porque é dali que pode surgir o risco de perder uma vaga no G8.

Hoje, são apenas dois pontos de diferença, com nove pontos ainda em disputa.

É uma derrota perigosa. Não pelo resultado isoladamente, mas pela maneira como aconteceu. O Guarani tinha o jogo nas mãos, desperdiçou oportunidades demais, não manteve a intensidade e acabou derrotado no último lance por um dos lanternas da competição.

A Série C não perdoa esse tipo de erro. E o Guarani precisa aprender rapidamente com ele.

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