(coluna de Júlio Nascimento)

Muito se fala hoje sobre formar pessoas com espírito crítico e participativo, mas é importante que se compreenda que este processo não se concretizará numa educação para o conformismo e sim voltada à liberdade e à autonomia.

Eu, Júlio Nascimento, cansei de tamanha arrogância de certas autoridades dentro dos estádios de futebol.

No espaço de duas semanas presenciei tamanho despreparado nos estádios de Campinas. Um retrato fiel de como o torcedor é tratado por quem deveria apenas defendê-lo. Mas antes quero reafirmar que este espaço é democrático e respeita todas as opiniões.

Meu objetivo é propor uma reflexão sobre a segurança nos eventos esportivos do Brasil.

A polícia já se mostrou várias vezes despreparada em confusões dentro e fora de estádios. Tanto para prevenir como para coibir quando uma confusão se inicia. Em outros países a segurança privada funciona. A polícia trabalha do lado de fora, os seguranças são bem treinados para evitar confusões dentro dos estádios.

Aqui, ainda não estamos nesse nível. Sem complexo de vira-latas, entendendo que confusões acontecem em outros países, outros esportes. Mas o sentimento é de derrota da nossa sociedade.

No último domingo de outubro, dia 27, estava trabalhando como repórter da Rádio Bandeirantes na partida entre Ponte Preta e Vitória no Moisés Lucarelli. Os mandantes perderam e um pequeno grupo de torcedores tentou invadir espaços não autorizados.

Não eram torcedores que estavam indo pela primeira vez no estádio. Eram figuras conhecidas inclusive pelos próprios policiais. O problema é que ao invés de coibir quem estava badernando foi usada a tática de dispersamento até com outros torcedores que não tinham nada com a situação.

Estava a poucos metros da confusão e vi o desespero de pais pedindo para que balas de borracha e gás de efeito moral fossem cessados. Sem sucesso.

No sábado novos episódios da truculência e despreparo. Trabalhando e acompanhando a chegada dos torcedores vi o tumulto começar antes do dérbi 195 após a chegada da delegação bugrina ao Brinco de Ouro.

Policiais efetuaram disparos de bala de borracha quando perceberam que torcedores estavam subindo no teto do Flecha Verde depois que o ônibus já estava vazio. A ação causou revolta entre os torcedores que começaram a atirar pedras, garrafas, latas e rojões contra a PM.

Muitas vítimas atingidas de maneira desnecessária. Inclusive da própria polícia.

Abuso de poder e autoridade de um lado. Falta empatia e temor do outro.

Já passou da hora de uma intervenção maior do Estado. Posicionamento firme do governo, individualização das penas, cumprimento da lei. É preciso se tratar os problemas do futebol como problemas da sociedade. Não há como dissociar uma coisa da outra.

(Foto: Luciano Claudino/Código 19)

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