(coluna de Gléguer Zorzin)

ESPEL ELEVADORES

O dérbi é um jogo definitivamente diferente. Já diria Vadão que é um campeonato à parte e eu concordo.

Quando eu jogava no Cruzeiro estava concentrado para o meu primeiro clássico mineiro com o zagueiro Cris, ex-Lyon. Ele virou e me perguntou:

– É o seu primeiro Cruzeiro e Atlético?
Respondi que sim,
– Então se prepara porque você nunca vai ver clássico como esse.

Guardei aquela frase e quando estávamos indo em direção ao Mineirão no ônibus avistamos um clima de tranquilidade. Torcedores de Cruzeiro e Atlético caminhando juntos, tirando sarro, abraçados, comemorando… Como deveria ser.

Mas não perdi a oportunidade e disse para o Cris.

– Você nunca vai ver isso no dérbi em Campinas. O dérbi é diferente de qualquer coisa.

E o dérbi é tão diferente que pode criar heróis improváveis.

Nós já constatamos diferentes casos de jogadores desacreditados que se tornaram ídolos. Medina é a prova disso no lado do Guarani. Um reserva que até hoje é lembrado pelos gols na vitória de 2012. E no lado pontepretano o maior exemplo é Gigena, venerado até os dias atuais por suas atuações em clássicos.

Jogadores medianos, mas que fizeram a diferença no dérbi e se tornaram ídolos.

Existe o oposto também: grandes jogadores que não foram bem e são lembrados por este aspecto negativo. É o caso do goleiro Birigui que até hoje é criticado pela falha no Moisés Lucarelli.

O fato é que dérbi é sempre um joga diferente e não importa a circunstância dos times ou do campeonato. É uma competição dentro da competição. Movimenta a cidade, o torcedor, imprensa, jogadores e todos. Ninguém quer perder e todos querem ser eternizados com uma vitória.

Joguei quatro dérbis e pode atestar: é diferente, eletrizante e emocionante. Que seja um dérbi da paz e que vença o melhor dentro de campo.

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