Daniel Paulista foi apresentado como novo treinador do Guarani e iniciou os treinamentos visando o jogo de estreia na Série B, diante do Vitória, na próxima sexta-feira, no Brinco de Ouro.

Pupilo de Nelsinho Baptista e Luxemburgo, suas principais referências entre os treinadores que trabalhou, o ex-volante assume seu quarto clube na carreira de técnico.

Antes do Guarani, Daniel Paulista passou por Boa Esporte, Sport e Confiança – onde conseguiu implementar sua filosofia tática.

O Portal CB detalha como gosta de trabalhar Daniel Paulista na construção de jogo e organização tática da equipe.

Ao ser questionado na coletiva de apresentação no Guarani, o treinador repetiu o mesmo discurso nas primeiras entrevistas no Sport e Confiança sobre adaptação do estilo ao perfil dos atletas disponíveis dentro do elenco.

“Nosso estilo vai depender das características dos nossos atletas e o trabalho no dia a dia será importante para conhecê-los. Eu gosto de um time para frente, que busca o gol e o Confiança se tornou um time ofensivo, mas determinado também para jogar mais defensivo de acordo com o adversário”, explicou.

A versatilidade sempre foi uma característica valorizada por Daniel Paulista que gosta de priorizar equipes rápidas. O jogo apoiado, perfil que Ricardo Catalá tentou implementar no Brinco para valorizar a posse de bola, não é um dos mais agradáveis aos olhos do novo técnico.

JOGO ACELERADO
Na apresentação no Confiança, em setembro de 2020, Daniel Paulista afirmou que enxerga o futebol como “jogo de força, transição ofensiva e muita velocidade”. O treinador ainda afirmou que “o futebol de hoje não pode ser cadenciado e lento para não perder espaço em grandes competições”.

A primeira mudança implementada ao chegar no Confiança foi passar do 4-3-3 para o 4-2-3-1 (seu esquema favorito).

A mudança permitiu que o Confiança passasse a ter mais velocidade com o deslocamento de Ítalo Melo, antes centralizado, atuando pela beirada do campo. Reis, jogador também de velocidade, passou a ser referência, mas recebendo apoio de Everton Santos que tinha liberdade para entrar na área.

Os gols marcados durante a Série B no Confiança sob comando de Daniel Paulista têm desenhos semelhantes: jogadas construídas nas laterais ou bola parada. Outra característica incentivada pelo treinador são os chutes de longa distância.

A transição rápida não é uma solicitação de Daniel Paulista apenas para o jogo ofensivo, mas defensivamente também. Os dois pontas do meio-campo são orientados a voltarem atrás da linha do meio-campo deixando apenas quem está atuando centralizado e o jogador de referência próximos do campo ofensivo.

A efetividade do sistema defensivo do Confiança, entretanto, pouco funcionou. Foram apenas cinco dos 28 jogos com Daniel Paulista na Série B que a defesa não foi vazada. Destaque para a goleada sofrida para o CSA por 5 a 1 na reta final da competição.

O principal problema diagnosticado é que a transição ofensiva muitas vezes exige uma recomposição rápida dos defensores que não acaba acontecendo. Quando o adversário aposta no lançamento longo, como exemplo da jogada abaixo, a equipe nem sempre consegue se reorganizar.

VELOCIDADE ACIMA DA POSSE DE BOLA
Tanto no Confiança como no Sport, Daniel Paulista pouco priorizou a posse de bola e sempre apostou na velocidade das suas equipes para não dar espaço de organização para os defensores. Na última edição da Série B teve mais posse de bola do que os adversários apenas em oito dos 28 jogos com o Confiança. A média da sua equipe foi de 43% do controle de jogo.

JOGA NA ÁREA
De acordo com números apresentados pelo Sofa Score, o Confiança de Daniel Paulista terminou a Série B como o sexto time que mais aposta em lançamentos longos e/ou cruzamentos na grande área. Chama atenção que sempre são pelo menos dois ou três jogadores presentes: o atacante de referência, quem atua no meio centralizado e o jogador de beirada do lado oposto ao cruzamento.

PROBLEMAS OFENSIVOS
A velocidade, entretanto, acaba também atrapalhando as equipes de Daniel Paulista. Apesar da alta quantidade de bolas lançadas na grande área são poucos os momentos que os atacantes completam as jogadas. É muito comum ver cruzamentos passando pela extensão da área sem complemento de outros jogadores justamente pela velocidade dos ataques, mas pouca precisão em encontrar os companheiros.

PLATAFORMA NO GUARANI
Assim como na apresentação no Confiança, durante sua passagem pelo Sport, Daniel Paulista definiu que gosta de priorizar “um futebol moderno, um futebol de transição rápida e que precisa de força e velocidade. Busco jogadores com essas características para que, com nosso trabalho no dia a dia, possamos colocar em prática o que pensamos sobre o futebol”.

Desta forma, o Bugre deve continuar apostando em jogadores de mais velocidade, mas com um novo posicionamento da equipe. Com base nas escalações do período de Sport e Confiança, Daniel Paulista deve usar a base da equipe de Allan Aal para usar o 4-2-3-1, mas com mudanças nominais com chegadas de novas contratações

Foto de Thomaz Marostegan/Guarani FC

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