Ponte Preta: clube aposta em regime centralizado para aliviar crise financeira e quitar dívidas
Às vésperas do confronto contra o Náutico, pela Série C, a Ponte Preta tenta encontrar alternativas para driblar uma das maiores crises financeiras de seus 125 anos. O clube concluiu uma auditoria interna para mapear os principais bloqueios judiciais que vêm dificultando o pagamento de salários e compromissos com funcionários e jogadores.
Na esfera cível, a diretoria aguarda decisão da Justiça para aderir ao Regime Centralizado de Resoluções, mecanismo que permite unificar ações e estabelecer um valor mensal fixo destinado aos credores. A medida, já adotada por Santos e Corinthians, reduziria a pressão sobre o caixa da Macaca e liberaria receitas para cumprir as obrigações salariais.
Atualmente, o clube campineiro opera com dois programas de renegociação: a Câmara Nacional de Resoluções de Disputas (CNRD) e o Programa Especial de Parcelamento Trabalhista (PEPT). Segundo o presidente Marco Eberlin, a Ponte descarta recorrer à Recuperação Judicial, considerada arriscada por envolver risco de falência e mensalidades mais altas.
A situação é grave. Somente em 2025, as contas do clube ficaram bloqueadas por diversos dias, comprometendo o fluxo de caixa e atrasando salários. Já são mais de 40 pedidos de penhora, envolvendo credores e ex-dirigentes. O passivo ultrapassa R$ 450 milhões — R$ 50 milhões em dívidas trabalhistas em execução, R$ 100 milhões em ações cíveis e outros R$ 100 milhões em empréstimos ligados a antigas gestões.
Desse total, cerca de R$ 190 milhões já estão em fase de execução, gerando bloqueios de verbas, a penhora do Estádio Moisés Lucarelli e o transfer ban imposto desde julho, que impede a inscrição de reforços. Para aliviar a situação, a Ponte firmou acordo na CNRD para quitar R$ 18 milhões em até dez anos, mas não conseguiu pagar as primeiras parcelas devido às retenções judiciais.
Entre as pendências estão dívidas com atletas e ex-treinadores, como Ygor Vinhas (R$ 781 mil), Camilo (R$ 698 mil) e Gilson Kleina (R$ 573 mil), além de valores devidos a clubes como Santos (R$ 1,4 milhão), Goiás (R$ 850 mil) e Vasco (R$ 787 mil). Novas ações seguem surgindo, como a do zagueiro Nilson Júnior, que cobra R$ 1 milhão por compromissos não cumpridos em 2024.
O maior risco, porém, está na dívida civil com o ex-presidente Sérgio Carnielli, que gira em torno de R$ 85 milhões. Esse débito levou à penhora do Majestoso desde novembro de 2022 e ameaça resultar em leilão do estádio, caso os recursos judiciais não tenham desfecho favorável ao clube.
Entre 2023 e 2025, a Ponte conseguiu pagar aproximadamente R$ 15 milhões em acordos, mas o ritmo não acompanha o volume de novos processos. Para fechar o caixa, a diretoria recorre a adiantamentos de cotas de TV, patrocínios e à busca por investidores, embora admita que as receitas não são suficientes para cobrir o rombo acumulado.
O foco imediato da gestão é organizar os pagamentos de setembro e tentar liberar parte das verbas bloqueadas. A expectativa é que a Justiça defina em breve sobre a adesão ao Regime Centralizado, apontado como principal saída para o equilíbrio financeiro.
Enquanto isso, dentro de campo, a Ponte tenta manter a concentração. Líder do Grupo C, com seis pontos em dois jogos, o time encara o Náutico neste sábado, às 17h, nos Aflitos, ainda que fora dele o clube siga enfrentando uma maré de dívidas e incertezas.
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